<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752</id><updated>2012-01-24T11:22:33.003Z</updated><title type='text'>Ab immemorabili</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>214</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1191726454047164810</id><published>2012-01-24T11:21:00.000Z</published><updated>2012-01-24T11:22:33.009Z</updated><title type='text'>Será que vai conseguir? - Extracto de romance da autora</title><content type='html'>«Maria das Dores volta-se para o encarar de frente e, apoiando ambas as mãos, totalmente, sobre a mesa de interrogatório à qual ele se encontra sentado, debruça-se sobre ele, intimidatória e dominadora e sussurra-lhe, quase num murmúrio, perto do rosto, a ponto de ele lhe sentir o hálito a pastilha de menta:&lt;br /&gt;«Não farei nada disso, Dr. Tomás. E sabe porquê?»&lt;br /&gt;Ele olha-a, mais curioso do que com receio, e aguarda, expectante, que ela conclua:&lt;br /&gt;«Porque não me interessa encontrar uma solução. Uma qualquer. A todo o custo. Interessa-me, isso sim, Dr. Tomás Albuquerque, descobrir a verdade.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1191726454047164810?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1191726454047164810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1191726454047164810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1191726454047164810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1191726454047164810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/sera-que-vai-conseguir-extracto-de.html' title='Será que vai conseguir? - Extracto de romance da autora'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7171644530023295221</id><published>2012-01-21T21:49:00.003Z</published><updated>2012-01-21T22:17:06.559Z</updated><title type='text'>O caderno pautado de Deus</title><content type='html'>Com a sua caneta de tinta permanente e o seu caderno simples, pautado, a baloiçar-lhe das mãos intemporais, Deus, escritor antiquado, pensa-me o caminho. E, tendo-o pensado, apressa-se a escrevê-lo, traçando para mim um futuro que não pensei e desenhando na minha vida um rumo brilhantemente lógico que eu nunca poderia ter cogitado, pois sou mortal e finita e imperfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fico agora, perplexa, a observar a forma como as linhas simples que ele traçou no papel com a sua letra infinita se concatenam e assimilam ao devir dos meus dias, que eu jamais poderia ter calculado, por os ter vivido um a um, e não os ter tomado como um todo complexo e composto que me trouxe até onde hoje me encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a sua escrita imperiosa, Deus, autor obscuro e desconhecido, ordenou que os meus passos se dirigissem novamente para ti e percebo agora os motivos que O levaram, naquela tarde cinzenta e fria, a contrariar a minha vontade e a mandar-me rumar a Sul. E é como se visse a Sua mão de vento e neblina a apontar-me o caminho que deveria conduzir-me ao teu abraço quente e aconchegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o meu olhar confuso percebo agora não ter antes intuído a vontade do Criador apenas por não ter tido acesso a todo o livro que ele para mim escreveu, mas apenas a capítulos esparsos e folhas soltas da história que ele pretende contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História em que tu e eu somos protagonistas à deriva, sedentos um do outro, esquecidos do que vivemos e ansiosos de nos consumir num futuro que queremos apenas feliz.E haverá ambição maior do que esta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a sua caneta infalível, Deus, escritor avesso a novas tecnologias e teclados de computador, traçou-nos, implacável, o caminho que, juntos, devemos percorrer.E eu agradeço-lhe, pois não poderia ter encontrado melhor companheiro de jornada. Mas fico a cismar, confusa, nos motivos que o terão levado a conduzir-me, de novo, até ti. Logo até ti. Que és bom e belo, perfeito na tua compleição física e na bondade e honestidade que sempre ostentas. Mas que te ris sempre que te falo no livro de que somos personagens e que me repreendes, com a ternura costumeira, sempre que afirmo sentir a presença constante na minha vida do escritor que nos traçou a rota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Estamos sós» - afirmas. «Entregues às nossas próprias condutas voluntárias.» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu pergunto-te: «Então, porque és bom?» «Porque não sei ser de outra maneira» - respondes. E eu sinto novamente a mão do Criador pousada no meu ombro e o seu sorriso cúmplice a procurar-me o olhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7171644530023295221?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7171644530023295221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7171644530023295221&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7171644530023295221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7171644530023295221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/o-caderno-pautado-de-deus.html' title='O caderno pautado de Deus'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5836082000785914536</id><published>2012-01-18T10:48:00.000Z</published><updated>2012-01-18T10:49:58.226Z</updated><title type='text'>Os Aragão Melo - Extracto de romance da autora</title><content type='html'>«Beatriz baixa os olhos para o seu croissant com fiambre e finge-se distraída e alheada de quanto se diz à sua volta. Mas, nos seus lábios, o aparecimento de um rebelde sorriso revela que acompanha, com algum divertimento, a conversa entre os seus dois irmãos. Já Pedro não reage com a mesma satisfação ou sentido de humor à interpelação do irmão. Levantando para ele os seus olhos escuros e límpidos, responde-lhe, com um tom de voz defensivo, muito sucintamente e a contragosto:&lt;br /&gt;«O que é que tem a Leonor?»&lt;br /&gt;«É isso mesmo! É esse o nome: Leonor. Como no poema de Camões.» - responde Manuel entusiasmado, parecendo ignorar, voluntariamente, o tom de voz desagradado do irmão. «E já lhe arranjaste casa aqui na zona?»&lt;br /&gt;Beatriz parece prestes a explodir numa gargalhada sonora e animada. Percebe imediatamente qual a intenção de Manuel e, sabendo também, previamente, qual será a reacção de Pedro, não consegue evitar olhar, agora de forma explícita e significativa, para ambos, abstendo-se, porém, de tecer qualquer comentário ou de permitir que se solte o riso franco que prende, naquele momento, dentro de si.&lt;br /&gt;Pedro enrubesce perante a pergunta do irmão pois julga, também ele, entender a intenção de Manuel e, a medo, e já em tom de advertência, pergunta-lhe:&lt;br /&gt;«Casa aqui na zona?! Mas a que propósito?»&lt;br /&gt;Manuel parece não se aperceber dos semblantes alterados dos seus irmãos, ou, se se apercebe, não lhes atribui qualquer significado ou importância uma vez que continua a falar descontraidamente, alheio à reacção que o rumo da sua conversa vai provocando em quem o escuta.&lt;br /&gt;«Então, tu um dia hás-de deixar de ser Vereador, certo? Como é que farás para te continuares a encontrar com a rapariga? É óbvio que tens de lhe montar casa aqui em Estremoz, perto da Quinta. Uma casinha arejada e confortável com umas seis assoalhadas, onde ela e os filhos que quiseres ter dela possam viver sem incómodos. Escuta o que te digo, mano: com uma casinha, um par de filhos e uma pensão razoável por mês, a miúda é tua até que a morte vos separe ou até que o enfado te atinja em pleno coração. E caso isto se verifique também não haverá qualquer problema. Porque, com o teu dinheiro e posição, não te será difícil arranjar outra, que a substitua. Sem que a Paulinha saiba, naturalmente. Não há necessidade de fazer sofrer a minha querida cunhada, não é verdade? E, tal como o pai nos ensinou, devemos colocar a nossa família legítima acima de todas as outras.»&lt;br /&gt;Pedro, que foi empalidecendo à medida que o irmão ia falando, já não consegue manter-se sentado por mais tempo. Levantando-se subitamente da cadeira, olha o irmão com indignação e responde-lhe de forma ríspida, quase desagradável:&lt;br /&gt;«Agradeço, Manuel, que não te refiras à Leonor nesses termos. E muito menos à Paula. Não te admito este tipo de conversas. Bem sabes que não encontram correspondência na minha forma de ser e de pensar. Peço-te, portanto, que não voltes a abordar este assunto em respeito à minha pessoa. Sei bem o que fazer da minha vida e que rumo lhe hei-de dar. Dispenso os teus conselhos e os teus sermões moralistas. Ainda para mais quando fazem apelo a uma moral já há muito ultrapassada.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5836082000785914536?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5836082000785914536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5836082000785914536&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5836082000785914536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5836082000785914536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/os-aragao-melo-extracto-de-romance-da.html' title='Os Aragão Melo - Extracto de romance da autora'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8441334119466940013</id><published>2012-01-17T12:03:00.003Z</published><updated>2012-01-17T12:16:11.275Z</updated><title type='text'>Principe da Luz</title><content type='html'>Nos dias e horas da tua ausência o meu tempo pára e torna-se inútil e permaneço suspensa sobre a vida aguardando o momento em que regresses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos momentos dolorosos da tua ausência, que clama em mim, barulhenta, como um temível troar de canhão, a minha alma aguarda, à janela do meu ser, a tua vinda, ansiosamente perscrutando a paisagem árida na esperança de um vislumbre da tua imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois tu és luz radiante e sublime, e bem sei que tudo iluminarás à tua passagem, desde o mar ao céu, passando pelo meu pobre e inanimado ser. Perco horas debruçada sobre essa varanda imaginária aguardando um sinal da tua existência, Princípe do Sol, e cogitando, umas vezes sombria e outras tantas esperançada, sobre o que sentirás por mim e se da minha pessoa te recordarás com frequência. Ou se nem sequer te lembras que te aguardo, perdida de ti e só da tua presença, espreitando para a montanha de onde sei que surgirás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adivinho a tua dor e respeito-a e bem sei ser ela a causa do teu silêncio que me dói ainda mais a mim do que a ti. Quis ser bálsamo ungidor da tua fronte e sei que o fui mas hoje, aqui, olhando de forma vaga e cega o mar, invade-me o medo de que o fantasma do sofrimento te tenha apanhado novamente na sua rede temível e traiçoeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com as contas do terço apertadas, até doer, contra os dedos, vou rezando e murmurando para que atravesses, seguro, o País das Trevas e possas, Princípe da Luz, chegar incólume e invencível até ao Porto onde o meu amor espera por ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8441334119466940013?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8441334119466940013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8441334119466940013&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8441334119466940013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8441334119466940013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/principe-da-luz.html' title='Principe da Luz'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4344438416715719396</id><published>2012-01-15T11:40:00.003Z</published><updated>2012-01-15T11:55:40.317Z</updated><title type='text'>Filhos da Serra</title><content type='html'>Tu és a perfeição e o mistério, a beleza e a candura, a bondade e a verticalidade. E eu fico admirada por poderes, sequer, atentar em mim, que estou envolta em mágoa e em desgosto, embrulhada num xaile português, tecido com as cores do fado e da saudade e da desesperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu vens e carregas-me ao colo com os teus braços de ternura, afagas-me com as tuas mãos de amor, distancias-te com o teu corpo feito preocupação e entrega e veneração por mim, que sou pecadora e não o mereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contigo, todos os medos e fantasmas se afastam porque tu és a luz, uma luz que só quem é verdadeiramente recto e bom e traz a verdade consigo pode emanar. E eu sinto que o amor me chama e fico espantada por perceber (cega que sou!) que talvez seja a primeira vez que ele verdadeiramente ocorre na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E beijo-te as mãos com ternura pois sei que só me trarão bem e alegria e sorvo-te cada palavra como uma benção que tenha recaído sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a teu lado, olhando o Mar que é nosso, aperto-me contra ti e sinto, como se o visse, agora, com clareza, que tanta bem-aventurança só me poderia advir de quem é, como eu, filho da Serra e do Rio e das Gaivotas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4344438416715719396?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4344438416715719396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4344438416715719396&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4344438416715719396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4344438416715719396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/filhos-da-serra.html' title='Filhos da Serra'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1530452392152329696</id><published>2012-01-13T17:31:00.003Z</published><updated>2012-01-13T17:46:44.178Z</updated><title type='text'>A fuga</title><content type='html'>Amor não me procures novamente, não me sigas pela estrada que percorro, aflitivamente, a tentar apanhar-me, enquanto corro para me escapar ao teu enlace. Bem sei que és tu que me persegues, pois escuto já os teus passos, subtis e leves, fugazes e enganadores, no meu encalce. E eu, aterrorizada e tremente, fujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lanço-me em louca correria pela estrada de terra batida em que me encontro, que ainda nem asfaltada foi, de tão primário ser o caminho da minha vida, a que ela pertence, e tão pouco percorrido e tão só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço-te que não me persigas, mas insistes. E, cruel, atalhas-me o caminho, surjes-me pela frente quando te julgava atrás de mim, fazes-me tropeçar e cair nas poças de lama que se acumulam, escorregadias, nas bermas. Não sabes que é Inverno? Em breve a chuva há-de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me apontes a tua seta, Amor, não a quero receber novamente em mim. Deixa-me em paz, perdida no mar das minhas angústias e envolta nas ondas do meu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Impossível" - respondes tu com a tua leve e fresca voz de catraio, sorrindo, sem compaixão, ao meu receio e repulsa pela mão pequena e macia que me estendes - "Vem. Chegou o momento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu, abanando a cabeça, uma e outra vez, não me resigno. E sento-me teimosamente no chão, fincando os pés entre as plantas selvagens que aí moram. E Amor, finalmente, retira-se, com o seu olhar azul de Cupido a rir da minha desgraça. Mas antes de se ir, ainda tem tempo e disposição para murmurar, uma última vez:&lt;br /&gt;«Eu vou. Mas bem sabes que hei-de voltar.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1530452392152329696?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1530452392152329696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1530452392152329696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1530452392152329696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1530452392152329696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/fuga.html' title='A fuga'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2037280827708340314</id><published>2012-01-12T18:00:00.000Z</published><updated>2012-01-12T18:01:24.004Z</updated><title type='text'>Regresso à Quinta D'Alba - Extracto de romance da autora</title><content type='html'>«Pedro recordava, diariamente, a mãe, com uma saudade dolorida, apenas atenuada pela presença em Beatriz de parte da sua alma, da sua doçura e elegância, da sua compreensão. De alguma forma, Paula também a elas se assemelhava. Todas eram mulheres distintas, refinadas, doces. Talvez Paula apenas não dispusesse do génio e força de carácter que tão bem definiam a mãe e irmã de Pedro. Em tudo o resto era-lhes bastante idêntica. Muitas vezes o primogénito dos Aragão Melo surpreendia-se a indagar porque motivo se teria apaixonado por uma mulher tão distinta daquelas que o tinham visto crescer e que, habitualmente, conviviam consigo de forma diária. E a resposta mais lógica e natural era sempre a de que Leonor o cativara, precisamente, pelo que de diverso tinha delas, pela sua espontaneidade quase selvagem, a sua alegria incontida, a sua pose elegantemente natural.&lt;br /&gt;E são as mulheres que dão, como, aliás, quase sempre sucede, as boas vindas a Pedro naquele seu retorno a casa depois de tanto tempo de ausência. De dentro do carro, ele observa Esperança e Beatriz a assomarem à porta, a primeira de ar expansivo e sorriso aberto, correndo pesadamente para o alpendre enquanto vai limpando as mãos ao avental e a segunda de ar mais tímido e recatado, descendo pausadamente as escadas da entrada, mas com uma felicidade semelhante a cobrir-lhe a tez delicada.&lt;br /&gt;Quando Pedro sai da viatura é literalmente abalroado pelas duas, que o acolhem nos braços com uma ternura de mães, ambas procurando captar a sua atenção e afagos e ambas querendo consumir, num trago, tudo quanto ele tenha para lhes revelar. Abraçado às duas, Pedro entra na Casa Grande com uma agradável sensação de familiaridade e aconchego. E, ainda que por brevíssimos instantes, todos os temores se desvanecem. Pois já não há Porto, nem Lisboa, nem Cascais, nem Sociedade de Advogados, nem Município, nem sequer Paula ou Leonor. Apenas a Quinta D’Alba e o aconchego dos braços de Esperança e Beatriz.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2037280827708340314?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2037280827708340314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2037280827708340314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2037280827708340314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2037280827708340314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/regresso-quinta-dalba-extracto-de.html' title='Regresso à Quinta D&apos;Alba - Extracto de romance da autora'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3916131061884102272</id><published>2012-01-11T10:05:00.003Z</published><updated>2012-01-11T15:23:23.908Z</updated><title type='text'>Vida sem Luz</title><content type='html'>A vida é um imenso mar revolto, pleno de agitações e sobressaltos, provocados pelos ventos do confronto e da discórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é um imenso mar revolto, constantemente sujeito às mutações originadas pelas diversas fases da Lua e pelo decurso imprevisível dos fenómenos metereológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que atravessá-la de peito aberto e consciência limpa, de coração fremente e alma grata, sob pena de se tornar num longo, tortuoso e interminável martírio. Desta forma, a compreensão e estima que temos pelas circunstâncias da vida de cada um, não nos podem fazer afastar ou esquecer os nossos próprios princípios e parâmetros de vivência. Respeitando sempre, incansavelmente, os dos outros, mas sendo, igualmente, perenes, na manutenção dos nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, cada um de nós dispõe dos seus próprios valores e maneiras de se mover e de actuar, isoladamente ou em conjunto com os outros. São estes que nos definem enquanto pessoas e nos caracterizam e distinguem face a todos quantos nos rodeiam. Mudá-los, alterá-los, corresponderia a obnubilar a nossa própria identidade e a distanciar-nos de nós com consequências que, de tão nefastas, seriam, em grande parte, imprevisíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se mostra, pois, essencial, é que mantenhamos confiança nas nossas capacidades e aptidões, demonstremos apego à amizade e compreensão dos demais e procedamos sempre, em todos os momentos, com rectidão e lisura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o mais é despiciendo. Em nada nos engrandece ou beneficia. E só nos poderá granjear incómodos e distracções daquilo que é essencial. E o que é básico e fundamental é o que nos une aos demais: o afecto, o carinho...o amor. Sem os quais a nossa vida será sombra, destituída de luz, sentido ou guião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3916131061884102272?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3916131061884102272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3916131061884102272&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3916131061884102272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3916131061884102272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/vida-sem-luz.html' title='Vida sem Luz'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8093360862805620289</id><published>2012-01-08T21:37:00.003Z</published><updated>2012-01-08T21:52:04.293Z</updated><title type='text'>O amor é como uma vela...</title><content type='html'>O amor sempre foi como a frágil chama ardente de uma longa vela que, um dia, alguém acendeu. A única diferença é que, na actualidade, se torna muito mais difícil manter o fugaz lume aceso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor sempre foi como a frágil chama ardente de uma longa vela, mas, hoje, alguém a decidiu colocar junto à janela, sujeita às intempéries da rotina e do cansaço, fustigada pelo vento da correria diária e da monotonia, açoitada pela chuva baça e suja de dias iguais feitos de obrigações assumidas e responsabilidades por cumprir. Uma vez aberta a janela, apenas as chamas mais resistentes hão-de suportar o castigo da sujeição constante aos elementos. A maior parte há-de apagar-se, lenta e inexoravelmente, por força de tantas agressões quotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem assista ao apagar da chama e persista em fingir que ela se mantém, ainda, acesa. Vivem como cegos, esses pobres fingidores, embatendo nos móveis e objectos espalhados pela casa, sujeitos à escuridão constante que a ausência do amor produz em nós. Fazem-no por entender que é mais fácil viver aos tropeções do que tentar reanimar a luz perdida ou acender uma nova vela que substitua aquela que se extinguiu e que cumpriu o seu papel, alumiando durante o período de tempo em que era suposto fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é, nos dias de hoje, como uma breve chama alumiando a escuridão da vida, colocada junto a uma janela aberta e sujeita a todo o tipo de intempéries.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o apagamento inevitável de cada chama não corresponda ao fim da luz nos nossos dias...mas sim ao prenúncio de um novo acendimento, que lhes há-de devolver a alegria, a esperança e o sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8093360862805620289?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8093360862805620289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8093360862805620289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8093360862805620289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8093360862805620289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/o-amor-e-como-uma-vela.html' title='O amor é como uma vela...'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5283154495240945186</id><published>2012-01-07T14:00:00.003Z</published><updated>2012-01-07T18:28:29.325Z</updated><title type='text'>Maçonaria e fait divers</title><content type='html'>O tema da Maçonaria e da ligação de políticos e empresários a esta organização dominou a actualidade noticiosa portuguesa durante a última semana, gerando discórdia e debate, celeuma e irritação e enriquecendo o já profícuo anedotário nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, a diabolização que se pretende efectuar da Maçonaria e de quem a ela pertence, é tão contraproducente como a actuação de sinal inversamente oposto, que é a que consiste em alegar e proclamar a total inocência de todos quantos nela militam. Por outro lado, o enfoque recaiu, nesta como em tantas outras situações, e como é tão comum fazer-se em Portugal, em questões laterais àquilo que é verdadeiramente essencial e que constitui o núcleo do problema: a promiscuidade. E este não é um vício da Maçonaria ou de qualquer outra organização com actividade em Portugal. É um problema, quase uma característica, da sociedade portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caríssimos: sejamos claros! A Maçonaria é uma instituição com princípios e ideais louváveis, dentro de um espírito republicano e laico. O que está errado, portanto, não é a Maçonaria: é a perversão ou utilização errada das suas premissas por certos membros menos honestos. Mas esse, já o dissemos, não é um problema de organizações, mas sim de mentalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A promiscuidade e a desonestidade alastraram nos últimos tempos pela sociedade portuguesa conduzindo-nos e sendo responsáveis, em larga medida, pelo estado em que nos encontramos enquanto Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um fenómeno visível, palpável e transversal. Diz respeito às relações entre sociedades de advogados e arquitectos e respectivas ordens com a Administração Pública, concerne ao exercício de mandato como deputado de quem desempenha lugares de destaque em instituições financeiras ou empresariais,sendo, portanto, injusto e falso imputar o fenómeno a uma só organização e torná-la bode expiatório de todo um sistema que foi sendo pervertido, ao longo dos anos, por ligações menos transparentes e actuações pouco honestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumamos, pois, a verdade. Quem está mal não é a Maçonaria. É toda a sociedade portuguesa. Tudo o resto é fait divers e entretenimento sazonal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5283154495240945186?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5283154495240945186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5283154495240945186&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5283154495240945186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5283154495240945186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/maconaria-e-fait-divers.html' title='Maçonaria e fait divers'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8302007210090734289</id><published>2012-01-03T22:53:00.003Z</published><updated>2012-01-03T23:43:59.235Z</updated><title type='text'>Imolação</title><content type='html'>Hoje ergui-te um templo junto ao Mar, amor, onde te posso adorar e venerar sem que alguém se atreva a incomodar-me, a perturbar-me na minha imensa e infindável adoração por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-o com as minhas mãos macias de Deusa e em cada coluna e altar coloquei flores e incenso para que melhor percebas o quanto de fanatismo existe no meu amor, feito religião para, de forma mais perfeita, me entregar a ti. E com um tosco cinzel esculpo a tua imagem amada na pedra para que ela permaneça perene, na igreja que te dediquei, da mesma forma que persistes no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí me prostro, diariamente, oferecendo-me a ti, de corpo e alma e entranhas e coração e sangue e substância e vísceras. Aí me sacrifico e imolo, no altar da tua graça, apunhalando o próprio ventre para que me recebas, sem vida, no teu seio divino. Aí me purifico através do fogo de modo a ser digna de me unir a ti, na tua carnalidade de Deus Supremo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rezo-te orações baixinho, amor, como quem suplica pela piedade de um olhar teu e a suprema glória do teu amor. Acendo velas e faço-te promessas na expectativa do teu desejo. E arrasto-me até ao teu altar, prostrada, de joelhos, solicitando que me concedas o dom sublime da tua graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu recuas, apavorado, amor. E não cessas de gritar que és humano e não divino e de repudiar o meu fanatismo por ti, alegando que não és merecedor de tão eloquentes orações e de tão extremada veneração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu perdoo-te, amor, porque não sabes. Porque desconheces e ignoras e és alheio aos desígnios desse outro Deus que um dia, sob a forma de Serra e de Mar me prometeu com voz de eternidade o teu amor por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8302007210090734289?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8302007210090734289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8302007210090734289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8302007210090734289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8302007210090734289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/imolacao.html' title='Imolação'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8791742840924012073</id><published>2012-01-02T11:49:00.005Z</published><updated>2012-01-02T12:32:25.993Z</updated><title type='text'>A sopeira</title><content type='html'>Descobre-se, agora, à saída da monumental casa, junto ao parqueamento dos automóveis, de chave de fendas na mão. Chegou há três meses da província, de onde, bem vistas as coisas, nunca deveria ter saído, e vê-se já, por um acaso do destino, compelida a regressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa de tudo quanto sucedera fora, na verdade, em grande parte, sua. Não dera ouvidos às advertências (múltiplas!) que lhe foram fazendo as colegas de profissão, acerca de patrões menos escrupulosos que se aproveitavam, sobranceiramente, da escassez de meios financeiros e da ingenuidade das internas para lhes irem fazendo algumas aproximações inadequadas que terminavam, quase sempre, com grave prejuízo para as raparigas, que, sendo vítimas da cupidez dos senhores, não podiam, sequer, apoiar-se na protecção das donas da casa sem gerarem desconfiança ou ciume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pensara sempre que aquilo que se dizia era exagero, que correspondia a uma reminiscência de épocas passadas e que as gerações actuais, mais civilizadas, não se conduziriam dessa forma. Deveria ter calculado, pela análise imparcial, que sempre efectuou, da sua própria pessoa, que há aspectos caracterizadores de cada ser humano que dificilmente mudam ou se alteram com o decurso do tempo. Quem acreditaria, por exemplo, que ela, aos 25 anos, em pleno século XXI, chegara àquela casa de luxo e perdição, incolumemente virgem, tragicamente desconhecedora das realidades da vida e apta, portanto, a tornar-se vítima de um qualquer gabiru mal intencionado que decidisse abusar do seu desconhecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem fora impiedoso. Perseguira-a, sem lhe deixar margem de escapatória, desde o primeiro momento. Seduzira-a com promessas eloquentes de grandeza e desafogo, de uma vida mais fácil e grata e prazenteira. Ela bem o advertira de que era desconhecedora dos meandros do amor e das subtilezas da paixão, mas ele ignorara quaisquer pruridos que ela pudesse ter. E, finalmente, atingira os seus objectivos, conseguira surpreendê-la, descuidada e incauta,numa tarde de sábado, no duche, na ausência da patroa e das filhas e ali mesmo, sem medos ou pudores,dela se apossara, com cruel e intransigente volúpia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chorara semanas seguidas, tentando apelar ao que de bondoso e sensível existia nele, mas acabou por concluir que a generosidade era uma característica que não lhe pertencia. E quando, finalmente, fez uso do argumento que achou ser mais capaz de o melindrar - «O senhor tem duas filhas. O que de melhor se lhes pode desejar é que nunca conheçam nenhum homem igual ao pai!» - ele abespinhou-se e ofendeu-se e correu com ela com a mesma rapidez com que a possuíra, ordenando-lhe que partisse com a roupa com que chegara e uma soma considerável em dinheiro destinada a reparar a sua perda. Como se alguma quantia pudesse compensar a sua ingenuidade perdida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que ela está hoje, ali, apeada, junto aos automóveis dos patrões, de chave de fendas na mão e pronta para partir. Mas antes há que marcá-lo da mesma forma que ele a tocou, há que magoá-lo com a mesma intensidade com que ele a melindrou, há que fazer com que ele nunca se esqueça do que ela, jamais, poderá olvidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brande então a chave de fendas e, aproximando-se do Porche negro e luzidio, risca-o com ela a toda a volta, de forma precisa e cirúrgica, com a mesma exactidão com que partia em fatias a carne de assar no forno. E, uma vez terminada a sua tarefa, joga o instrumento da sua vingança para o relvado e sai, magoada mas convicta, em busca do autocarro que a levará ao interior, outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8791742840924012073?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8791742840924012073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8791742840924012073&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8791742840924012073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8791742840924012073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/sopeira.html' title='A sopeira'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1755137765184179780</id><published>2012-01-01T18:51:00.004Z</published><updated>2012-01-01T19:12:29.883Z</updated><title type='text'>Noite de amor</title><content type='html'>Apaga as luzes, meu amor, fecha as estrelas, manda a Lua retirar-se por agora.&lt;br /&gt;O momento é nosso, que ninguém o venha ofuscar, que ninguém ouse roubar-lhe a escuridão e o tremor que lhe pertencem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se atrevem, esses ténues brilhos da natureza, a descobrir-nos, frágeis, na nossa nudez, quando apenas pretendemos ficar sós? Não o permitas. Ordena-lhes que vão e regressem, tão somente, na hora em que nos separarmos de corpo, porque de espírito é já impossível que nos consigam apartar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afasta a força das marés com o teu gesto imperioso e fala-me da glória que vive já em nós. Recita-me poemas de Musset, amor, fala-me dos acordes de Schopin, que eu hei-de dar-te conta da prosa de Eça, do realismo contemporâneo, da escrita crítica e observadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me que a minha beleza te é indiferente, que não vês o meu olhar quando me miras, porque a literatura, que em mim vive, te inebria e te distrai de tudo o resto, a ponto de já não saberes se sou ou não bela ou desejável, porque vives, a cada momento, dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afasta os fantasmas nocturmos, amor, acende a lareira. Sente-a crepitar dentro de nós, com as suas chamas alaranjadas a invadir-nos cada órgão corpóreo e perecível. E depois, chega-te à janela e expulsa cada uma das estrelas que pretendem violar a nossa privacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-lhes que é chegada a hora de os poetas serem carne e sangue e vida e mundo corpóreo. Assegura-te que elas foram, intrometidas e malfazejas, inspiradoras da nossa arte, e depois, deita-te a meu lado e entra dentro de mim outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1755137765184179780?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1755137765184179780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1755137765184179780&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1755137765184179780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1755137765184179780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2012/01/noite-de-amor.html' title='Noite de amor'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5887360279386889336</id><published>2011-12-27T18:31:00.002Z</published><updated>2011-12-27T18:47:19.052Z</updated><title type='text'>Melancolia, meu amor, Serenidade</title><content type='html'>Melancolia, meu amor, serenidade.&lt;br /&gt;Tristeza, início, fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias idênticos decorrem, numa exasperante e lenta caminhada, diante de ti, sem que, deles, algo de distinto ou entusiasmante consigas reter. E dás por ti a lembrar-te da paixão que perdeste e daquela outra, que nem chegaste a viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melancolia, meu amor, serenidade.&lt;br /&gt;De onde provém, então, esta absurda e indelével mágoa, este inútil sofrimento que se apodera de ti sem que saibas como o conter. Tu! Logo tu! Que te gabas de ser racional e pragmático e isento de emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virá ele da paisagem que miras e que se estende, monótona, diante de ti? Dos teus dias, vazios e perdidos na azáfama que te faz esquecer, por breves horas, o martírio que te crucifica o peito? Ou serás tu a própria origem de toda a dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melancolia, meu amor, serenidade.&lt;br /&gt;Viver a vida como os outros esperam que a vivas, percorrer os mesmos caminhos que eles seguem, calcar as mesmas pedras que eles pisam. Para obter aprovação, aceitação, reconhecimento. E tu? Onde ficaste? Em que recanto do trilho que, cegamente, teimas em seguir, perdeste a alma? Onde te ficou o sonho? E a esperança? E o porvir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melancolia, meu amor, serenidade.&lt;br /&gt;E, no entanto, que sentido faz essa luta absurda que travas contra ti próprio? Se tudo terminará em morte e fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melancolia, meu amor, serenidade.&lt;br /&gt;Quem te colocou no peito a convicção de que, só sendo igual aos outros, serás feliz? De que não podes construir a tua própria vereda e nela penetrar, finalmente convicto de que, mesmo só, és tu próprio e não outro alguém a quem inventas, nesse teu fingimento, amargo, de todas as horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melancolia, meu amor, serenidade.&lt;br /&gt;Foge da prisão que te cerceia, pássaro amado, distancia-te das convenções que te abatem a alma, a cada dia, e voa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então:&lt;br /&gt;Liberdade,&lt;br /&gt;Verdade,&lt;br /&gt;Plenitude,&lt;br /&gt;Tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5887360279386889336?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5887360279386889336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5887360279386889336&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5887360279386889336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5887360279386889336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/melancolia-meu-amor-serenidade.html' title='Melancolia, meu amor, Serenidade'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4800752843997868574</id><published>2011-12-26T18:39:00.002Z</published><updated>2011-12-26T18:49:49.905Z</updated><title type='text'>Mérito e Mediocridade</title><content type='html'>Há pessoas assim...inseguras das suas qualidades e méritos, daquilo que, intrinsecamente, os diferencia e os torna singulares e únicos perante o resto da Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas assim...que sendo especialmente dotadas e dispondo de recursos de inteligência, sabedoria e mérito, que não se podem negar, não os conseguem, contudo, reconhecer nos demais sem se sentir ameaçados ou inseguros, fragilizados ou impotentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas assim...que só conseguem conviver com quem lhes é intelectualmente inferior para que possam sempre sobressair e para que, elevando-se para além da mediocridade que reina, se possam mais facilmente salientar...não pelo mérito próprio, mas pelo demérito alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas assim...há quem lhes chame invejosas ou egoístas, mas creio que não se trata, simplesmente, de tal. É, antes, uma forma de auto desprezo e de falta de confiança nas suas próprias qualidades intrínsecas, que sempre as levará a afastar-se, inelutavelmente, de quem se lhes possa igualar ou de quem as possa superar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a vida é isso mesmo: reconhecer que cada um de nós possui qualidades próprias distintas dos demais, e conseguir aceitá-las e reconhecê-las como meritórias no confronto com as nossas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não o consegue fazer, quem se esconde atrás da mediocridade alheia a fim de salientar o seu mérito, das duas uma: ou tem menos valia do que pensa ou, então, possuindo-a, nunca a conseguirá fazer realçar, pois só do confronto com quem é igual ou melhor do que nós nasce a capacidade de nos superarmos e aprimorarmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4800752843997868574?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4800752843997868574/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4800752843997868574&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4800752843997868574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4800752843997868574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/merito-e-mediocridade.html' title='Mérito e Mediocridade'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6160977883533438048</id><published>2011-12-25T12:56:00.004Z</published><updated>2011-12-25T13:08:01.461Z</updated><title type='text'>Amor e submissão</title><content type='html'>A nossa casa é o local em que somos felizes, em que sentimos o aconchego e o calor dos nossos, a bem aventurança de sorrisos e abraços e carinhos. A nossa casa é o local em que sentimos que nos amam e somos imprescindíveis, independentemente da nossa beleza ou humor ou estado de ânimo em cada momento. É no peito daqueles que amamos e que nos amam que residimos e é aí que depositamos o nosso profundo sentimento de pertença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o amor não é, por definição, nem pode nem deve ser, um sentimento calado e amorfo, neutro e ambíguo. O amor é interventivo e crítico, sonoro e radiante...e pode, também, às vezes, ser cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se ama alguém e se constata ou se pensa que ela não está a agir e a proceder da maneira mais correcta ou, pelo menos, da forma que julgamos ser mais digna dela, calar-nos é sermos coniventes com tal estado de coisas. É contribuirmos, com o nosso silêncio, para a manutenção das falhas e defeitos daqueles a quem tanto queremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amemos, pois. Mas de forma fecunda. Beijando mas estando atentos. Acariciando, mas sendo vigilantes. Abraçando, mas não nos eximindo de olhar de forma crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso assim não seja, ter-se-à o nosso amor, sem que de tal nos tenhamos apercebido, transformado em submissão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6160977883533438048?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6160977883533438048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6160977883533438048&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6160977883533438048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6160977883533438048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/amor-e-submissao.html' title='Amor e submissão'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6641932933560114097</id><published>2011-12-20T21:24:00.002Z</published><updated>2011-12-20T21:58:13.446Z</updated><title type='text'>O Primeiro Ministro, os Professores e a exteriorização da verdade</title><content type='html'>Não é fácil exercer o poder e, em simultâneo, manter presente a realidade quotidiana de um simples cidadão. Por muito que se negue ou que se omita esta realidade, não o é. Desde logo, porque os assuntos que se tratam, as matérias acerca das quais se conversa, os motivos de preocupação, passam a ser completamente distintos. Acresce que se está sujeito a uma permanente adulação e ao elogio e ao consenso fácil, que, sendo frequentemente repetidos, podem gerar uma convicção de indisputabilidade que nunca, em qualquer circunstância, poderá corresponder à verdade. (pelo menos de forma absoluta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, até, quem se rodeie de barreiras (voluntariamente) e apenas tome conhecimento dos factos através de interpostas pessoas. Nada de mais errado. Tal actuação, para além de alterar de forma significativa a percepção da realidade (porque aquilo que é relevante para o líder, pode não ser para quem o aconselha) fomenta a existência de potências paralelas que em nada contribuem para a centralização (que, neste caso, se deseja) do poder em quem, efectivamente, o deve exercer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço eu esta pequena introdução a respeito dos vários comentários que se vêm efectuando acerca de declarações do Primeiro Ministro que teriam incentivado a classe docente a emigrar. Em primeiro lugar, esclareço, desde já, que não me parece que a intenção tenha sido essa. A afirmação, proferida no contexto de uma entrevista a um jornal, teria vindo na sequência da constatação de que existem, no mercado de trabalho português, mais professores do que aqueles que são, actualmente, necessários, os quais deveriam, segundo o Governante, procurar alternativas profissionais, ou dentro ou fora do País. O que é natural e verdadeiro. E poderia ser dito por qualquer cidadão. Mas não pelo Primeiro Ministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao início deste texto, devo dizer que tenho lido em diversos órgãos de comunicação social e que me tem sido referido por quem conhece o Primeiro Ministro que este tem por hábito ouvir toda a gente, de forma atenta e paciente. É um bom indício. Revela humildade e inteligência. Nenhum de nós é infalível. Ninguém é detentor de todo o conhecimento, seja qual for o cargo que se encontra a exercer. E escutar, de forma descomplexada, outrem, retirando, depois, as ilações que se impuserem, ou de concordância ou de discordância, é um sinal, não só de inteligência, mas também de auto-confiança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo, portanto, boas características, que decerto o ajudarão a exercer o seu munus, o Primeiro Ministro tem-se revelado, igualmente, bastante sincero.O que também é uma boa característica, desde que exercida correctamente. É que existem verdades que, por muito evidentes que se afigurem, não podem ser ditas por quem tem determinado grau de responsabilidade. É que cabe ao Chefe do Governo criar condições para que as pessoas fiquem no seu País. E não tenham de sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há missões quase impossíveis? Há. E algumas não dependem de quem as exerce, por muito boa vontade que se tenha. Porque há condicionamentos, internos e externos, a ter em conta. Mas é algo que não pode ser exteriorizado sem grandes cautelas. Sob pena de surgirem mal entendidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Injustamente prejudiciais a quem, expressamente, os manifesta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6641932933560114097?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6641932933560114097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6641932933560114097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6641932933560114097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6641932933560114097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/o-primeiro-ministro-os-professores-e.html' title='O Primeiro Ministro, os Professores e a exteriorização da verdade'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1665611337349923703</id><published>2011-12-18T18:56:00.003Z</published><updated>2011-12-18T19:18:03.698Z</updated><title type='text'>O estado da Justiça e as justiças dos Estados</title><content type='html'>No dia em que o Governo se reuniu, em Conselho de Ministros, para avaliar as medidas estruturais que deverão ser adoptadas, a partir do próximo ano, a fim de relançar a economia, sem que, no entanto, nada tenha, até agora, de concreto, sido avançado a esse respeito, cumpre chamar a atenção para um dos sectores que, pelo seu mau funcionamento, desde há décadas, muito tem comprometido o progresso económico do País: refiro-me, naturalmente, ao sector da Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto pilar fundamental da vida em sociedade, pela capacidade que tem de gerar confiança ou retracção nos agentes económicos, a Justiça deve desempenhar um papel central em qualquer Estado evoluído e desempenha-o, de facto. Demonstrado está que, quanto mais desenvolvido é um País, mais aperfeiçoado é o seu sistema de justiça, numa conexão de causa e efeito que muitos têm vindo a constatar e a salientar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que é facto é que, em Portugal, apesar de a Justiça ter vindo a ser objecto, desde há largos anos, e em várias ocasiões, de profusas reformas (ou até, talvez, por causa disso) nenhuma delas contribuiu para um visível melhorar do funcionamento da mesma, quer em termos de celeridade, quer de eficaz aplicação da Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que reveste particular gravidade. E se tem projectado, em situações concretas (algumas delas sobejamente conhecidas), de forma negativa, sobre o funcionamento da economia. Dar-vos-ei um exemplo que, sem ser concreto, é, no entanto, demonstrativo do quanto a falta de ligeireza na apreciação dos casos colocados sob julgamento pode tornar-se prejudicial ao funcionamento dos mercados: se uma entidade pública e um particular celebram um contrato tendo em vista a construção de determinado equipamento e um terceiro impugna a validade desse acordo, o que se exige dos Tribunais é que sejam não só razoáveis, mas também rápidos na apreciação do litígio. Porque se demorarem dez anos a valorar a situação (o que aconteceu em muitos casos idênticos a este) é muito possível que, na data de trânsito em julgado do Acórdão, já nenhuma das partes (pública e privada) mantenha interesse no negócio, com graves prejuízos para ambas. E sem que aos julgadores seja pedida qualquer responsabilidade pela inércia da sua actuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estado de coisas que tem , necessariamente que mudar. E, na altura em que se anuncia mais uma reforma do processo civil (a enésima), seria, talvez, de ponderar se ela permitirá, efectivamente, alterar o quanto de pernicioso se passa no sector da justiça ou se constituirá, apenas, mais um factor de instabilidade a acrescer a tantos outros que, periodicamente, se vão sucedendo no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teremos de esperar para ver, sendo certo que os constantes atritos entre a Ministra e o Bastonário da Ordem dos Advogados não contribuem em nada para nos sossegar, também, a este respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1665611337349923703?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1665611337349923703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1665611337349923703&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1665611337349923703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1665611337349923703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/o-estado-da-justica-e-as-justicas-dos.html' title='O estado da Justiça e as justiças dos Estados'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6334257957858195165</id><published>2011-12-18T11:56:00.006Z</published><updated>2011-12-18T12:11:05.821Z</updated><title type='text'>Procuro-te, meu amor, por veredas e caminhos.</title><content type='html'>Hoje busco-te, novamente, Meu Amor, por veredas e caminhos, pelas mais íngremes estradas e os mais escusos atalhos, pois bem sabes que não é fácil o meu percurso nem lineares as vias que escolho traçar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei ser boa, nem escorreita, nem simples. Como desejo, a cada dia, poder um dia aproximar-me da normalidade e da vil imperfeição. Mas não quiseram, nem Deus, nem o Destino, colocá-las ao meu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por ser assim, tão negra e tão plena de azedume, que me acerco de ti, que és o senhor da solidão e das páginas vazias e ínvias, e que nem um verso de poema logras saber escrever, apesar de muito te gabares do quanto lês e és culto e sabedor. Falta-te na alma, meu querido, aquele génio e centelha de sofrimento, que a Vida só sabe entregar a quem muito padece, e que tu não podes possuir pois a vã alegria e a parca felicidade fazem parte dos teus dias tão vãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não. Fui a escolhida de todos os seres de outrora para suportar todos os seus fardos e males e os retratar nesta época de vazios e neste lugar de imperfeições. E plano sobre ti, ser terreno, a observar-te, perscrutadora, para melhor poder, depois, reproduzir, todos os teus medos e falhas e limites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando te procuro, perguntando, cheia de temor, por ti, à natureza que me cerca e cerceia, nem me apercebo de que indago por quem já encontrei e de que moras, desde há décadas e vidas e passados, escondido dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6334257957858195165?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6334257957858195165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6334257957858195165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6334257957858195165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6334257957858195165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/procuro-te-meu-amor-por-veredas-e.html' title='Procuro-te, meu amor, por veredas e caminhos.'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4574527797705050481</id><published>2011-12-16T18:32:00.003Z</published><updated>2011-12-16T18:53:19.572Z</updated><title type='text'>No colo de Deus</title><content type='html'>No colo de Deus, esse colo paterno e venerando, gasto de anos e carícias e desgostos, repouso a minha alma feita de dor. E enquanto ele, com as suas mãos de vento, me acaricia os cabelos, vou enchendo de lágrimas a tacinha de prata em que ele guarda o incenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Porque me criaste assim?» - pergunto-lhe eu acusadora - «Para que me encheste o coração de tormentos e o pensamento de angústias? Queria tanto ser alguém diferente de mim! Ter o Mundo por perspectiva e a Terra por segurança. E, contudo, não consigo.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ora, ora, rapariga» torna-me ele repreensivo «Mas que exagero o teu!Pois não és triste como a penedia que ofereço ao mar, nem tumultuosa como as ondas que se abatem sobre a escarpa, nem, sequer, revolta como as tempestades que ofereço ao frio Inverno.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Enganas-te» - atrevo-me eu a retorquir-lhe, qual filha adolescente que se esforça por provar a sua razão ao pai - «pois o meu desgosto é maior e mais profundo que todas as forças da natureza que possas invocar e a minha noite mais negra que todas as escuridões de que te vestes.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mais uma vez, ele responde:&lt;br /&gt;«Poderia dar-te a conhecer todos os males e tristezas de que padece o Mundo em que vives, para que pudesses comparar e sentir como são mínimos os teus. Mas não o farei. Pois só aumentaria o teu pesar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico então a reflectir por algum tempo e resolvo colocar-lhe a questão directamente:&lt;br /&gt;«Há quem diga que não existes...»&lt;br /&gt;«A sério?» pergunta ele, irónico e sorrindo.&lt;br /&gt;«Sabes que sim. Mas eu tenho a certeza de que estão enganados, porque sinto, claramente, a tua presença na minha vida. Ainda ontem...porque me fizeste aquilo? Ía ao encontro dele (ou, pelo menos, pensava que ía) e, subitamente, percebi que me enganara e que rumava a Sul. Foste tu. Tenho a certeza. Porque o fizeste?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez o seu olhar é severo e perscrutador:&lt;br /&gt;«Deves afastar-te das criaturas de coração empedernido que vivem longe de mim. Ainda não percebeste?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu rebelo-me e, cheia de audácia, viro-lhe as costas enquanto vou dizendo, convicta:&lt;br /&gt;«Já não respeitas a autodeterminação? Deixa-me errar e adensar-me cada vez mais na minha dor.»&lt;br /&gt;E ele deixa-me ir, fingindo indiferença.&lt;br /&gt;Mas, mal transponho a porta de nuvem, ordena que se apresente o anjo que se encontra mais perto e diz-lhe:&lt;br /&gt;«Segue-a. E assegura-te de que não faz asneira alguma. Mas sê mais discreto desta vez...»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4574527797705050481?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4574527797705050481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4574527797705050481&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4574527797705050481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4574527797705050481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/no-colo-de-deus.html' title='No colo de Deus'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3832404970457239485</id><published>2011-12-16T11:07:00.006Z</published><updated>2011-12-17T20:02:32.859Z</updated><title type='text'>Um Conto de Natal - Dois visitantes inesperados</title><content type='html'>Bruxelas, 8 de Dezembro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard está na sua posição habitual, ao cimo da ampla escadaria, quando o vê chegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa, inicialmente, que é mais jovem e se encontra vestido de forma mais elegante do que seria de supor...&lt;br /&gt;Não terá muito mais do que trinta anos e nem a informalidade do blazer e das calças de ganga que traz vestidos lhe retiram uma certa distinção na forma de se mover e de falar que lhe parece ser intrínseca. Tem o cabelo claro, cortado curto, e os olhos são incendiariamente luminosos, sendo a sua vivacidade apenas atenuada por uma expressão de tristeza e de angústia, que neles está presente, e que nunca se parece dissipar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atalhando-lhe o caminho, bem ciente do seu dever, Bernard pergunta-lhe:&lt;br /&gt;«Vem por causa do jantar de hoje à noite, certo? Foi indicado para substituir o seu colega que adoeceu à última hora?»&lt;br /&gt;«Na verdade, não...» - responde-lhe o desconhecido, como se não estivesse particularmente atento àquilo que ele lhe diz.&lt;br /&gt;«Não? Escute: a empresa encarregue de servir o jantar informou-nos, há pouco, que o empregado de mesa que nos falta seria substituído ainda de manhã. Já estamos com um ligeiro atraso na preparação da recepção e, como deve calcular, nada pode falhar.»&lt;br /&gt;O seu interlocutor fita-o, com o seu olhar claro e límpido, como se não o compreendesse, e diz-lhe:&lt;br /&gt;«Preciso de falar com os líderes reunidos na cimeira. É urgente que me dirija à sua presença. Estão prestes a cometer um erro terrível.»&lt;br /&gt;Perplexo, Bernard quase lhe pede que repita o que acaba de dizer, de tão absurdo se lhe afigura o que ouviu. Mas opta, antes, por lhe lançar um olhar trocista e por soltar uma gargalhada estridente:&lt;br /&gt;«Tem um excelente sentido de humor, meu caro. Queria, então, falar aos líderes europeus? Essa é muito boa! Olhe: também eu! E, se quer que lhe diga com sinceridade aquilo que penso, estas medidas também não me agradam. Mas é mesmo assim. Quem pode manda e nós temos de obedecer, pelo que o melhor é mesmo acompanhar-me para tratarmos das formalidades do seu ingresso.»&lt;br /&gt;Mas o desconhecido parece intransigente nas suas intenções:&lt;br /&gt;«Não está a compreender. Falo a sério. Se eles não me ouvirem, algo de trágico e definitivo poderá ocorrer. É preciso que eles percebam que não seguem o caminho correcto, o percurso do bem, da fraternidade, da comunhão...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard está, agora, impaciente e mal humorado. Como se não lhe bastasse o azar de o titular do lugar ter adoecido, ainda lhe enviam um substituto completamente louco. Estará ele em condições de desempenhar tarefa de tal exigência, como a de servir os líderes europeus ao jantar? Vai responder-lhe com desagrado, quando por cima do seu ombro o vê chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O automóvel topo de gama conduzido por um motorista fardado e aprumado não engana. Está perante uma personalidade de grande importância. Que, contudo, não se faz transportar em viatura oficial. E porque razão se dirigiu àquela entrada e não à oficial? De quem se tratará? Que surpresas, mais, o aguardam naquela manhã? Vê-o subir a escadaria com curiosidade. É igualmente muito jovem e quase tão belo e de feições tão correctas como o seu interlocutor actual. Mas há na sua expressão uma arrogância e uma dureza inexistentes no semblante do primeiro. O fato que traz vestido é, sem dúvida, Armani, e o Cartier que o seu punho, erguido para deter uma madeixa de cabelo mais rebelde, que se soltara, mostra, dissipa-lhe quaisquer dúvidas que pudesse, ainda, ter: este visitante é distinto e deve ser tratado com a vénia adequada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobrando-se ligeiramente à sua chegada e afastando com o braço o seu outro interlocutor, a quem nem se lembrara de perguntar o nome (e desde quando relevam os nomes dos empregados de mesa?) Bernard pergunta-lhe:&lt;br /&gt;«Quem devo anunciar, Senhor?»&lt;br /&gt;O recém chegado responde-lhe com altivez:&lt;br /&gt;«O meu nome não lhe diz respeito. Sou Presidente de um dos principais bancos europeus e aguardam-me lá dentro.»&lt;br /&gt;«Mas, senhor, deveria ter-se dirigido à Portaria Principal. São os procedimentos. Não o posso deixar entrar por aqui...»&lt;br /&gt;Bernard transpira de nervosismo e comoção enquanto contorce as mãos uma na outra.&lt;br /&gt;«Não me compreendeu, decerto. Já lhe disse que vou entrar. Caso queira impedir-me terei de fazer um telefonema lá para dentro. Mas não será conveniente que o faça. É uma má altura para perder o emprego, Bernard» - atira-lhe com rispidez, enquanto olha em tom de desprezo para a placa identificadora que Bernard traz na lapela.&lt;br /&gt;Este, parece ter-se conformado. Em tom de humildade responde-lhe que irá, então, preencher o formulário habitual e pede-lhe que o siga, enquanto, como que para se vingar da humilhação sofrida, se dirige, altaneiro, ao outro jovem dizendo-lhe « E tu espera aqui! Depois tratamos do teu ingresso. Rapazinho insolente. A querer falar com os líderes. Não faltava mais nada!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois jovens ficam sós por momentos enquanto Bérnard se afasta. O do fato Armani sussurra, então, num tom de voz inaudível, ao outro:&lt;br /&gt;«Que desfaçatez a dele...Tratar-Te por Tu! E num tom de tal arrogância! Bem Te avisei, Meu Caro, que não conseguirias. O Teu Mundo é já mais meu do que Teu. Para que queres Tu o poder, se não o sabes exercer da única forma a que sabem obedecer?»&lt;br /&gt;O destinatário das suas palavras olha-o com tristeza e brandura e responde-lhe:&lt;br /&gt;«Afasta-te de mim, tentador. Não conheces os Meus desígnios nem alcanças os Meus fins. E nunca a Humanidade será tua»&lt;br /&gt;Lúcifer solta uma gargalhadinha trocista e, preparando-se para entrar, responde-lhe:&lt;br /&gt;«Então até já, Meu Caro. Vê-mo-nos mais logo...quando me estiveres a servir à mesa...»&lt;br /&gt;E rindo novamente em tom de escárnio, passa a porta da entrada sob o olhar atemorizado de Bernard, que ,com vénias e adulações, lhe vai indicando o caminho a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de introduzir o convidado importante no edifício, Bérnard consegue, enfim, ultimar também os procedimentos que permitirão ao jovem e renitente interlocutor iniciar o seu trabalho na cozinha. Não sem antes lhe manifestar o desagrado pela sua actuação e lhe garantir que, da mesma, seria dado posterior conhecimento à sua entidade patronal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem é recebido pelo Chefe de Mesa que, pacientemente, lhe vai explicando os procedimentos e formalidades a que terá de obedecer, bem como enumerando os pratos que irão ser servidos e a ordem pela qual deverão ser apresentados. Parece, porém, distante e preocupado, pelo que se surpreende duplamente quando o seu recente discípulo o interpela:&lt;br /&gt;«Vejo que pareces apreensivo. Há algo em que possa ajudar-te?»&lt;br /&gt;«Receio bem que não.» responde-lhe o Chefe de Mesa com um suspiro prolongado. «O meu filho está gravemente doente. Foi-lhe diagnosticado um linfoma. Não sabemos quanto tempo de vida, mais, terá.»&lt;br /&gt;«Não te amofines. Amanhã, ao retornares a casa, encontra-lo-às de boa saúde.»&lt;br /&gt;O Chefe de Mesa olha-o entre o surpreendido e o desagradado. Brincará com ele e com a sua desgraça? Porém, não tem oportunidade de lhe retorquir, uma vez que, quando se encontra prestes a fazê-lo, é dado o sinal de início de serviço e todos se preparam para cumprir a sua missão naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala, Lúcifer instalou-se entre dois Chefes de Governo e, entre uma garfada e outra, vai-lhes explicando as vantagens do recurso ao crédito e de como as pessoas precisam de consumir indiscriminadamente para se sentirem felizes e preenchidas, ainda que isso implique um determinado nível de endividamento.&lt;br /&gt;«Não há nada mais favorável do que a especulação financeira, meus caros. Para além do que, não consigo, na verdade, perceber, todo o alarido que se tem gerado em torno desta crise. Afinal, ela é de facílima resolução. Corta-se nos salários e aumentam-se os impostos et...voilá.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entediado, o Primeiro Ministro vai assistindo às conversas que vão decorrendo ao seu redor. O tempo urge e  ele pretende regressar com brevidade ao seu País a fim de adoptar as medidas que entende necessárias ao progresso dos seus concidadãos. Tem recebido inúmeras pressões para resolver o desequilíbrio orçamental pela via do corte da despesa e sabe que terá de o fazer, apesar de, pessoalmente, não concordar com a solução. A observação e as leituras que tem vindo a fazer da história do seu País tem-lhe demonstrado que os erros cometidos por uns poucos acabam sempre por prejudicar e recair sobre a maioria e isso não lhe parece ser correcto nem justo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, aquela Cimeira está a desiludi-lo por vários factores, entre os quais, o mais grave lhe parece ser uma certa cegueira e obstinação que aparenta ter dominado todos os presentes. E aquele recém chegado banqueiro também não lhe inspira qualquer confiança. Há, em torno dele, uma aura negra e desconfortável que apenas ele parece ter detectado, pelo que tem evitado encontrar-se a sós com ele, apesar das inúmeras tentativas de aproximação que lhe fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bocejando, o Primeiro Ministro pousa o guardanapo na mesa e prepara-se para ir, pela enésima vez, à casa de banho. Talvez se se ausentar novamente o tempo flua com mais celeridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então, quando se encontra a atravessar o corredor, que ele o interpela, chamando-o pelo nome:&lt;br /&gt;«Desculpe. Conhecemo-nos, jovem? Não me recordo de si...mas sou péssimo fisionomista. E, nestas funções, falamos com tanta gente...»&lt;br /&gt;«Claro que me conheces. Falas comigo várias vezes ao dia. E, por isso, achei que seria contigo que deveria falar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Primeiro Ministro fica atemorizado. Tratar-se-à de algum lunático? Pensa em chamar a segurança, mas há um brilho de bondade no olhar daquele jovem que o faz escutar, curioso, aquilo que ele pretende dizer-lhe:&lt;br /&gt;«Só tu podes inverter o rumo das negociações. Tens de os persuadir, de lhes explicar. A economia só é válida quando é posta ao serviço do bem estar e da prosperidade das populações e não de uma pequena minoria. Não faz sentido que se equacionem conceitos abstractos e se debatam fórmulas matemáticas enquanto existirem seres humanos a padecer de fome e de frio. Qualquer medida que implique a miséria humana não é uma boa medida.»&lt;br /&gt;«Se dizes conhecer-me, meu jovem, e se tens acompanhado a minha actuação, bem sabes que é assim que penso. Temo, no entanto, desiludir-te. O meu País não é poderoso nem influente e, embora gozando de uma prosperidade relativa, receio bem não poder determinar o rumo dos acontecimentos em toda a Europa.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem coloca-lhe a mão sobre o ombro e sorri e, pela primeira vez, o Primeiro Ministro tem a nítida sensação de o conhecer e um tremor de comoção percorre-lhe o corpo enquanto o mira com os olhos arregalados de espanto. Será possível?!&lt;br /&gt;«Todos nós podemos exercer a nossa influência, filho. Nem que seja propagando o que entendemos ser melhor para o bem dos povos. Não te esqueças disso, não desanimes e, acima de tudo, não desistas de cumprir o teu papel. Foi isso que vim cá, hoje, transmitir-te.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Primeiro Ministro ainda tenta reter mais algum tempo o seu interlocutor, mas este afasta-se pelo corredor até se diluir na penumbra. Emocionado e tremente, permanece ainda encostado à parede durante algum tempo, enquanto as lágrimas lhe afluem aos olhos e consegue, ainda pronunciar:&lt;br /&gt;«Para onde vais, Senhor?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3832404970457239485?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3832404970457239485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3832404970457239485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3832404970457239485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3832404970457239485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/um-conto-de-natal-dois-visitantes.html' title='Um Conto de Natal - Dois visitantes inesperados'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2873225325674742170</id><published>2011-12-14T10:51:00.005Z</published><updated>2011-12-14T13:25:55.520Z</updated><title type='text'>Falta de chá</title><content type='html'>Vivemos uma época de crise. Porém, a mais grave das decadências não tem carácter económico ou financeiro. Tem dimensão moral. Ora, as duas situações não podem deixar de estar interligadas. Porque a falta de valores, adicionada à ausência de princípios éticos na condução de entidades públicas e privadas, foi, em grande parte, o que nos conduziu até à encruzilhada em que nos encontramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos uma época de crise económico-financeira. Mas também uma crise de valores e de princípios. De desconsideração pelas pessoas enquanto entidades individuais dotadas de espírito e sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionava, há alguns dias, alguém, se seria possível distinguir-se entre um político ou um empresário enquanto entidade privada actuando na sua esfera íntima e essa mesma pessoa na sua actuação pública. Não. Não é possível. Seria o mesmo que pretender distinguir a Olívia Empregada da Olívia Patroa, como se fez, há anos, numa conhecida rábula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém é destituído de princípios e valores, carácter e integridade, nas suas relações ou negócios privados, sê-lo-á também, inevitavelmente, quando chamado a exercer uma causa pública. Um ladrão é sempre um ladrão, esteja onde estiver, assim como uma pessoa que não considera os sentimentos dos outros terá a mesma conduta, numa situação pessoal, profissional ou política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os valores (ou falta deles) são-nos inerentes enquanto pessoas, fazem parte intrínseca da nossa personalidade, que, em parte nos foi transmitida geneticamente, e, noutra parcela, nos foi incutida por quem nos formou e educou. Tal e qual como a grosseria, a desconsideração e a falta de educação. Quem não tomou chá em pequeno dificilmente lhe sentirá os efeitos depois de adulto. A não ser que seja uma pessoa bem formada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quando à falta de postura e de educação, se adiciona a falta de valores e de carácter, não há chá que sirva de cura, nem torradinhas que constituam paliativo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2873225325674742170?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2873225325674742170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2873225325674742170&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2873225325674742170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2873225325674742170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/falta-de-cha.html' title='Falta de chá'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4859420625705791133</id><published>2011-12-11T09:53:00.005Z</published><updated>2011-12-11T10:33:01.824Z</updated><title type='text'>Cunha e meritocracia</title><content type='html'>Da leitura de jornais, efectuada este fim de semana, destaco, desta feita, o artigo de Maria Filomena Mónica no "Expresso" deste Sábado.E por duas ordens de razão: a primeira, porque a autora manifesta uma dose considerável de bom senso e coragem ao abordar um tema de que, raramente, se fala em Portugal. A segunda porque se trata, efectivamente, de matéria pertinente, quanto mais não seja pelo facto de, sendo raramente abordada de forma expressa, estar imanente ao nosso dia a dia, de forma palpável e notória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, para quem não leu, do tema da meritocracia (entenda-se, da sua falta, no País) e da prática, generalizada, em instituições públicas e privadas, daquilo a que vulgarmente se chama "política da cunha" e que alguns inquéritos recentes vieram demonstrar que, não só não é mal vista, como é encarada pelo comum cidadão português como uma forma normal de actuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grave, meus senhores, muito grave. E com consequências e repercussões fatais para o País. A falta de escolha dos melhores, em cada área, conduziu já a que a falta de visão de políticos e empregadores (bem como, de quem os aconselha e informa de perto)conduzisse o País ao descalabro com as consequências, para todos nós, que se conhecem. E convém, igualmente, não esquecer, que a cunha está nos primórdios e nas origens, sendo uma forma aligeirada, de corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que é facto, é que este é um fenómeno com que convivemos todos os dias e que encaramos com mais ou menos desagrado, mais ou menos revolta. E se, no sector privado, ele acaba por ser regulado pela necessidade de obter lucros e proventos (nenhuma empresa privada deseja contratar inúteis, pelo simples facto de que, quem a gere, administra, ou comanda, tem de apresentar resultados positivos no fim do ano, pelo que estas situações, que sabemos que, também, aqui, existem, são, apesar de tudo, excepção) já no sector público o despautério é absoluto atingindo foros de ilegalidade vergonhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais grave é que não deveríamos, de forma alguma, encarar a situação como desculpável, dado que se trata, aqui, do dinheiro de todos nós, dos nossos impostos, do nosso sacrifício. Porém, assistimos, perplexos, e de forma constante, a nomeações de pessoas para lugares nos quais não farão mais do que passear a sua ignorância e a concursos que, de isentos ou imparciais, têm muito pouco e cujo resultado já é conhecido ainda antes do lançamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações há, mesmo, que revestem uma tal gravidade que poderiam ser consideradas do foro criminal. E, contudo, se nos atrevemos a denunciá-las ou até, mesmo, apenas, a criticá-las em voz alta, somos nós que parecemos os criminosos porque não nos estamos a deixar absorver pelo sistema (que tudo engole), o qual tratará de nos apelidar de invejosos e intriguistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos deixemos, contudo, intimidar. Porque enquanto alguém gritar bem alto contra este estado de coisas e se rebelar, continuará a existir esperança. Na mudança e no aperfeiçoamento das nossas instituições. E, também, das nossas pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4859420625705791133?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4859420625705791133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4859420625705791133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4859420625705791133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4859420625705791133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/cunha-e-meritocracia.html' title='Cunha e meritocracia'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4579617824665278956</id><published>2011-12-10T09:43:00.003Z</published><updated>2011-12-10T10:26:36.040Z</updated><title type='text'>A última dádiva</title><content type='html'>Hoje ele passou com ela à tua porta. Como se pretendesse provocar-te ou aviltar-te. Conseguiu, tão somente, causar-te dor. Uma dor aguda e insuportável, semelhante à que sentirias caso alguém te espetasse uma adaga em pleno peito.A dor que se sente quando alguém a quem entregámos toda a nossa vida, nos esquece e enxota da sua, como se não fôssemos mais do que a poeira de Verão que afastamos com a mão ao passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte anos! Durante vinte anos foste a segunda mulher da vida daquele homem, sempre relegada para segundo plano, constantemente colocada de parte nos momentos importantes da sua vida, eternamente afastada das suas comemorações ou desesperos. Acalentaste durante intermináveis meses e anos a expectativa de vires, um dia, a ser a eleita, de que ele optasse, finalmente, pela tua dedicação e entrega ilimitada, de que reconhecesse a tua fidelidade e adoração e as premiasse com o seu reconhecimento público e oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como te enganaste! Mal a legítima cerrou os olhos (dizem as mulheres da vizinhança que foi vítima de uma doença incurável, mas tu estás convicta que foi ele que a matou, com a sua frieza e maldade) tratou de se amantizar com uma miuda ainda praticamente de cueiros, três décadas mais jovem do que ele, deixando-te desamparada e desgostosa, e mais só e triste do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miras agora, da tua janela, a ingratidão e desfaçatez com que ele passa à tua rua, como que a exibir-te, de forma despudorada, a sua felicidade. E decides que não há-de continuar a troçar de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparaste tudo cuidadosamente. Compraste, na mercearia mais próxima, o produto que o respectivo dono te assegurou ser da máxima eficiência e qualidade, preparaste, com o empenho costumeiro, o seu bolo favorito, apenas acrescentado, desta feita, de um ingrediente diverso e traiçoeiro e telefonaste-lhe, com a voz simuladamente embargada pelas lágrimas, dizendo-lhe que lhe queres fazer um último agrado, ofertar-lhe um último mimo, derramar sobre ele o teu amor uma derradeira vez. E ele, claro está, ufano do poder que ainda exerce sobre ti e vaidoso da emoção que ainda te inspira, acede a visitar-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recusa, no entanto, logo ao chegar, os teus carinhos, dos quais usufruiu e que consumiu gulosamente tantas e tantas vezes. Envelheceste e perdeste encantos e apelos, mas ele não ficará a rir-se do vazio em que transformou a tua vida. Nem um filho tiveste à conta da tua dedicação irracional àquele tratante. Nem um!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serves-lhe, portanto, juntamente com um cálice de Porto, e no serviço de porcelana que ele te ofertou, a última fatia da tua dedicação, entrega e azedume, sabendo que o efeito não tardará a fazer-se sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o vês começar a estrebuchar agarrado à garganta, o rosto arroxeado a contrair-se de dor, ainda consegues simular (porque de sentir já não foste capaz)um esgar de pena ou compaixão, enquanto ele te dirige, aterrado, o último olhar da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, que arrumas, como a dona de casa diligente e prendada que sempre foste e ele nunca quis reconhecer, a louça nos armários da cozinha e miras o teu rosto envelhecido ao espelho uma última vez, retocando o bâton e a base, ouves, finalmente, as sirenes dos carros da polícia a aproximar-se e sorris. Chamaste-os há mais de um quarto de hora e só agora chegam. Terias tido tempo, se assim o desejasses, de fugir, de partir, com a tua solidão, para longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca o farias. Recusas-te a deixá-lo só. E, enquanto atravessas a sala em que jaz o seu corpo inerte, dizes-lhe ao ouvir as fortes pancadas que se fazem ouvir na porta de entrada:&lt;br /&gt;«Eles já chegaram filho. Não te preocupes que isto já está quase a acabar.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4579617824665278956?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4579617824665278956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4579617824665278956&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4579617824665278956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4579617824665278956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/ultima-dadiva.html' title='A última dádiva'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2222780924633139173</id><published>2011-12-04T23:42:00.004Z</published><updated>2011-12-05T00:05:33.763Z</updated><title type='text'>Perdida em ti</title><content type='html'>Meu Querido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-te agora porque se me torna imperioso verter em palavras o que sinto e bem sabes que não conseguiria escrever a mais ninguém, por muito que o tentasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revi hoje, ansiosamente, e cheia de expectativa, toda a correspondência que trocámos. E tornou-se tão nítida, tão clara e tão evidente a tua fuga! Olhei-a, ali, expressa nas tuas palavras cheias de subterfúgios e desculpas e embaraços e não consegui surpreender-me. Porque, no fundo, constatei apenas aquilo que há muito já sabia mas nunca quis perceber. Não te levo a mal, nem te censuro. Compreendo e acho legítimas as motivações que te incitaram a afastar-me, precipitada e rudemente, do teu caminho já tão repleto de provações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, é preciso que saibas. Que nada do que fizeste ou destemperadamente (como é teu tom) afirmaste, afastou de ti o meu imenso amor e a minha profunda dedicação. Não te digo isto para que sofras ou te recrimines. Não. Digo-to, apenas, para que o saibas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me encontraste (bem o sabes) eu jazia num sofrimento indizível e numa prostração irremediável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foste tu (como te adoro!) que, com a tua insana vontade de mim, me devolveste a dignidade que eu perdera, a alegria que pensara não poder retomar e a vontade compulsiva de escrever que me levou a retirar da gaveta do esquecimento o romance há muito iniciado. Tenho, pois, muito a agradecer-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria, no entanto, que soubesses, também, que é sincera e verdadeira a preocupação que, a teu respeito, carrego sempre comigo. O receio que te percas no precipício em que gostas de apostar a tua vida, e que acabes por sucumbir aos vícios a que te entregas, nas tuas próprias palavras, por não lhes conseguires resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sei que, por vezes, sou maçadora e insistente como uma beata de Igreja. Mas tu, és, também, empedernido e teimoso como os rochedos da falésia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu querido: aceito e compreendo as tuas motivações. Vi-as nitidamente expressas no teu olhar no dia em que nos despedimos. Continuo a vê-las em cada letra que me escreves, propositadamente agressiva e distante e temerosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceita, tu também, o meu amor. Não o negues, nem o temas. Constata-o apenas, da mesma forma que encaras, ao amanhecer, a presença do Sol na tua vida. E talvez, possamos, enfim, recordar sem angústias nem temores, os nossos corpos feitos suor e sal, lascivos e perdidos um no outro, na penumbra dessa tarde tão quente e tão sombria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2222780924633139173?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2222780924633139173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2222780924633139173&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2222780924633139173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2222780924633139173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/perdida-em-ti.html' title='Perdida em ti'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7775549124266458237</id><published>2011-12-03T21:20:00.004Z</published><updated>2011-12-03T21:31:29.896Z</updated><title type='text'>A vaia a Miguel Relvas</title><content type='html'>A vaia de que Miguel Relvas foi objecto no encerramento do Congresso da Associação Nacional de Freguesias deste Sábado, em Portimão, é bem demonstrativa do quanto é difícil implementarem-se verdadeiras reformas estruturais em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo pode ter errado em muitos pontos. Mas neste não. Neste está correcto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reforma da administração local, que conduzirá à extinção de algumas freguesias do País, é urgente e imperiosa, não só por motivos de natureza orçamental, mas também, porque a actual divisão administrativa do País é obsoleta e está desfasada da realidade dos nossos dias, tendo sido, em muitas zonas, efectuada de acordo com as circunscrições religiosas anteriormente existentes (e daí o facto de muitas terem absorvido o nome do Santo correspondente.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta reacção destemperada e até desrespeitosa perante um membro do Governo é também elucidativa acerca de quem compõe as bases dos nossos partidos e de quem são os nossos representantes locais. Em vez de se debater, vaia-se. Em alternativa a discutir-se, viram-se as costas. Ao invés de se ser frontal e invocar-se argumentos consistentes, grita-se e esbraceja-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja, por outro lado, sintoma de um certo clima de descontentamento e revolta que vai grassando no País, e, particularmente, no sector da Administração Pública e a que o Governo não pode ser indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que nenhum eleito se deveria comportar desta forma. E que, neste ponto, Miguel Relvas tem razão: a reforma da Administração Local é urgente e necessária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7775549124266458237?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7775549124266458237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7775549124266458237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7775549124266458237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7775549124266458237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/vaia-miguel-relvas.html' title='A vaia a Miguel Relvas'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-857687631416627773</id><published>2011-12-03T11:55:00.004Z</published><updated>2011-12-03T12:27:52.021Z</updated><title type='text'>Novos rumos para Portugal</title><content type='html'>Há que encontrar, de forma rápida e, se possível, certeira, um novo rumo para Portugal. Um rumo de prosperidade e de crescimento económico que se projecte e vá para além dos cortes orçamentais efectuados. Temos de ter noção de que estes somente permitirão resolver parte do problema em que consiste a dívida externa do Pais, mas, que se não forem adequadamente concertados com políticas de crescimento e de projecção do nosso tecido produtivo, de nada valerão, porque o défice se há-de repetir ciclicamente, como uma tragédia ou uma sina que não conseguimos ultrapassar, por falta de estratégia ou de visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos principais problemas do País, identificado por quem sabe da matéria (e que não serei, certamente, eu, que sou jurista, e não economista de formação) é a natureza do nosso tecido produtivo, que se especializou em alguns produtos, que constituem, igualmente, a base da economia dos ditos Países emergentes, como a China, ou a Índia. Não conseguimos, nos anos que nos foram concedidos para tal, elevar de tal forma a qualidade ou a especificidade da nossa produção (como a Alemanha ou a França, por exemplo, lograram fazer) de forma a podermos competir com os nossos parceiros europeus e não com as novas economias, acima das quais, nos deveríamos, já, por esta altura, posicionar. Foi um problema de falta de visão. Dos políticos e dos governantes, é certo. Mas também dos empresários e gestores. Um problema conjunto, de todos nós, que conjuntamente e unindo esforços, há que rebater e enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, nem sequer é preciso grande investimento de dinheiro ou esforço orçamental para que, no que ao Estado concerne, sejam adoptadas algumas medidas de impulsionamento ou incentivo ao tecido produtivo português. Nem só de subsídios vive a contribuição do Estado para a economia. Vive, sobretudo, da capacidade de se reinventar e de gerar formas concretas de actuação que, intervindo o mínimo possível, dêem aos privados o impulso de que estes carecem para fazer mais e melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seria tempo, por exemplo, de se reconhecer, que os elevadíssimos custos da energia e dos combustíveis só podem prejudicar quem quer contribuir para o avanço sustentado do País? E que a produção de alguns vinhos de excelência que vai obtendo reconhecimento a nível mundial, tem de ser repetido na roupa e no calçado porque não podemos nem devemos,já, concorrer com a China e com a Índia, mas de nos colocar a nível da Itália, por exemplo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque não começar a produzir a nível das novas tecnologias? Portugal tem bons valores científicos. Que vão saindo paulatinamente do País para ajudar economias externas. Porque os nossos empresários não estão vocacionados para esses sectores novos da economia. Custa assim tanto dinheiro ao Estado vocacionar e informar? Impulsionar e educar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que parar de pensar que o problema é só Europeu, e de ficar, passivamente, à espera que o espaço em que nos integramos não se desagregue. O problema é, também, estruturalmente, e antes de tudo, nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponhamos mãos à obra. Até porque são problemas que, só a médio prazo, se resolverão. Quanto mais cedo começarmos, melhor. A bem do interesse nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-857687631416627773?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/857687631416627773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=857687631416627773&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/857687631416627773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/857687631416627773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/novos-rumos-para-portugal.html' title='Novos rumos para Portugal'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6850572065203996241</id><published>2011-12-01T21:36:00.002Z</published><updated>2011-12-01T22:08:44.677Z</updated><title type='text'>Azares e compaixões</title><content type='html'>A infelicidade, o azar ou as tragédias da vida não podem constituir um factor de desculpabilização para a incorrecção, a vileza ou a maldade.&lt;br /&gt;Todos nós temos problemas e amarguras, todos nós enfrentamos (uns mais do que outros) as durezas e imperfeições da vida. Mas não é isso que nos pode ou deve isentar dos deveres de correcção, lealdade e frontalidade para quem compartilha os dias connosco.&lt;br /&gt;Quer os meus problemas sejam comuns quer anormalmente penosos, eu não os posso utilizar como subterfúgio para obter vantagens sobre as demais pessoas ou para poder comportar-me de forma errada com elas esperando que os meus erros sejam relevados com base na indulgência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se o fizer, estarei a ser cobarde e, mais do que isso, a demonstrar falta de carácter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso ter o extremo azar de ter uma doença grave ou incapacitante. E merecerei por esse facto, sem dúvida, a solidariedade e compreensão dos meus semelhantes. Mas não posso valer-me desse facto para manipular as pessoas a meu bel- prazer e tentar obter vantagens injustificadas ou recompensas que não mereço, nomeadamente, a nível laboral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso ter perdido uma gravidez muito desejada, ter um filho deficiente ou estar num processo de divórcio complicado, mas isso não me desobriga dos deveres de ser correcto, e leal para com os meus amigos. E, sobretudo, de ser honesto para com toda a gente que me rodeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actuar a meu bel prazer, mentindo, fingindo e dissimulando contando que tudo me será perdoado pelo simples facto de que tentarei inspirar pena ou compaixão é uma estratégia que, no mínimo, poderá revelar-se contraproducente e, no máximo, converter-se em desgraça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6850572065203996241?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6850572065203996241/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6850572065203996241&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6850572065203996241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6850572065203996241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/12/azares-e-compaixoes.html' title='Azares e compaixões'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3165703601039594249</id><published>2011-11-30T10:06:00.008Z</published><updated>2011-11-30T10:34:21.137Z</updated><title type='text'>Quo Vadis, Portugal?</title><content type='html'>Á hora a que vos escrevo o meu estado de ânimo é de profunda preocupação.&lt;br /&gt;Preocupação pelo meu País e pelo seu futuro.&lt;br /&gt;Por não conseguir vislumbrar uma réstia de esperança ou um caminho que se apresente digno de nos conduzir a uma realidade melhor.&lt;br /&gt;E digo-vos isto sem me considerar pessimista ou sem que pretenda ser vista como uma arauta da desgraça. Não. É com o coração nas mãos que vos escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão as medidas, fundamentais, de incentivo à economia? Sou uma leiga. Não sou especialista na matéria. Mas vou procurando ler e manter-me informada. E, das duas uma: ou não estamos a ser informados do que se está a fazer a esse nível (o que é mau)ou, então, pouco ou nada tem estado a ser preparado (o que é ainda pior). Têm vindo a ser anunciadas e implementadas várias inovações em matéria financeira (quase todas bastante penosas para os contribuintes). Porém, estarão elas a ser economicamente enquadradas e visualizadas? Se estão, ainda não me dei conta disso. E muitas das pessoas com quem falo também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo elucidativo foi o que decorreu das recentes alterações introduzidas pelo Governo à Lei do Orçamento de Estado e que, podendo ter boas intenções (não vou, sequer, colocar isso em questão), revelam, no entanto, uma ignorância primária e grosseira quanto à natureza das coisas que não pode deixar de nos aterrar. Penalizem-se os quadros da função pública. Aqueles que já ganham miseravelmente mal face ao sector privado. Mas que são os que informam as decisões mais relevantes adoptadas pelo poder político, os que têm maior responsabilidade, os que estabelecem a ponte com os Gabinetes Ministeriais, cujos Assessores, quando chegam, pouco ou nada conhecem do funcionamento da Administração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um convite, meus senhores, à saída dos melhores, aos que têm alternativa, aos que não se contentarão em ganhar o mesmo que um contínuo ou um administrativo. Porque, na prática, será isso a suceder. Vou dar-vos um exemplo concreto. Um técnico superior que trabalhe no Ministério das Finanças e tenha a seu cargo a elaboração do Orçamento. É uma tarefa de grande complexidade e responsabilidade. Pois é. Vai passar a auferir o mesmo que o contínuo que lhe tira as fotocópias ou lhe serve os cafés. Ambas as funções são dignas, não é de dignidade que se trata. É de premiar a  responsabilidade e a formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não se enganem. A ignorância e a displicência são gerais. A oposição absteve-se. Mas,segundo um dos fundadores do PS, absteve-se por respeito a José Sócrates. Sim, ouviram bem. Por respeito a um dos principais carrascos nacionais, a quem foi um dos responsáveis pelo estado da Nação. Não por motivos de ordem política ou técnica. Por respeito a Sócrates. Aguardemos a declaração de voto que a bancada do PS se prepara para apresentar para saber mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de momento, é com o coração na mão que vos falo. Porque este Governo se arrisca a ser recordado como aquele que destruiu a Administração Pública. E ela é necessária, fundamental, ao bom funcionamento de um País, goste-se ou não de ouvir esta verdade. Mas será necessária e fundamental enquanto for habilitada e empenhada. Portugal não precisa de uma Administração Pública de contínuos. Precisa de uma Administração de Quadros qualificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compara-se muitas vezes esta época com a de Mário Soares. Que se tem vindo a fazer ouvir, e de forma muito negativa, em nada contribuindo para a serenidade nacional, nos últimos tempos. Mas, com todos os defeitos que tinha e que se vão acentuando com a idade, Mário Soares era (e ainda é) um animal político. Um homem de visão e estratégia. Quem temos nós agora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quo Vadis, Portugal?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3165703601039594249?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3165703601039594249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3165703601039594249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3165703601039594249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3165703601039594249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/quo-vadis-portugal.html' title='Quo Vadis, Portugal?'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5803350292008540060</id><published>2011-11-28T21:38:00.003Z</published><updated>2011-11-28T21:56:24.662Z</updated><title type='text'>A amante</title><content type='html'>«Então, ela pensa que eu sou tua amante.»&lt;br /&gt;«Precisamente.»&lt;br /&gt;«E está furiosa contigo por causa disso.»&lt;br /&gt;«Sim. Pensa que eu a deixei por tua causa.»&lt;br /&gt;«Mas o facto é que não sou. Tenho, portanto, a fama sem ter o proveito.»&lt;br /&gt;«Não és, mas poderias ter sido.»&lt;br /&gt;«Claro. Porque decidimos que seria melhor assim.»&lt;br /&gt;«Teria forçosamente de ser assim, sob pena de a nossa relação terminar à estalada. Não me quero zangar contigo.»&lt;br /&gt;«Nem eu contigo. Então, ela pensa que eu sou tua amante e que a deixaste por minha causa.»&lt;br /&gt;«Resumidamente, sim, é isso.»&lt;br /&gt;«Hum...o facto de seres casado, no entender dela, não contribuiu em nada para isso? De teres uma mulher, filhos, uma família?»&lt;br /&gt;«Creio que não. Suponho que ela faça o seguinte raciocínio: se eu era amante dele e ele quis acabar comigo, deve ser porque arranjou outra amante.»&lt;br /&gt;«Mas não lhe disseste que amas a tua mulher?»&lt;br /&gt;«Disse, claro. Mas vocês nunca acreditam. Pensam sempre que, se um homem tem uma amante é porque não está satisfeito com o seu casamento. O que não é necessariamente verdade. Pode só querer divertir-se ou passar o tempo ou inovar...eu sei lá!»&lt;br /&gt;«E as crianças? Falaste-lhe nas crianças? Ela não se mostrou sensível à situação delas, ao facto de precisarem da presença do pai?»&lt;br /&gt;«Qual quê? Achas? Se as crianças dela sobreviveram a um divórcio, porque é que as minhas não haveriam de sobreviver?»&lt;br /&gt;«Mas não lhe abriste o jogo desde o início, não lhe disseste que não querias nada de sério nem assumido?»&lt;br /&gt;«Como é evidente sim. Mas não serviu de nada.»&lt;br /&gt;«Claro que não serviu...Sabes....as mulheres têm sempre a expectativa de que vão conseguir mudar um homem, de que serão elas aquela que os conseguirá converter à monogamia.»&lt;br /&gt;«É essa a conclusão a que também vou chegando.»&lt;br /&gt;«Por isso é que não devias meter-te nestes sarilhos!»&lt;br /&gt;«Ui! Também tu, tiraste hoje o dia para me massacrar?»&lt;br /&gt;«Não. Sou tua amiga, lembras-te? E, olha: há quanto tempo se encontravam vocês?»&lt;br /&gt;«Há mais de um ano.»&lt;br /&gt;«E ela não conhece as estatísticas?»&lt;br /&gt;«Quais estatísticas?»&lt;br /&gt;«Aquelas que demonstram que o tempo joga a desfavor dela e a favor do casamento e que, se não pediste o divórcio nos seis primeiros meses, já não pedirás?»&lt;br /&gt;«Bolas...ainda bem que optámos por ficar amigos. Creio que tens conhecimentos em demasia.»&lt;br /&gt;«Então...se ela pensa que foi por minha causa que a deixaste e ambos sabemos que isso é mentira...qual foi a razão verdadeira?»&lt;br /&gt;«Se te disser, vais passar o dia a aborrecer-me.»&lt;br /&gt;«Juro-te que não. Palavra de escuteira.»&lt;br /&gt;«Porque me enfadei, aborreci-me, estava farto. Aquilo era como um casamento, percebes? Rotineiro, programado, enfadonho. Mas um casamento não se pode abandonar sem consequências. Há responsabilidades assumidas em conjunto, existem os filhos. Ora eu tenho um casamento, caramba! Não preciso de dois nem de três.»&lt;br /&gt;«Então, ela pensa que eu sou tua amante.»&lt;br /&gt;«Hum, hum...»&lt;br /&gt;«Bem...tens então uma boa desculpa. Brindamos a isso?»&lt;br /&gt;«Brindamos.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5803350292008540060?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5803350292008540060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5803350292008540060&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5803350292008540060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5803350292008540060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/amante.html' title='A amante'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4560194198032396516</id><published>2011-11-26T09:59:00.004Z</published><updated>2011-11-26T11:04:36.561Z</updated><title type='text'>Amores de Perdição</title><content type='html'>Não é fácil falar de amor num tempo de perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tempo tecnológico, rápido e febril, de relações à distância e sem contacto físico, em que o teclado substituiu o abraço e os cliques numa mão artificial com o polegar elevado os habituais gestos de afecto e proximidade. Estamos mais perto, mas também, e em simultâneo, mais longe, fechados sobre nós próprios, isolados no nosso interior, a depositar esperanças e medos e expectativas em quem só conhecemos através da intermediação de cabos eléctricos de rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase ridículo falar-se de amor nesta época de individualismo, em que carecemos de disponibilidade, até para os que nos são mais próximos, e em que, por isso, as relações tendem a fluir nos sítios mais desadequados, ou no meio laboral, por força do convívio diário de muitas horas, ou então, de forma ainda mais desajustada, com pessoas a quem nem sequer vimos, por uma vez, o olhar e com base apenas na ideia que ela nos transmite à distância, através de meios que nem sempre serão os mais certeiros a podermos ajuizar de quem se trata, realmente, quem connosco comunica de forma automática, mas não presencial, por intermédio do computador. &lt;br /&gt;E a quem, por isso mesmo, não podemos detectar trejeitos, expressões faciais, formas de pronúncia ou gestos mais ou menos abrangentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ontem alguém me dizia, mais ou menos isto: «Gosto tanto do que escreve. Parece uma pessoa tão doce. Queria tanto falar consigo.» Assim, com base em algumas fotografias e em tantas outras palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço, já, casais que se conheceram através da Rede. Em salas de chat como quem se conhece num café ou num cinema. Casais com filhos e uma vida alicerçada em muitos anos de convívio. Que hesitam em revelar a toda a gente como começaram a falar um com o outro porque receiam o peso da censura e julgamento alheios. É uma forma como qualquer outra de encetar conversa. E as pessoas têm o direito de se relacionarem da forma que entenderem. Desde que estejam ambos de acordo, tudo é lícito e permitido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso apenas que, como, aliás, deve ser feito em qualquer tipo de relação, se seja honesto, sincero e linear, não se criando expectativas infundadas nem desejos que não se irão concretizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, por mim, que sempre fui frontal e directa, prefiro logo a peremptoriedade de um não e esclarecer de imediato que não vale a pena estabelecer contacto pessoal porque não me parece que, no caso em concreto, ele deva vir a existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4560194198032396516?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4560194198032396516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4560194198032396516&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4560194198032396516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4560194198032396516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/nao-e-facil-falar-de-amor-num-tempo-de.html' title='Amores de Perdição'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2603137776252132218</id><published>2011-11-24T22:14:00.003Z</published><updated>2011-11-24T22:36:33.201Z</updated><title type='text'>Atravessada no meu coração</title><content type='html'>Certo dia, quando era, ainda, criança, ouvi alguém dizer que aqueles a quem amamos nunca partem verdadeiramente enquanto os recordarmos  e tivermos a capacidade de os manter vivos dentro de nós. Creio, porém, que é impossível apreender o sentido de certas palavras enquanto o significado delas não se materializa diante de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiste há 8 anos. E embora a dor da tua perda se tenha atenuado no meu interior e o sofrimento não seja já lancinante como nos meses subsequentes à tua ida, e tenha sido apaziguado pelo tempo, esse senhor curador de todos os males e desgraças, permaneces ainda viva no interior de mim, que te ama como outrora e guarda as tuas recordações como um dos seus maiores tesouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avó. Avozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles a quem amamos não têm idade e nunca são suficientemente velhos para partirem. E nunca estamos preparados para os perder. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contigo aprendi a ser aquilo que hoje sou e quando cometo um erro ou dou um passo em falso não consigo evitar pensar se me censurarás muito, lá de onde sei que ainda me podes ver e seguir o meu percurso com atenção e interesse. Sabes? Em muitos aspectos ainda não cresci. Ainda sou a criança de caracóis loiros a quem repreendias por passar demasiado tempo no jardim porque uma menina se queria recatada e dentro de casa logo desde a mais tenra idade. E era preciso que eu aprendesse a bordar em vez de me ocupar a subir às árvores para onde os primos me arrastavam, incautos, pela tarde fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho algo a confessar-te: creio que os teus esforços de fazeres de mim alguém perfeito falharam, mas incutiste-me, pelo menos, a tua bondade e pureza de espírito e creio que nunca será demais agradecer-te por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do quanto vibravas com as histórias dos meus namoros juvenis, de que te fiz confidente e depositaria, bem sabendo que nunca me censurarias e que poderia sempre contar com o teu apoio cúmplice face à mãe, a quem também amavas perdidamente, como me amaste a mim. E recordo-me de ouvir encantada as histórias do teu namoro com o avô, que deve ter ocorrido no tempo dos contos de fadas porque creio que hoje em dia já raramente se ouvem relatos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardo no pensamento a mágoa de não teres conhecido o meu filho e de ele não ter usufruído do teu colo acolhedor e terno assim como não sofreste as suas inquietudes e traquinices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tenho para sempre na memória as palavras que me disseste, segurando-me a mão,quando te forçaram a ir: «Parto. Mas levo-te atravessada no meu coração.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu respondo-te agora da mesma forma que to disse então: «E eu fico. Mas também tu permanecerás atravessada em mim.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2603137776252132218?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2603137776252132218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2603137776252132218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2603137776252132218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2603137776252132218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/atravessada-no-meu-coracao.html' title='Atravessada no meu coração'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5668487865181618689</id><published>2011-11-24T10:10:00.003Z</published><updated>2011-11-24T11:18:03.790Z</updated><title type='text'>Escrever sobre ti</title><content type='html'>«Não podes mesmo arranjar outra fonte de inspiração?» dizes-me tu, do outro lado da mesa, com o teu semblante de eterno menino traquina a mirar-me de lado em tom de censura, enquanto sorves o sumo de tomate com a mesma gula com que pretendes engolir a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, tentando acentuar o ar dócil e angelical com que Deus quis enfeitar-me a fronte, talvez para tentar contrabalançar a crueldade e firmeza com que me erigiu interiormente, respondo-te em tom teatral:&lt;br /&gt;«Impossível. Tudo o que escrevo e reflicto e desenho e cogito é por ti e para ti. De ti tudo me provém e para ti tudo converge. Não reparaste que apenas me pude retomar quando te conheci? E bem sei que lês tudo quanto escrevo porque sempre me respondes, de uma forma ou de outra e das mais diversas maneiras, na nossa estranha e distante maneira de comunicarmos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«É impossível não te ler. Porque tudo quanto escreves é para mim. É maléfico da tua parte fazê-lo. Não percebes o quanto é tremendo rever-me em cada frase, encontrar cada palavra que te disse escrita para que todos a leiam, reconhecer o meu corpo nu, que esculpiste em cada tecla premida, no afã de me conheceres melhor?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E ainda não leste o livro. Quando o leres perceberás. Que és tu a própria essência da história que pretendo contar, da mensagem que conseguirei transmitir, da substância que de ti guardei para sempre. Não fiz de ti personagem. Dilui-te por todas as figuras que criei, entregando a umas a tua bondade, a outras o teu desespero e a outras, ainda, o quanto de cruel e pérfido existe em ti. Para que em cada uma te revejas e de nenhuma delas possas escapar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Diz-me: porque me odeias tanto? Bem sabes que nunca foi minha intenção magoar-te, que nunca quis fazer-te mal. Foste tu que insististe para que viéssemos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Mas eu não te odeio, meu querido. Muito pelo contrário. Adoro-te. Pois se és tu a fonte onde bebo toda a minha inspiração, toda a minha alegria e desventura.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não digas isso. Não te quero ouvir dizê-lo. Não me conheces o suficiente para me adorares. Adoras alguém que não existe e a quem atribuíste a forma do meu corpo e a sombra do meu olhar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Enganas-te. Adoro-te, sim. Com todos os teus defeitos e imperfeições, com todas as tuas falhas e asperezas. E queria tanto ajudar-te a ser melhor. Assim como tu me ajudas em cada dia a superar-me e a escrever de forma mais perfeita. Adoro-te como adoro o Sol que me alumia, mesmo sabendo que, por vezes, ele se excede no calor que me dá e nos raios com que me cobre e pode magoar-me. Adoro-te como adoro o Mar em que me perco, mesmo não desconhecendo que, se me entregar totalmente a ele, não hesitará em arrastar-me e diluir-me num trago do seu abraço cruel.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não mudarei, bem o sabes. Sou como sou. De nada adianta tentares convencer-me ou corrigir-me. Permanecerei sempre perene nos meus erros e consistente nas minhas imperfeições.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tu não percebes. És brilhante e enorme na tua grandeza e é profunda a minha admiração por ti. Mas, depois, de repente...».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Enganas-te. Tu é que não entendes. Elas são simples, e boas e humildes e talvez por não me compreenderem ou não abrangerem totalmente a realidade de mim, admiram-me e veneram-me sem capacidade crítica ou hesitação...e é tão bom que assim seja.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tens razão. Mas porque usaste comigo a mesma argumentação que despendes com elas? Isso nunca te perdoarei. Deverias, desde logo, ter notado a diferença.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não pude. Estava demasiado ocupado a perder-me no céu dos teus olhos. E agora que já protestaste e que há muito foi ultrapassado o obstáculo da intimidade...podemos ficar sozinhos outra vez?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Claro. Deixa-me só terminar o texto e já continuamos a conversa a sós.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«És tão chata. Não me apetece nada conversar...»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5668487865181618689?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5668487865181618689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5668487865181618689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5668487865181618689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5668487865181618689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/escrever-sobre-ti.html' title='Escrever sobre ti'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6918618593774776773</id><published>2011-11-23T15:58:00.005Z</published><updated>2011-11-23T17:03:24.992Z</updated><title type='text'>Uma questão de tamanho</title><content type='html'>Ela tem os seios grandes e as ideias pequenas e observo apatetada como esse simples facto te parece impressionar. E, como se não bastasse tê-los grandes, ainda se presta a exibi-los despudoradamente, como se regateasse a imagem da mesma forma que uma varina regateia o pescado no mercado: de forma exuberante e notória, sem preconceitos nem vergonhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o mínimo sentido da dignidade ou da decência - atiro-te eu, moralista e enfadonha. E tu, mais para me provocares e aborreceres do que para te mostrares convicto, tratas logo de me contrariar, dizendo: «Pois eu gosto de mulheres assim. Despreocupadas e alegres. Porque não existe qualquer motivo para que o não sejam.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amuo e volto à carga: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E se ela fosse casada contigo?»&lt;br /&gt;«O facto é que não é...»&lt;br /&gt;«Mas e se fosse?»&lt;br /&gt;«Se fosse, comprar-lhe-ía umas roupinhas mais na moda»&lt;br /&gt;«Estás a ver? És um machista. Mas o que vês tu em tal espécie de gente?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou ofendida contigo e tu tens noção perfeita disso. E, divertindo-te com o meu aborrecimento, continuas a gracejar, aviltando-me com a tua troça:&lt;br /&gt;«Ela é boa. Não percebes?»&lt;br /&gt;«O que queres dizer com isso? Que, se puderes, lhe saltas em cima?»&lt;br /&gt;«Precisamente.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me de um salto e esganiço-me na defesa da moral e dos bons costumes, bem como dos sentimentos profundos da senhora em questão, que te aprestas a ferir sem qualquer consideração.&lt;br /&gt;«Não sejas tonta. Ela não é igual a ti. É mais parecida comigo do que contigo. Tem antes pena de mim...» - argumentas, com o mesmo sorriso irónico que já não suporto encontrar-te mais no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Diz-me então uma coisa...» - atiro-te eu, incomodada já pela tua aparente indiferença - «se me amasses muito, muito, muito, como nos livros, nos filmes ou na telenovela mais antiquada e lamechas que possas imaginar...ainda assim poderias querer saltar-lhe em cima?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, antecipando já a minha reacção, baixas o rosto para ocultar um sorriso demolidor que te contém a gargalhada prestes a eclodir e, quase num murmúrio, respondes:&lt;br /&gt;«Claro que sim! Uma coisa não tem nada a ver com a outra»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eu perco a calma e solto a raiva e, pegando com ar de extrema ofensa na mala pousada na cadeira, abandono-te ao teu riso e à tua dor, às tuas perplexidades e frustrações e saio porta fora com violência, a pensar, aturdida, que tenho com urgência de adquirir mais uns livros de psicologia masculina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6918618593774776773?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6918618593774776773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6918618593774776773&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6918618593774776773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6918618593774776773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/uma-questao-de-tamanho.html' title='Uma questão de tamanho'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1237240306080496280</id><published>2011-11-22T19:27:00.003Z</published><updated>2011-11-22T19:52:26.207Z</updated><title type='text'>Esquecer</title><content type='html'>Hoje sei que nunca te conheci. Que todas as horas, dias, meses e anos passados a teu lado não foram mais que desperdício e náusea antecipatórios da desgraça que eu não podia supor porque nunca te soube tal como na verdade eras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, basta-me estar num local, ou segurar num objecto, ou ter a simples visão de algo que amámos em conjunto, quando ainda éramos um só, e nada nem ninguém nos poderia separar, para que tudo retorne em catadupa a mim. E para que eu me questione, aturdida e massacrada pela minha própria existência, sobre como é possível esquecer-se em meses mais de uma década de episódios e ocorrências, bons e maus, esfuziantes e sofredores, lacrimejantes e eufóricos. Porque foi assim que prometemos, não foi? Ou terá tudo sido objecto da minha ilusória imaginação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo, bem o sei, em que fui tudo. Em que a vida não existia sem mim. Tu não existias sem mim. Em que os telefonemas constantes me maçavam pelo excesso e pelo exagero, em que as atenções me pareciam demasiadas, em que o satisfazer das minhas vontades era quase constante e automático. E eu, que nunca tinha amado antes e que desconhecia as traições do tempo, do afastamento e da rotina, julguei que o teu amor seria meu e imutável e constante para sempre. Porque prometeste, lembras-te? "Todos os dias da nossa vida". E ainda estamos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que, depois, me apercebi que o amor não permanece imutável como a pedra da casa em que ele mora. Que não eras já o meu desejo de todas as horas, que outros rostos e corpos me atraíam na plenitude da sua novidade e na promessa de novas aventuras. E pensava (tantas vezes) em como seria sair de debaixo da tua alçada, libertar-me do poder do teu comando, experimentar novos mundos e emoções. Pensava, apenas. Porque nunca seria capaz de ir mais além, sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um dia tu, subitamente, sem que eu esperasse, disseste-me "não venhas". Tu, que constantemente reclamavas a minha presença e pedias a minha comparência disseste-me "estou cheio de trabalho. É melhor não vires". E eu percebi. Porque é inevitável perceber-se a morte de algo que conviveu connosco tantos anos. E, não o suportando, mandei-te sair da minha vida, talvez porque não tivesse notado que há meses que saíras e que era apenas o teu corpo que continuava presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, parada em frente à prateleira dos filmes de investigação que víamos em conjunto a comer bolachas inglesas e a sorver golos de licor, de mãos dadas porque era impensável que elas não se unissem quando estávamos sentados lado a lado, esqueço-me por momentos de que já não estás e penso que te devo ligar a avisar que já saiu a última série. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, quando estou prestes a premir o número, recordo-me. Que já não estás. Que me feriste de morte. E que morreste também. E guardo o telemóvel com a nitida e angustiante sensação de que ainda não esqueci. Como se esquecem 12 anos em seis meses? Tenho de te perguntar. Mais uma vez, é imperioso aprender contigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1237240306080496280?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1237240306080496280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1237240306080496280&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1237240306080496280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1237240306080496280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/esquecer.html' title='Esquecer'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7265254102947627538</id><published>2011-11-21T21:49:00.003Z</published><updated>2011-11-21T22:28:01.450Z</updated><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>Hoje o Inverno chegou, enfim, ao meu interior, meu querido, e eu soube que era altura de partir para longe de ti. Todos os meus órgãos gelam e se tornam hirtos perante a tua óbvia insensibilidade, a tua crueza, a tua indiferença e desamor. E sinto crescer dentro de mim a neve e o vento que acompanham sempre o Senhor do Frio e, juntamente com eles, insinua-se na minha alma (perdoa-me!) um crescente desprezo por ti. Pelo que tens de superficial e de aparente, de fingido e de leviano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazes-me lembrar, subitamente, aqueles móveis baratos que certas lojas vendem sob uma capa de extrema opulência e que conseguem impingir a clientes menos entendidos mas endinheirados, os quais hão-de constatar, mais tarde, que, ao mínimo risco, surgirá o placado artificial a demonstrar que não estão perante mogno ou carvalho maciço mas sim confrontados com uma imitação barata de madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim és tu, meu querido. Um móvel de imitação, requintado e distinto na aparência, mas feito de placado sobreposto na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso imperioso que me retire em definitivo da tua vida. E, com um sorriso trocista no olhar, mas o veneno do desgosto a corroer-me a alma, abro a minha mala de infortúnio e coloco lá dentro novamente a minha esperança, o meu amor e a minha fé, que um dia te entreguei, mas que perdeste, descuidado, pelas ruas, por não seres provido de suficiente responsabilidade para os acarinhar e cuidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobro-os com cuidado para não os romper ainda mais do que já estão, gastos e sujos de tantas e tantas jornadas, retalhados pelo vento e pela brisa marítima, trucidados pelo ar da serra e por todos os caminhos e veredas por onde andei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho então a mala e, puxando-a com o impulso de uma coragem que não sei onde encontrei desta vez, arrasto-a novamente pela estrada, e, mirando, um último instante, a tua figura recortada contra a ténue luz da tarde de Inverno, sussurro, sem que me ouças:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Então, adeus, meu caro e até nunca. Não tornarei a confiar-te a minha bagagem. Antes entregá-la ao árido Sol do deserto ou ao Vento furibundo de Outono. Nenhum deles a trataria com tanta lassidão, nenhum deles a sujeitaria aos infortúnios a que a submeteste.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, dito isto, volto-te as costas, e, enterrando novamente os pés nus na areia da estrada, sigo pela encruzilhada que me leva ao destino mais distante de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7265254102947627538?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7265254102947627538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7265254102947627538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7265254102947627538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7265254102947627538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2605609006685474277</id><published>2011-11-20T22:51:00.003Z</published><updated>2011-11-21T00:04:48.466Z</updated><title type='text'>Ridícula</title><content type='html'>Se eu te disser, meu amor, que hoje já nem sei quem sou nem para onde me dirijo, acreditarás que é verdade? Ou encolherás negligentemente os ombros, como sempre te imagino a fazer, à laia de quem diz: "Tu é que sabes"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me ridícula (talvez o suspeites) pela forma como me relaciono contigo. Ridícula e absurda e mesquinha e outros tantos qualificativos que, por demasiado diversos, não posso nem devo aqui utilizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que te foste que permaneci, como que cristalizada no momento, à espera que regressasses. Mesmo sabendo que não virás. Que é impossível que venhas. Que o rigor da vida sempre te impedirá a caminhada que te traria até mim. Seria pois de supor que eu, como pessoa inteligente que julgo ser, abdicasse do que sinto por ti e me abstraísse e alheasse da tua vida para minha própria protecção e sossego, mostrando-me e sendo efectivamente indiferente ao que fazes e ao que exteriorizas sentir.(porque não te conheço o suficiente para conseguir, de forma efectiva, dilucidar os teus pensamentos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias (talvez o saibas) em que a rotina diária e as minhas atarefadas horas me levam a conseguir distanciar-me de ti, esquecendo que vives permanentemente, como uma sombra que tivesse caído sobre a floresta dos meus pensamentos e que se tivesse, depois, recusado a abandoná-la, dentro daquilo que sou e da minha própria consciência de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outros em que me é impossível ignorar a tua presença constante no interior da pessoa que sou. Quando te consigo esquecer por algumas horas e o constato, alegro-me e rejubilo, como se tivesse alcançado a maior vitória da minha existência. E haverá guerra mais trucidante do que aquela que travamos diariamente com a nossa vontade? Se souberes de alguma mais cruel, diz-me, por favor. Que eu ainda não a consegui encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, dizia-te eu, que há horas em que te mostras tão profundamente enraizado em mim que tenho atitudes e adopto comportamentos de que,logo em seguida, me envergonho e arrependo. A minha consciência lógica bem me alerta para a imbecilidade daquilo que estou a fazer, em como é idiótico e errante o meu comportamento. Mas o ciume aguilhoa-me como uma forquilha que me tivesse rompido as costas em plena zona dos rins, obrigando-me a avançar, como um touro enraivecido, instado a deixar o redil e quando me apercebo do que fiz ou daquilo que te disse é já demasiado tarde. Perdoa-me. Sei que não tenho qualquer direito de o fazer e que me deves julgar ridícula e absurda. Mas acredita: que nenhum julgamento acerca de mim é mais rigoroso do que aquele que é lavrado pela minha própria mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esforço-me tanto por te entender e me manter longe e distante. Tanto! Talvez não acredites, mas é a verdade. Os meus olhos sorvem diariamente a estrada da vida na esperança de encontrarem alguém que me faça esquecer a tua própria existência terrena. Mas, logo que deparam com alguém que parece apto a atingir os meus objectivos, logo o meu ignóbil ser o formata no seu crivo mecanicista e sussurra-me traiçoeiro ao ouvido: "mas não se parece nada com ele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repara. Não te culpo de nada. Nem sequer a mim. Carrego comigo a dor como Job carregou as maldições que Deus permitiu que o Mal lhe lançasse: com abnegação e sofrimento, mas sem um queixume, na certeza de que tudo tem um fim, até este pranto que constantemente me humidifica o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei bem que não poderias imaginar o quanto me magoarias, que não conhecias nem conheces as minhas entranhas feitas de mágoa e fim. Há quem não consiga enfrentar a vida sem uma dose acrescida de tortura e mágoa. Que a sensibilidade que a cada um de nós é dada na hora da concepção não é igual nem uniforme para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dilacera-me a alma, por vezes, a forma como actuas. E sinto-me tão ridícula por me deixar torturar, assim, desta forma, gratuita e facilitista. "Ignora-o" - diz-me a minha razão, que te odeia e te despreza com todas as suas forças. Mas o meu coração sobrepõe-se-lhe sempre, força motriz deste meu emotivo organismo, e sinto-me incapaz de obedecer ao comando que bem sei que é o mais correcto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é ainda ele, este meu sórdido e insistente coração, que te dedica estas palavras, que são tuas, como todas aquelas que escrevo, enquanto a minha mente razoável, mas solitária me vai soprando ao ouvido:«Que desprezível que ele é. E que indigno de ti. Não passa de um concupiscente  amante dos prazeres carnais que é incapaz de efectuar uma distinção entre ti e as tontas criaturas sem pensamento que se ajoelham, oferecendo-se, diariamente, a seus pés. Deixa-o ficar com elas e ser feliz no lodaçal a que pertence e abstém-te de,sequer, lhe voltares a dirigir a palavra».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo o meu coração se revolta e, retorquindo-lhe, lhe diz:&lt;br /&gt;«Que sabes tu do que eu sinto? E do sofrimento que me traz, todos os dias, cativa desta e de outras emoções?» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha razão cala-se, então, contrafeita e revolta e eu, pousando o lápis, abandono cada frase que foi tua e fecho-me em mim outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2605609006685474277?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2605609006685474277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2605609006685474277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2605609006685474277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2605609006685474277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/ridicula.html' title='Ridícula'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8492289339820801093</id><published>2011-11-19T22:53:00.006Z</published><updated>2011-11-20T00:20:10.543Z</updated><title type='text'>A raposa e o cisne</title><content type='html'>Era uma vez, há muito, muito tempo atrás, numa época bastante anterior à digital em que vivemos, uma raposa, ladina e matreira, que ocupava, habitualmente, os seus tempos livres, a furtar os ovos das aves da vizinhança, galinhas, gansos e patos incautos que, por muito que fossem alertados para a presença do ágil felino, persistiam em deixar-se enganar por ele e em cuidar de forma negligente os seus haveres, mesmo tendo consciência de que a sua persistente vizinha os havia de procurar até conseguir localizá-los e ingeri-los com gula e satisfação sempre renovadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, porém, chegou ao território um cisne e logo a raposa se congratulou de satisfação. O forasteiro era belo e alvo e possuía uma dignidade e uma elegância ao caminhar incomparáveis às das aves com que a raposa confraternizara até então o que fez com que a incansável caçadora de ovos rejubilasse com a antecipação do furto que empreenderia na manhã seguinte:&lt;br /&gt;«Meu Deus! Que belo e altivo é. E como devem ser saborosos os seus ovos! Não há tempo a perder. Já amanhã irei a casa do cisne e hei-de banquetear-me com o produto da minha audácia.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enganou-se, porém, a raposa. Porque, mal tinha entrado na casa do cisne foi por este surpreendida a perscrutar a dispensa e, tendo sido apanhada em flagrante como nunca antes fora, balbuciou aturdida e vacilante:&lt;br /&gt;«Desculpe, meu caro. Mas soube que era novo na vizinhança e pensei que seria simpático de minha parte vir apresentar-me, bem como oferecer os meus préstimos de boa amiga.»&lt;br /&gt;O cisne, que desde o início pressentira as intenções da raposa mas que não conseguira deixar de simpatizar com ela, pegou imediatamente numa cesta de ovos e, com a generosidade que o caracterizava, retorquiu-lhe:&lt;br /&gt;«Raposa: aqui tens. Bem sei que vieste em busca dos meus ovos. Não precisas de disfarçar. Ofereço-tos de bom grado. Ouvi muito falar de ti ainda antes de aqui chegar e sempre admirei a tua sagacidade e coragem.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raposa, que apreciava sobretudo a emoção de retirar solitariamente os ovos sem ser descoberta e de conseguir escapulir-se sem ser vista, ficou bastante ofendida pelo atrevimento do cisne que, não bastando o facto de a ter descoberto em sua casa, ainda se mostrava afável, ao invés de se irritar e a colocar apressadamente para fora (troçaria dela?) e respondeu, com o ar mais digno e solene que conseguiu ostentar:&lt;br /&gt;«Muito obrigada. Mas a verdade é que nem sequer sou grande apreciadora de ovos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, triste e desiludida, lá se retirou a raposa para a sua toca, sem que, no entanto, deixasse, diariamente, de perscrutar a casa do cisne na esperança de ter uma oportunidade de lhe ministrar a lição merecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cisne, por seu turno, observava, diariamente, a labuta interminável da raposa, que já nem se dignava cumprimentá-lo ao passar, e entristecia-se.  Porque, apesar de reconhecer que, tal como se comentava nos arredores, ela era tão traiçoeira como sagaz, tinha por ela um afecto verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que, um dia, decidiu fazer-lhe uma surpresa, julgando estar a ser agradável e querendo, em simultâneo, mostrar-lhe o quanto era diferente e distinta de todas as outras aves da vizinhança. Pelo que, abandonando a sua casa logo pela manhã, deixou-a de porta entreaberta e com uma enorme cesta de ovos colocada sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raposa, ao deparar-se com tão eloquente banquete não queria acreditar na sorte que tivera. Porém, quando se preparava para abandonar a casa do cisne, com o produto da sua cobiça nos braços, eis que este lhe surge inopinadamente pela frente com um sorriso significativo e um olhar repreendedor.&lt;br /&gt;«Amiga: eu disse taxativamente que te oferecia os ovos. Que motivos tens tu para continuar a furtar os da vizinhança e os meus próprios quando os podes ter de uma forma legítima?»&lt;br /&gt;A raposa, então, furiosa, atira a cesta repentinamente para o chão fazendo quebrar todos os ovos que o cisne guardara para si.&lt;br /&gt;«Ave tonta. Será possível que não tenhas percebido? Dei-te a entender desde o início que obtenho os ovos segundo as minhas regras. Pensaste que poderias impor-me as tuas? Não me interessam a tua generosidade nem a tua simpatia. E se és ou se te julgas demasiado inteligente para te deixares furtar, então, também não me interessam os teus ovos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dito isto vira-lhe as costas, deixando-o, magoado e aturdido, a contemplar a imensidão de ovos partidos que abandonara em sua casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8492289339820801093?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8492289339820801093/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8492289339820801093&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8492289339820801093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8492289339820801093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/raposa-e-o-cisne.html' title='A raposa e o cisne'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3622096179978897245</id><published>2011-11-18T12:20:00.003Z</published><updated>2011-11-18T12:46:39.651Z</updated><title type='text'>Porque chegaste tarde?</title><content type='html'>«E há cem anos que eu fui nova e linda!…&lt;br /&gt;E a minha boca morta grita ainda:&lt;br /&gt;“Por que chegaste tarde, Ó meu Amor?!…”»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florbela Espanca &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda lá estou a aguardar-te, meu amor. E entardeço de tanto esperar, como no poema de Ary.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei lá, desde o momento em que te foste, com o meu vestido de Sol a enregelar-me agora os ombros em que cai a neve do Inverno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneço à tua espera porque bem sabes que não sei ser eu de outra maneira a não ser amando-te. E, por isso, é ainda o vestido de seda azul que me roça os pés e me enche a alma de fantasias irrealistas que tu entravas de mão alçada com a tua cruel e pragmática visão da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perscruto ainda cada recanto dessa sala em que fui inteira e volto a sentir-me em perigo ainda antes da tua chegada apressada e ansiosa. E volto a sentir-te o beijo fremente porque é imperioso sorvermo-nos ainda antes de conseguirmos, sequer, dizer "olá" um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois...depois o teu braço manso na minha cintura e o teu sorriso que gravaste a fogo no meu peito e que me é impossível olvidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a empregada, maçadora, a interromper, constantemente, a urgência do nosso desejo e a revirar-se em vénias enquanto aguardamos, impacientes, que ela termine os salamaleques e se retire.&lt;br /&gt;Não saberá ela que é imperioso que fiquemos sós? Que só a solidão convém aos maiores feitos da Humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teu beijo violento e precipitado invade-me ainda a orelha, o pescoço, o colo que te abandono na inevitabilidade daquela tarde que tão longa e breve foi.&lt;br /&gt;Entra, pois, em mim, novamente, meu amor e volta a sussurrar-me impossibilidades em que acreditarei pois não é minha vontade que a realidade trivial da vida se sobreponha ao nosso momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acima de tudo, regressa. Regressa antes que a minha beleza anoiteça e o meu luar se cubra de escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai agora neve em mim, meu amor. Tenho as pestanas e as sobrancelhas cobertas de gelo e estremeço, queimada pelo frio da tua ausência.&lt;br /&gt;E à medida que as lágrimas me cobrem o decote em chamas vou perguntando, como se Florbela fora «Porque chegaste tarde, ó meu amor?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3622096179978897245?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3622096179978897245/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3622096179978897245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3622096179978897245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3622096179978897245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/porque-chegaste-tarde.html' title='Porque chegaste tarde?'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1035852987890442519</id><published>2011-11-17T23:02:00.000Z</published><updated>2011-11-17T23:03:48.722Z</updated><title type='text'>Regressos...</title><content type='html'>Amor como em Casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Regresso devagar ao teu &lt;br /&gt;sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que &lt;br /&gt;não é nada comigo. Distraído percorro &lt;br /&gt;o caminho familiar da saudade, &lt;br /&gt;pequeninas coisas me prendem, &lt;br /&gt;uma tarde num café, um livro. Devagar &lt;br /&gt;te amo e às vezes depressa, &lt;br /&gt;meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, &lt;br /&gt;regresso devagar a tua casa, &lt;br /&gt;compro um livro, entro no &lt;br /&gt;amor como em casa.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel António Pina&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1035852987890442519?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1035852987890442519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1035852987890442519&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1035852987890442519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1035852987890442519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/regressos.html' title='Regressos...'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6061618616689527150</id><published>2011-11-16T19:24:00.004Z</published><updated>2011-11-16T19:36:01.874Z</updated><title type='text'>O Crime do Relógio de Carrilhão - Sinopse</title><content type='html'>Ano de 2034.&lt;br /&gt;Sob o consulado de João de Castro Almeida, o Porto acaba de ultrapassar Lisboa como centro do investimento económico e da actividade financeira do País. O Presidente da Câmara do Porto parece ser o candidato natural às próximas eleições legislativas. Mas, antes, terá de derrotar internamente o actual Presidente do Partido, António Lemos. Este, por seu turno, tem conhecimento de que foram dirigidas à Procuradora Maria das Dores denúncias visando João Almeida e um novo empreendimento que permitirá revitalizar o Cais da Ribeira. E encarrega o seu amigo e sócio Pedro Aragão Melo de investigar, devendo este, para o efeito, integrar como número dois a lista candidata à autarquia portuense.&lt;br /&gt;A tensão adensa-se quando, em pleno segundo mandato de João Almeida, é cometido um crime tenebroso na Torre do Relógio de Carrilhão. A partir daí desenrolam-se três investigações autónomas: a da Procuradora Maria das Dores, a de Pedro Melo e a de Leonor Teles, Chefe de Gabinete do Presidente.&lt;br /&gt;Cada um deles pretende descobrir a verdade. &lt;br /&gt;Será João Almeida culpado ou estará a ser vítima de uma complexa e bem urdida cabala que o visa afastar do poder?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6061618616689527150?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6061618616689527150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6061618616689527150&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6061618616689527150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6061618616689527150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/o-crime-do-relogio-de-carrilhao-sinopse.html' title='O Crime do Relógio de Carrilhão - Sinopse'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4404114812256595135</id><published>2011-11-15T22:49:00.003Z</published><updated>2011-11-15T23:05:47.255Z</updated><title type='text'>Hoje vi-a</title><content type='html'>Hoje vi-a.&lt;br /&gt;Talvez a já tenha olhado em ocasiões anteriores. É, até, provável que, várias vezes, tenha passado, tal como aconteceu hoje, junto a ela, por breves instantes, apenas. Porém, vê-la, tal como hoje a vi, reconhecendo-a, foi decerto esta tarde a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, o escritor, o criador literário, quis acrescentar mais um episódio à Sua história, de que me sinto personagem manipulada e conduzida, ao sabor da Sua pena sarcástica e cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E terá sido esse o motivo pelo qual, passando ao lado dela, hoje, pelo crepúsculo, a reconheci. Ou talvez porque o seu retrato se encontre perenemente gravado na minha memória, de tanto o olhar no ecrã do computador. É certo que está mais pesada. Talvez, até, um pouco mais velha do que a mulher da fotografia tantas vezes mirada e perscrutada por mim. Mas era ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De passo rápido, ligeiro, quase corredio. E olhar sorridente e feliz. E como é tal possível? O que pode causar a alegria num olhar que tem tantos motivos para estar toldado pelo sofrimento? O que a fez alegrar-se e rejubilar neste dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao vê-la, fico petrificada, como a imprudente mulher de Ló, transformada em lágrimas de sal, ao olhá-la, enquanto ela se afasta, sem notar a minha presença, e acaba por desaparecer, diluída na multidão do fim de tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, assumindo uma culpa que nos pertence aos dois, mas que sinto sempre solitariamente minha, porque já nem sei se tens ou não consciência, murmuro, sem que ela me ouça,as palavras que o Autor Divino entendeu que eu deveria proferir no momento:&lt;br /&gt;«Desculpa»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4404114812256595135?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4404114812256595135/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4404114812256595135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4404114812256595135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4404114812256595135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/hoje-vi.html' title='Hoje vi-a'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8461147385316509043</id><published>2011-11-14T22:38:00.002Z</published><updated>2011-11-14T22:39:13.635Z</updated><title type='text'>O Vinho e o Vinagre</title><content type='html'>"Vinho que vai para vinagre&lt;br /&gt;Não retrocede o caminho&lt;br /&gt;Só por força de milagre&lt;br /&gt;Pode de novo ser vinho"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Aleixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8461147385316509043?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8461147385316509043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8461147385316509043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8461147385316509043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8461147385316509043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/o-vinho-e-o-vinagre.html' title='O Vinho e o Vinagre'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1989906175044446696</id><published>2011-11-14T10:15:00.002Z</published><updated>2011-11-14T10:41:09.061Z</updated><title type='text'>Estranho Amor</title><content type='html'>Estranho sentimento é o Amor.&lt;br /&gt;Surge vindo não se sabe de onde e ninguém consegue perceber para onde se dirigirá, no fim. Não tem outros objectivos senão o de consumir-se na chama que ele próprio ateou e não se apega a conveniências ou interesses, porquanto é destituído de razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho sentimento é o Amor. Altruísta mesmo em face do egoísmo, resistente, mesmo quando confrontado com a saudade, sempre alegre, ainda que não tenha grandes motivos para sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascerá e morrerá de forma aleatória, impulsionado pela sua própria força intrinseca, alheio aos factores externos que o possam influenciar, estranho a quem pretenda determinar a sua conduta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é independente e rebelde, irracional e destemido, perverso e bondoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não compreende a ausência de razões do Amor, a sua estranheza e excentricidade...então é porque nunca amou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1989906175044446696?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1989906175044446696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1989906175044446696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1989906175044446696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1989906175044446696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/estranho-amor.html' title='Estranho Amor'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4308260102399487225</id><published>2011-11-13T22:58:00.003Z</published><updated>2011-11-13T23:25:45.860Z</updated><title type='text'>Perséfone, a Deusa ciumenta</title><content type='html'>Hoje sei, meu amor, que tu és Hades, sempre que a tristeza e o lamento te dominam o olhar transformado em trevas. Hades, o Deus do Fim, o Deus da Morte, o Deus do Submundo. Hades, o julgador das almas, o temível avaliador da vida terrena, aquele que há-de sentenciar a favor ou contra os pobres mortais na hora do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se tu és Hades, eu sou Perséfone, tua eterna apaixonada, a que abandonou o brilho do Sol e a frescura do Vento que reinam nos domínios do teu irmão Zeus para viver contigo na Terra do Fim. Perséfone, a temível, que se intromete nas tuas decisões soberanas e que constantemente apela à tua bondade, intercedendo a favor da Humanidade perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje mais do que nunca sou Perséfone. Perséfone em fúria, ciumenta e zelosa de ti, que me pertences. Ainda que o tentes negar, és meu. Ainda que invoques a tua condição de Deus soberano, exijo-te, zangada e ofendida pela tua desatenção, fidelidade. Essas Ninfas que, constantemente, te rodeiam e cortejam, não sabem, decerto, quem é Perséfone e do que ela é capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou Perséfone. A quem os teus lacaios vieram relatar que uma Ninfa atrevida de nome Menthe, envaidecida pelas tuas atenções e tornada incauta pela paixão que sente por ti, anuncia pelos teus Reinos, sem se ocultar e sem me temer, que deve, decerto, ser mais bela do que eu, uma vez que tu a preferes, e que, em breve, a tornarás Senhora do Submundo, expulsando-me novamente para os domínios de Zeus, meu Pai e teu Irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tremer de fúria e indignação, desço a escada do trono perante o horror das minhas aias e, sem dizer palavra, coloco o manto e saio do Palácio real em busca de Menthe. E, encontrando-a, aponto-lhe o meu poderoso dedo de Deusa e transformo-a numa Planta, que vegetará eternamente à entrada do Reino dos Mortos, nossa casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, regressando para junto de ti, hei-de dizer-te, altiva e insolente: «Há um novo tipo de planta no teu Reino, Meu Senhor. Chama-se Menta e hão-de atribuir-lhe propriedades curativas. Tornará, decerto, mais agradáveis as nossas tardes de chá.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sem mais palavras, retiro-me, em paz, arrastando pelo chão a cauda do vestido negro, para os meus aposentos feitos de papoilas trazidas do meu lar materno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4308260102399487225?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4308260102399487225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4308260102399487225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4308260102399487225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4308260102399487225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/persefone-deusa-ciumenta.html' title='Perséfone, a Deusa ciumenta'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3165998371446881962</id><published>2011-11-12T23:08:00.002Z</published><updated>2011-11-12T23:37:13.730Z</updated><title type='text'>Altruísmo</title><content type='html'>Meu querido: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que o desespero de me não conseguir fazer entender por ti se torna quase irrazoável na sua dor, como as chagas de um leproso em que, constantemente, alguém espetasse ferros em brasa. Perdoa-me o horror da comparação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque não sei bem, se é certo que não me compreendes, ou se preferes, por estratégia ou calculismo, dar-mo a entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que exerci sobre a tua conduta (que nunca sobre ti próprio) um juízo de censura ou desagrado, fi-lo exclusivamente por preocupação e temor de que uma certa infantilidade presente em todos os homens e, também, inevitavelmente, em ti, te pudessem prejudicar. De forma insanável e irremediável. Como já vi, tantas e tantas vezes, acontecer a outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sei que me dirás que sabes o que fazes, que és dono da tua vida e que a minha opinião não me foi solicitada por ti. Porém, hei-de dar-ta, insistentemente, de qualquer modo. Não confundas aquilo que te digo com ciúme, despeito ou qualquer outro sentimento menor. Podia perfeitamente, também, sê-lo. Mas o que me move não é isso. Ainda que o sinta também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu o único ser observador e pensante deste mundo. Há tantos, tantos outros. E fico, horrorizada, a pensar o que poderá suceder se olhos alheios ao que de bom há em ti conseguirem alcançar o que de menos positivo existe no teu mundo. O que de injusto poderão pensar, que conclusões erróneas poderão retirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, contudo, ao reflectir sobre isto, acabo por concluir que talvez não deva imiscuir-me mais. Que tens o direito de errar, de tropeçar e cair sem que eu corra, maçadora, a tentar impedir-te de o fazer, qual mãe inexperiente a tentar conter em vão os tombos do filho. E tu nem sequer, já, estás a aprender a andar. Se um dia caíres e não te conseguires, mais, erguer, não poderás, pelo menos, lamentar-te da falta de alguém que te alertasse para os perigos do abismo. E um abismo pode ter tantas e tantas faces e feições. Rostos de agrado fácil e elogio sempre presente, de concordância permanente e de censura ausente. Rostos sem pensamento autónomo que vivem através de ti e te fazem pensar que és infalível e imortal e que nenhuma queda te deterá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é como te digo. Saberás o que pretendes e para onde te diriges. Até porque sei que, insistindo, nada mais obterei do que a tua precipitação insana em direcção ao mal, na tentativa teimosa de me comprovares que ages correctamente, que tens razão, independentemente daquilo que eu possa pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço-te apenas que não tentes (a mim!) agradar-me ou serenar-me manifestando uma preocupação e um altruísmo inexistentes. Não me digas, nem me dês a entender, que aquilo que fazes ou o modo como actuas em relação a mim se destinam a preservar-me e a libertar-me da tua presença, de forma a que atinja, longe de ti, todos os prazeres e deleites desta vida. O amor, quiçá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu querido: há um tempo de ser altruísta e um outro em que, manifestamente, já não vale a pena sê-lo. Se não o foste quando tiveste a oportunidade de o ser, porque haverias de ter, agora, essa preocupação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disfarces fuga com altruísmo, nem confundas retirada estratégica com bondade. Eu não acreditarei nem gostarei mais de ti por o fazeres. Porque talvez não o saibas mas o amor, a amizade, o carinho, a dedicação implicam isso mesmo. A aceitação e o reconhecimento dos erros e dos defeitos. E caso assim não seja, será grande o engano e pequeno e supérfluo o sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não é, manifestamente, o caso daquilo que sinto por ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3165998371446881962?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3165998371446881962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3165998371446881962&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3165998371446881962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3165998371446881962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/altruismo.html' title='Altruísmo'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2928048695238881009</id><published>2011-11-11T11:55:00.007Z</published><updated>2011-11-11T12:19:15.770Z</updated><title type='text'>Perda de subsídios e equidade</title><content type='html'>Nos últimos dias, tenho assistido, umas vezes perplexa e outras tantas zangada, às manifestações de diversas pessoas que se pronunciam no sentido de se mostrar mais justo ou equitativo o corte de ambos os subsídios à Função Pública do que a aplicação de uma taxa uniforme a todos os trabalhadores, públicos ou privados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podendo estar mais em desacordo, exemplificarei com um caso. O meu caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou trabalhadora em funções públicas (que funcionários públicos, actualmente, face à lei vigente, já são muito poucos os que podem invocar sê-lo) desde Maio de 2001. Portanto, há 10 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou técnica superior da Administração Pública licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa com a média final de 13 valores. Sou pós-graduada em Ciências Jurídicas e Empresariais pela Universidade Católica Portuguesa. Concluí a parte curricular do Mestrado em Ciências Jurídicas, na mesma Faculdade em que me licenciei, com média final de 15 valores. Estou actualmente a tirar outra pós-graduação, em direito do urbanismo e da construção, na mesma Faculdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o meu salário líquido mensal destituído de quaisquer complementos? Eu informo-vos: 1.100 euros. Mil e cem euros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fortuna que, decerto, justifica que o Estado Português tenha decidido expoliar-me dos subsídios a que tenho direito, nos termos da CRP e da Lei, e que não imponha quaisquer sacrifícios aos trabalhadores do sector privado, alegadamente, porque eles estão sujeitos a uma perda de emprego mais fácil. Estão? Talvez. Mas o que é certo é que um trabalhador do sector privado com as minhas habilitações ganha provavelmente o quádruplo do que eu ganho. Pode, portanto, perfeitamente, fazer um encaixe em termos de poupança a que eu não tenho (por maior que seja o esforço que faça) acesso e que lhe permitirá encarar melhor uma eventual situação de perda de emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode haver quem ache que a medida do Governo é equitativa. Eu não acho. Lamento, mas não acho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescento ainda que o meu ingresso na Administração Pública foi perfeitamento aleatório. Não conhecia ninguém nem beneficiei de qualquer cunha. Fiz um exame, fui submetida a análise curricular e aqui estou, dez anos volvidos, a ganhar 1.100 euros por mês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os cargos que até agora tive e todas as funções que desempenhei basearam-se, única e exclusivamente, no meu mérito pessoal e profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo, por outro lado, sair da Administração Pública por muito que me queiram enxotar com estas medidas desproporcionadas e injustas. Gosto da noção de causa pública e por ela me baterei até ao fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um caso. Mas muitos mais haverá. Que não merecem, certamente, esta medida do Governo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2928048695238881009?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2928048695238881009/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2928048695238881009&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2928048695238881009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2928048695238881009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/perda-de-subsidios-e-equidade.html' title='Perda de subsídios e equidade'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-218863132859875842</id><published>2011-11-11T10:29:00.006Z</published><updated>2011-11-11T16:04:16.427Z</updated><title type='text'>Desconhecidos</title><content type='html'>Acho sempre tão estranho que me chames estranha. &lt;br /&gt;E, na estranheza da percepção desse facto, reparo que talvez exista, aí, nessa minha negação, um juízo de censura sobre mim própria e a forma como me relacionei contigo. Mas existe também a convicção de que te manténs estranho e distante de mim porque fazes questão de que assim seja, talvez por que prevejas na proximidade a catástrofe ou o fim de qualquer coisa que talvez nem saibas bem avaliar o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho tão estranho que me chames estranha. Talvez porque me sinta intrinsecamente próxima de ti, tão próxima como um dia estive, embrulhada no teu corpo e acorrentada à tua alma. E tu bem sabes que seria impossível que eu actuasse dessa forma com um estranho. Ou não? Ou é algo perfeitamente plausível e sou eu que o nego para não ter de exercer a minha rígida moral sobre mim própria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes? Quando te conheci fiquei a saber que Deus existe. E tem um sentido de humor requintado, quase cruel. Caso contrário não aproximaria duas pessoas tão distintas como nós. Que nem a mesma linguagem sabem falar. Deus, é, portanto, culpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu tens também a culpa em ti. Porque dizes assim: "És uma estranha para mim" e a seguir tudo fazes para comprovar que tens razão, o que inclui evitar conhecer o mínimo de mim. "E porquê?" - pergunto-te eu- "Que medo, que receio, que temor te mantém afastado?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tens razão. É melhor assim. Porque bem sabes que nunca te permitiria a actividade polinizadora que insistes em manter porque, dizes tu, machista e peremptório, "não mudarias por causa de nada nem de ninguém." E eu sorrio desdenhosa e vingo-me a desenhar-te o perfil nas minhas personagens mais intrincadas e controversas. E pergunto-me se te reconhecerás ao lê-las e ao tentar compreendê-las ou se nem sequer as lerás no temor de te reveres ali, exposto e nu, como eu nunca te consegui ver, porque o temor te mantém, assim, distante de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque Deus é um escritor maniqueísta mas eu também o sou. E, contudo, aperfeiçoo-te em cada traço que escrevo acerca de ti porque não consigo encarar os teus piores defeitos, aqueles que acho mais detestáveis e que reputo de mais censuráveis. Os que me são abomináveis imputo-os a outras personagens, àquelas de quem não gosto, que me são abjectas e distantes e desconhecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sou, quer o queiras ou não, próxima de ti. Nunca me deitaria com alguém que não o fosse. E é por isso que reajo com tanta violência quando me tentas demonstrar o contrário. E aperfeiçoo-te, Deusa bondosa que sou, os traços de carácter, porque não podes ser menos do que sublimemente bom. E tu observas, intimidado e curioso, à distância, a minha actividade febril de te dissecar em palavras. Talvez tenhas medo de que o encanto que me lançaste (porque, se eu sou uma Deusa, tu és Merlim, o Mago perverso) se quebre ou de que eu te obrigue, com o meu moralismo bacoco e o meu rigor vitoriano a deixares de ser quem és.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim te manténs estranho à minha pessoa para poderes sempre invocar esse pretexto a teu favor e murmurá-lo em surdina a quem te conhece e é teu amigo: "Ela é uma estranha. E nada mais tenho a dizer". E eu oiço-te porque os Deuses ouvem tudo, como sabes, e escrevo mais um texto que me aproxima e, em simultâneo, me mantém distante de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-218863132859875842?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/218863132859875842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=218863132859875842&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/218863132859875842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/218863132859875842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/desconhecidos.html' title='Desconhecidos'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8484747795146096413</id><published>2011-11-10T16:22:00.003Z</published><updated>2011-11-10T21:32:34.947Z</updated><title type='text'>Faculdade de Direito de Lisboa, Novembro de 2011</title><content type='html'>Faculdade de Direito de Lisboa, Novembro de 2011&lt;br /&gt;Sala Professor Dr. João de Castro Mendes, vulgarmente denominada Biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou eu, novamente, quase 20 anos depois. A janela continua ampla, envidraçada, dramaticamente projectada sobre o exterior. Á minha frente a Faculdade de Letras permanece erecta a enfrentar-me, desafiadora, o olhar, e, à esquerda, a Reitoria relembra-me, sobranceira, com o seu falar de silêncio que já decorreram quase duas décadas. E nós cá estamos, perenes e iguais a nós próprios, os edifícios desta cidade do ensino. Enquanto que tu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu encolho os ombros e respondo-lhes, impertinente: «Estou muito bem como estou»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apercebo-me que foi tudo, sempre, uma questão de perspectiva. Os rostos e os olhares que me rodeiam ( a maioria) são tão jovens! Quase infantis ainda. E ao ver o meu reflexo no espelho compreendo agora o erro. Não eram as pessoas da minha idade que, à data em que aqui passei, eram idosas ou velhas ou ultrapassadas. Era eu que era jovem. Tão jovem que nem conseguia aperceber-me da juventude em mim. Tão jovem como estes jovens que, sentados à minha volta na Biblioteca me olham, contudo, com expressões de curiosidade indisfarçada que não denotam, no entanto, qualquer referência depreciativa à minha idade. Elas a mirarem-me frontalmente, sem necessidade de ocultação (que bom que é ter 20 anos, Meu Deus!) a forma de vestir, o cabelo e a maquilhagem e eles a sorrirem, ainda, ao ver-me passar e a murmurarem comentários risonhos ao companheiro do lado que me fazem enfrentar, altiva, o espelho e dizer-lhe:&lt;br /&gt;«Estás a ver? Afinal, só mudei para melhor...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram as raparigas quem mais mudou. Eles continuam iguais. Talvez ligeiras diferenças na forma de vestir ou de usar o cabelo. Mas a transformação delas, essa, foi radical. Quando por cá passei, era muito raro que alguma de nós usasse já maquilhagem, base, sombra, rímel, unhas pintadas, cabelos já com coloração. Agora não. É rara aquela que não aparece por cá arranjada de forma primorosa. As miudas da Faculdade estão ainda mais bonitas. Mas talvez estejam a abandonar a juventude depressa demais. Talvez se apercebam, daqui a uns tempos, que é longa a passagem pela idade adulta. Longa e tortuosa e plena de momentos e de tempo para os fruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passaram quase 20 anos, digo eu para as paredes da Biblioteca e elas ouvem-me e compreendem-me e sorriem-me bondosas, com a ternura de quem acolhe uma filha de regresso ao lar materno.E respondem-me, como quem se espanta com o meu saudosismo e melancolia: «E o que são vinte anos quando sentimos que a vida se cumpre?» E eu respondo «Está bem» e começo a arrumar as coisas porque a terceira parte do Colóquio está quase a começar e não me quero atrasar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembro-me ao sair (porque em cada parede e porta existem uma lembrança)de que o Professor que deu o nome à sala e que constituiu, à época,uma das promessas da teorização do direito civil e contratual, morreu jovem,traído por uma doença cruel, que, à data do seu falecimento, era ainda sinónimo inevitável de fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão jovem era que, talvez não tenha podido ser saudosista e mirar demoradamente as salas e portas e janelas de outrora e encontrar em cada regresso ao passado uma esperança de futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8484747795146096413?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8484747795146096413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8484747795146096413&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8484747795146096413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8484747795146096413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/faculdade-de-direito-de-lisboa-novembro.html' title='Faculdade de Direito de Lisboa, Novembro de 2011'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1980302359745448039</id><published>2011-11-09T11:46:00.006Z</published><updated>2011-11-09T17:02:05.657Z</updated><title type='text'>Vida imprevista</title><content type='html'>Não há nada a fazer. Quem um dia escreveu que "A vida é um longo rio tranquilo" enganou-se redondamente. Equivocou-se. Ou talvez tenha apenas tido a sorte (ou, quiçá, o azar) de ter tido uma existência escorreita e ausente de quaisquer sobressaltos. Tal não acontecerá relativamente à maior parte das pessoas. A vida não é um processo sereno, nem tranquilo, nem linear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais, existem as pessoas. As pessoas com quem compartilhamos este longo mas sobressaltante percurso, com quem nos relacionamos, com quem interagimos. As pessoas, que são, quase todas, surpreendentes. E nem sempre pela positiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos pensar que conhecemos bem uma pessoa com a qual compartilhámos o quotidiano durante anos, várias horas por dia. Quer a nível pessoal, quer profissional.E, um dia, inesperadamente, percebemos que não. Que ou nunca a conhecemos verdadeiramente, ou, então, existiu a determinada altura, sem que nos apercebêssemos, uma inflexão, de postura e de comportamento, uma mudança dramática, que, no entanto, teve a virtualidade de permanecer oculta à nossa percepção. E que, ao revelar-se, nos provoca, de forma inevitável, choque e dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, nem sequer a nós próprios nos conhecemos completamente. Podemos facilmente surpreender-nos pela atitude que tomamos ou pela reacção que temos em determinado momento.A premissa segundo a qual somos sempre mais corajosos e resistentes do que pensamos, adaptáveis às circunstâncias do momento, é completamente verdadeira e pertinente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se deve retirar do nosso percurso é que a vida deve funcionar segundo uma lógica de retribuição e tolerância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tolerância para com o modo de ser, estar e encarar a vida que qualquer pessoa tem o direito de ter. Muitas vezes conhecemos quem tenha uma visão do mundo e da vida tão distante da nossa que a comunicação e o entendimento se tornam difíceis. Tentemos que não sejam, pelo menos, impraticáveis. E tenhamos sempre tolerância para com quem tem posições divergentes da nossa. Mesmo que não sejamos retribuídos de igual forma. E apenas e tão só porque esta é uma premissa básica do pacífico convívio em sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a tudo o resto entendo precisamente o contrário: a vida tem de funcionar numa lógica de retribuição. E o nosso afecto, carinho e disponibilidade, porque escassos e valiosos, devem ser estritamente encaminhados para quem os merece. Para quem demonstra merecê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o resto é mera perda de tempo e desperdício de energia. Que se podem mostrar fundamentais e preciosos em outras ocasiões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1980302359745448039?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1980302359745448039/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1980302359745448039&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1980302359745448039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1980302359745448039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/vida-imprevista.html' title='Vida imprevista'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7285937680938472460</id><published>2011-11-08T10:11:00.004Z</published><updated>2011-11-09T16:21:33.089Z</updated><title type='text'>Outono!</title><content type='html'>A chuva de Outono inunda, finalmente, a cidade. Esperámos tanto por ela! &lt;br /&gt;Por mim falo: aguardava-a ansiosamente depois de um Verão quente e saboroso que se alongou por Outubro adentro sem que ninguém lho tivesse pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que a chuva e o frio de Novembro, para além de nos despertarem memórias de outros Outonos felizes e cinzentos como o de agora, também trazem aspectos menos bons. É a dor de garganta que se renova, são as crianças que voltam a estar quase sempre doentes, são as greves inconsequentes de quem parece ainda não ter percebido que a situação em que o País se encontra não se compadece com este tipo de reacção, por muito legítima que ela se possa afigurar. Não é, decerto, parando o trânsito na capital, que lá chegaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Outono são o frio e o vento que servem de pretexto a voltar a tirar do roupeiro o casaco quentinho de que já não nos recordávamos, é o cachecol garrido que conferirá cor à chuva incansável, são as castanhas e o seu odor que se espalha pela rua, são as folhas de cores quentes que caem formando um longo tapete de cor luminosa que cobre o asfalto húmido e escorregadio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Outono é renovação, é esperança num tempo melhor, é preparação de uma nova Primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, deve ser, também, tempo de reflexão acerca da nossa vida, daquilo que realmente almejamos para ela, das pessoas que pretendemos que nos acompanhem no caminho, de quem nos é querido e mostra apreço por nós. De quem, finalmente, desejamos que chegue ao Verão connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque apenas quem sabe atravessar os rigores do Inverno ao nosso lado merece compartilhar e comungar do nosso Verão alegre e soalheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7285937680938472460?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7285937680938472460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7285937680938472460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7285937680938472460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7285937680938472460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/outono.html' title='Outono!'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7659819014301791792</id><published>2011-11-06T11:35:00.003Z</published><updated>2011-11-06T11:55:02.184Z</updated><title type='text'>Mundo Novo</title><content type='html'>Um dia disseste-me tu:&lt;br /&gt;«Se conseguisses avaliar o horror que há na minha alma, os erros e imperfeições de que sou feito, o Mundo tenebroso e lunar em que vivo, não dirias de forma tão inconsequente que me amas, nem te apressarias a lançar-te no abismo da minha existência».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu tremi às tuas palavras porque bem sei que são verdadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis tanto pertencer a esse teu Mundo! Eu! Que sou uma Princesa etérea e inocente a pairar cheia de sonhos sobre o seu Castelo de Encantos. Lá me encontraste pensativa a divagar pelo jardim e lá me conquistaste com a tua forma rebelde e desabrida de ser, tão diferente de tudo quanto conhecera até então. Não soubeste o que fazias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquanto, enamorada de ti, te quis depois seguir até aos teus domínios de perdição e tu, de semblante carregado e ar soturno, me negaste imediatamente a ida. «Não sobreviverias» - disseste-me, com a seriedade que te é própria, mas eu, ingénua e incauta, não te acreditei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sem que soubesses segui-te montada no meu corcel e entrei atrás de ti nos teus domínios de tristeza e perdição. E assustada e temerosa observo com horror as cinzas e negrumes de que é feito, os seres rastejantes que por lá vagueiam e o profundo desgosto impresso na tua face que apertas e escondes entre as mãos enquanto te dobras, com dor, sobre ti mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, fazendo cair a capa negra com que me cobri para a viagem, revelo-me aos teus olhos espantados e tu ficas furioso e apertas-me, insano, o braço frágil e nu.&lt;br /&gt;«Não te adverti de que não deverias vir? Que farei agora? Depois do que viste e ouviste nunca mais serás a mesma. Não poderás retornar ao teu Palácio feito de quimeras e ilusões, mas também não poderei manter-te aqui. Porque vieste? Bem te disse que, se o fizesses, te destruirias e ao Mundo em que vives. E caso permaneças será o meu fim.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu levo-te a mão morena e exausta ao rosto e, beijando-a, sussurro-te, invadida pela angústia de te ter causado transtorno ou consternação: «Meu amor, se não podemos viver juntos no meu Mundo nem no teu, façamos surgir um novo construído pelos dois. Em que ambos possamos ser plenos e felizes. E em que os meus dias não sejam preenchidos com sonhos e fábulas irrealistas e os teus não sejam feitos de pesadelo e horror.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7659819014301791792?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7659819014301791792/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7659819014301791792&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7659819014301791792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7659819014301791792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/mundo-novo.html' title='Mundo Novo'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3323814000728938792</id><published>2011-11-05T17:07:00.004Z</published><updated>2011-11-05T17:37:54.505Z</updated><title type='text'>Destino e pré-determinação</title><content type='html'>O nosso destino é sempre uma enorme incógnita, um abismo que enfrentamos todos os dias sem saber se as opções que fazemos são ou não as mais acertadas ou as que nos conduzirão ao fim último pretendido. Tentamos que sejam, pelo menos, as mais adequadas à nossa forma de sentir e percepcionar o mundo que nos rodeia. Por muito que tal não se afigure, muitas vezes, fácil ou linear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se é possível efectuar alguns prognósticos, não será decerto crível que possamos, com um amplo grau de certeza, determinar todo o nosso futuro ao pormenor. Antes de mais, porque não dependemos apenas da nossa vontade, mas também da dos outros e, em particular, daqueles a quem amamos e que influenciarão, de forma determinante, as decisões que viermos a tomar durante a nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que vejo a pronunciarem-se com grande certeza acerca do que farão ou de quem serão daqui a alguns anos. Ou pecam por ingenuidade ou mentem deliberadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos a mesma pessoa durante toda a nossa vida. A nossa forma de agir e de nos relacionarmos com os outros alteram-se com o tempo e com a experiência de vida, bem como com os encontros e desencontros que vamos tendo pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos prever, face a quem somos e ao que desejamos neste momento para nós, o que faremos num futuro imediato. Mas é impossível dizer onde estaremos no médio ou longo prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é uma distinção que não se afigura nada despicienda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar-vos um exemplo: posso afirmar que desejo manter-me casada com uma pessoa durante toda a vida e que prezarei a estabilidade no meu quotidiano. Mas é quimérico e irrelista ser peremptória ao dizer que será isso que, de facto, acontecerá, que não me voltarei a apaixonar ou que o meu consorte não poderá decidir seguir caminho diverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos, pois, verdadeiros e rigorosos na abordagem da vida. E não prometamos nem neguemos aquilo que não está ao nosso alcance oferecer ou retirar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3323814000728938792?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3323814000728938792/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3323814000728938792&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3323814000728938792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3323814000728938792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/destino-e-pre-determinacao.html' title='Destino e pré-determinação'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4036551855155817487</id><published>2011-11-04T21:31:00.005Z</published><updated>2011-11-04T21:49:08.539Z</updated><title type='text'>Amor de Orpheu</title><content type='html'>Sinto, por vezes, que me escapas entre os dedos, que me foges para onde pensas que eu não te poderei alcançar, para onde o meu amor não te cause transtornos nem preocupações nem te faça sentir indeciso nem sombrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que grande engano o teu, meu querido. Ainda não percebeste? Eu sou Orpheu apaixonado e hei-de buscar-te onde quer que estejas, seja a que preço for, nem que tenha de descer aos terríveis domínios de Hades, rei dos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és Eurídice incauta (e sorrio a esta comparação, porque, de facto, tens muito pouco de feminino a não ser a actuação semelhante à desta distraída e curiosa Ninfa) que se deixa perseguir por maldosos e inconsequentes Aristeus que apenas a poderão conduzir ao caminho da perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que importa? Tu sabes que eu hei-de descer aos Infernos para te salvar e te trazer comigo. Porque o mundo nada é sem a tua presença doce e bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem podem as Mênades (e tantas me adulam, tantas, tantas...) perseguir-me e tentar cativar-me e fazer-me amá-las. Mais depressa me matarão fazendo meu corpo em pedaços. Talvez assim ele melhor seja reflexo da minha alma que destruíste com a tua forma ligeira e despreocupada de encarar o meu profundo afecto por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Rio Hebro abaixo, mesmo depois da morte e do fim, hei-de continuar a cantar e a apregoar o meu profundo amor por ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4036551855155817487?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4036551855155817487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4036551855155817487&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4036551855155817487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4036551855155817487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/amor-de-orpheu.html' title='Amor de Orpheu'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-681551177076753986</id><published>2011-11-04T10:00:00.003Z</published><updated>2011-11-04T10:07:56.686Z</updated><title type='text'>Hoje sonhei contigo</title><content type='html'>Hoje sonhei contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava dentro do automóvel e dirigia-me para algures vinda não sei de onde quando te decidi telefonar. Devo ter tido saudades de ouvir a tua voz. Há tanto tempo que não a escuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansiosamente, com o coração a saltar-me dentro do peito, liguei o teu número mas tu, decerto porque dormias à hora em que sonhei contigo, não atendeste e a chamada foi encaminhada para um atendedor de chamadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgiu-me então uma mensagem atípica de ti, muito americanada e a tua voz soou-me nitidamente aos ouvidos como se a estivesse efectivamente a ouvir. Cantavas uma música que não reconheci e pedias para que te contactassem mais tarde e eu fiquei profundamente desgostosa, tão triste que acordei a chorar e tive de me sentar na cama porque a angústia já não me deixou mais repousar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sonhei contigo. Há tanto tempo que te não vejo nem escuto a tua voz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sonhei contigo e acordei a chorar. Não devido ao teor do sonho, inconsequente e disparatado como quase todos os sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas devido à felicidade presente na tua voz gravada na mensagem que sonhei. Como é possível tal felicidade? Como podes tu ser feliz sem mim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-681551177076753986?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/681551177076753986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=681551177076753986&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/681551177076753986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/681551177076753986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/hoje-sonhei-contigo.html' title='Hoje sonhei contigo'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8218650098340086016</id><published>2011-11-03T10:14:00.004Z</published><updated>2011-11-03T14:23:07.568Z</updated><title type='text'>Apolo e Artemisa</title><content type='html'>Ela é pequena e insignificante, inculta e desabrida, mas serve os teus intentos de te esqueceres do tempo que te foge e dos lugares aonde ainda terás de ir naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nem sempre percebe o que tu dizes e dias há em que nem te esforças por lhe dirigir palavra mas é isso mesmo que pretendes, mesmo que nunca o confesses: não teres, por uma ínfima hora, a preocupação de te fazeres entender nem de te explicar, que a tua forma de ser e de pensar nem todos os dias te agrada e nem sempre te apetece reflectir acerca dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és Apolo, perseguidor incansável de Ninfas, adorado mas só, venerado mas ausente, impossível de deter no teu caminho solitário de filho de Zeus. Eu sou Artemisa, tua irmã, a que te lê os pensamentos e te antecipa as palavras e fica enciumada sempre que sais em busca dela ou de qualquer outra Ninfa. E maldosa e vingativa empunho o arco e a flecha disposta a feri-las de morte. Mas tu páras-me desgostoso com a minha actuação e acusas-me de ser infantil e inconsequente. E eu sorrio desdenhosa e afasto-me a fingir que nada do que faças me importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela odeia-me, meu querido, com todas as suas forças, porque repara no meu óbvio desprezo e alheamento da vossa realidade que a ti já nem te consegue incomodar. E grita impropérios contra mim que tu susténs, altivo, porque nunca admitirás o insulto ou a raiva no teu reino de beleza e poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegas até mim, cansado e triste, e murmuras-me ao ouvido com a tua voz cantante: «Porque o fazes? Não sabes que me é indiferente? Então porque te amofinas e te precipitas a fazer-lhe ciúmes e irritá-la?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sorrio, maliciosa, e enquanto te abraço, respondo: «Sou a tua irmã gémea querido Apolo e ainda que não queiras viverei sempre em ti. Nada faço contra as tuas Ninfas. Limito-me a ser Artemisa. E Artemisa entende-te e venera-te e fala a mesma linguagem que tu. E tu teces coroas de flores com que me enfeitas os cabelos. Como podem elas não ter inveja de mim?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8218650098340086016?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8218650098340086016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8218650098340086016&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8218650098340086016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8218650098340086016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/apolo-e-artemisa.html' title='Apolo e Artemisa'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6375717771237730237</id><published>2011-11-02T17:10:00.004Z</published><updated>2011-11-02T22:08:17.809Z</updated><title type='text'>Melpôneme és tu</title><content type='html'>Não sei porque é que as musas têm de ser sempre, necessariamente, mulheres. E fico a cismar, pensativa, neste terrível erro da mitologia, que deve ter sido, decerto, o mais grave que Zeus até hoje cometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não sabes tu, pai dos Deuses, que Melpôneme não é uma mulher? Fico a olhar-te o retrato pensativo e não me restam quaisquer dúvidas de que és tu a musa da tragédia que, talvez contraditoriamente, está sempre alegre e a sorrir. Na verdade, só os néscios não conseguem descobrir dor num semblante feliz ou uma tristeza profunda na plenitude da vida. O que há de mais trágico do que a aparência de infinito ou do que a contextualização da alegria? Nunca somos completos, sempre algo nos há-de faltar enquanto houver ambição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tu és Melpôneme e os teus passos pesados e de couro dirigem-se para mim cheios da certeza e da segurança que são tuas e que só me causam indecisão e pesar. Sinto já, a esta distância, o odor dos ciprestes que te adornam e visto-me de gala para te receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que virás cortante como a adaga que empunhas e com a qual eliminarás os obstáculos que te separam de mim. Nenhum há-de sobreviver à tua passagem. E eu estendo o tapete vermelho com que devo receber quem me inspira e prostro-me no chão, pobre mortal, rendida ao teu poder que me conduz num trilho que bem sei que não me pertence mas é ditado por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu chegas ainda de máscara posta e eu, temerosa que não sejas tu, corro a arrancar-ta e beijo-te o rosto mil vezes querido enquanto, esmagada contra ti, confesso:&lt;br /&gt;«Melpôneme, meu amor: sem ti, nem palavras, nem acordes, nem liras, nem penas, nem nada. Sem ti, apenas o vazio e o horror. Sem ti a tragédia e sem ti a dor.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Zeus olha-nos do seu terrífico trono de trovoada e luz e percebe, finalmente, que se enganou. Porque Melpôneme és tu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6375717771237730237?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6375717771237730237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6375717771237730237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6375717771237730237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6375717771237730237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/melponeme-es-tu.html' title='Melpôneme és tu'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5418258834555297823</id><published>2011-11-01T18:25:00.003Z</published><updated>2011-11-01T18:56:02.617Z</updated><title type='text'>Porque demoras?</title><content type='html'>«Mas só porque vieste fez-se tarde»&lt;br /&gt;Natália Correia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que me esperas num recanto do caminho, impaciente e só, sedento de mim, não podendo conter a expectativa, rodando em círculos como quem já não consegue descobrir mais substância com que entreter o entediante tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que me esperas com a suspeita inquietante de que existo, com a mágoa de que eu não tenha aparecido antes e com a dor dos momentos que já não poderemos viver juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que me esperas porque te sinto o compassado respirar de angústia, o ligeiro estremecer das mãos entreabertas, a voz surda com que me pedes que não me demore porque já não suportas mais o decurso inefável das horas longe de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que me esperas porque também eu te espero tecendo poemas numa angústia de quem já não sabe onde te encontrar, de quem te procurou, correndo, sôfrega, em todas as vielas e caminhos e geme agora porque feriu os joelhos ao cair nas pedras da calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que me esperas porque também eu te espero e dias existem em que não me limito a esperar, em que te procuro em cada recanto da Terra, em que viajo por continentes, ilhas e arquipélagos na esperança de te ver, como te sei, à minha espera: cansado e belo, feliz mas profundo, expectante e zangado e furioso e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouso então o papel sobre o regaço e faço uma pausa nas linhas que ainda não te soube dedicar e olho pela janela que atravessei voando em busca de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ouço a tua voz doce e profunda recriminando-me das profundezas de onde me não vês: «Porque te demoras tanto, meu amor?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5418258834555297823?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5418258834555297823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5418258834555297823&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5418258834555297823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5418258834555297823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/11/porque-demoras.html' title='Porque demoras?'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7956203257406628696</id><published>2011-10-31T12:11:00.003Z</published><updated>2011-10-31T12:33:49.491Z</updated><title type='text'>O Tigre e a Águia</title><content type='html'>Tu és o tigre feroz que percorre com o seu passo macio e silencioso a savana em busca do sangue que o sacie. O teu desejo de posse é maior que a fome que te agiganta o caminhar decidido e és belo e solitário visto daqui, de onde te consigo olhar, sob um prisma totalmente diverso daquele de onde te miram as pobres e distraídas gazelas que consomes, voraz e impiedoso, nos dias de caça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a águia real que te acompanha, por vezes sem que me vejas e outras de forma notória, o deambular incansável por veredas e caminhos, em busca de um destino final que nem tu sabes já qual é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes, alguns dias, o apelo incessante do mar que te pretende levar para longe do teu destino e ficas a matutar em como seria bom teres uma vida pacífica e descansada longe do apelo da selva que te devora. Mas o teu fim último, bem o sabes, é a floresta. O mar, meu querido, é feito para outra espécie de seres. O que és tu sem a luta diária pela sobrevivência, a batalha constante pela vida, o rumorejar infindável do vento nas giestas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Que maçadora és. Que percebes tu de mim e da minha vida?» perguntas-me tu insolente enquanto te estendes preguiçosamente na savana que é o teu mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu poiso sobre a árvore que te sombreia o destino e respondo-te com a calma das águias:&lt;br /&gt;«Tu não percebes porque não és um ser do Ar, como eu. Pertences à Terra e tens apenas a sua linha como horizonte. Mas eu, caro amigo, passo os dias a voar e tenho de tudo uma perspectiva distinta da tua. Vejo-te como tu próprio não consegues observar-te. É essa a minha felicidade. Mas é também a minha dor.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Precisamente, por isso. Não vês?» - respondes-me tu, subitamente soturno. «Não estamos destinados a encontrar-nos. És tonta em continuar a seguir-me. Bem sabes que nunca poderemos coabitar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Meu amor, que presunçoso és.» - respondo-te eu num bater de asas com que me afasto para longe. «Como sabes que é ainda a ti que te sigo? E o que será de ti quando a tua solidão percorrer  esta selva a que bem sabes pertencer, e, não vendo a minha sombra a guiar-te o caminho, olhares para cima e te aperceberes perdido de mim?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7956203257406628696?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7956203257406628696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7956203257406628696&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7956203257406628696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7956203257406628696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/o-tigre-e-aguia.html' title='O Tigre e a Águia'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5252965241783053831</id><published>2011-10-30T00:35:00.003+01:00</published><updated>2011-10-30T00:50:25.352+01:00</updated><title type='text'>Críticos literários e escritores</title><content type='html'>Custa um bocadinho ouvir os críticos literários ou, até mesmo os leigos, a falar sobre aquilo que outrem escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem escreve um livro acaba por lhe ter uma dedicação e um apego semelhantes (retirada aqui alguma dose de exagero que incluo para melhor me fazer compreender) ao que se tem a um filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um produto nosso, reflecte a nossa alma, a nossa maneira de encarar a vida e de a observar. É, no fundo, em última instância,a nossa capacidade de análise da realidade e da sua posterior crítica e dissecação que está em causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever um livro não é fácil. Mesmo que o tema seja considerado já muito vulgar ou corriqueiro. Não é. E, por isso mesmo, só se devia atrever a criticar quem se aventurou já por esses caminhos. De outra forma, nunca o conseguirá fazer cabalmente.&lt;br /&gt;De qualquer forma, nunca o deveria fazer recorrendo a expressões cruéis ou degradantes. Até porque a sua utilização lhe retirará qualquer razão que possa, eventualmente, ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, quanto a mim, penso o seguinte: para se escrever é necessário, antes de mais, saber fazê-lo. Dominar a linguagem e conseguir manipulá-la de forma a obter o efeito pretendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é necessário muito mais que isso: é preciso ter capacidade de análise e de crítica da realidade que nos rodeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém deveria escrever por escrever. E quem escreve tem uma missão importantíssima de descrição e de emissão de opinião acerca da realidade social da época em que vive. Pode não ser fácil. Pode ser-se objecto de censura ou de discriminação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é precisamente por ser difícil que deve ser sempre esse o objectivo último de um escritor: alertar para os aspectos negativos do mundo em que vive. Aqueles que precisam seriamente de correcção. E louvar os positivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outra forma, para que servirá escrever-se?&lt;br /&gt;Se for para enfeitar prateleiras ou mesas de sala de muito pouco terá servido o esforço dispendido...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5252965241783053831?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5252965241783053831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5252965241783053831&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5252965241783053831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5252965241783053831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/criticos-literarios-e-escritores.html' title='Críticos literários e escritores'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6796566865864598457</id><published>2011-10-28T23:30:00.002+01:00</published><updated>2011-10-28T23:44:44.257+01:00</updated><title type='text'>Erros de casting</title><content type='html'>Há quem tenha capacidade técnica e quem disponha de perfil de liderança.&lt;br /&gt;Há quem tenha inerentes à sua personalidade características de comando e quem seja, sobretudo, competente no domínio de determinada técnica.&lt;br /&gt;Não somos todos iguais nem dispomos de forma uniforme dos mesmos requisitos. E é muito raro encontrar-se alguém que detenha, em simultâneo, extensos e profundos conhecimentos numa área e uma personalidade apta a tomar correctas decisões de gestão. São raras estas pessoas, mas existem. E quando são descobertas rapidamente se transformam em figuras de relevo no ramo empresarial. Precisamente porque não é fácil nem comum reunir tantas qualidades numa só pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por norma, capacidade de liderança implica coragem e firmeza na tomada de decisões, vontade de manter o equilíbrio entre eficiência e eficácia, obtendo os maiores resultados com o dispêndio do mínimo de recursos, e sucesso na motivação dos colaboradores, por forma a que eles desempenhem de boa vontade mesmo as tarefas mais difíceis e ingratas. Para se ser um líder não é necessário deterem-se conhecimentos profundos em certo sector de actividade. Basta que se tenha a pespicácia e o saber de se saber rodear convenientemente. Um líder tem de saber delinear grandes linhas programáticas de actuação. Não tem de conhecer ao pormenor a forma de as executar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um técnico é precisamente o oposto: é alguém que detém conhecimentos muito vastos numa área de especialização mas que não carece de ter uma capacidade apta à delineação e prossecução de objectivos estruturais. É alguém que informa, que aconselha e que orienta. Mas não é quem tem a responsabilidade de tomar decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos todos iguais. Ambas as funções (técnicas ou gestionárias) são importantíssimas e imprescindíveis. Mas nem toda a gente tem perfil técnico assim como não é fácil encontrarem-se perfis de liderança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deve esta distinção estar sempre presente na mente de quem decide...para que não ocorram constantemente erros de casting.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6796566865864598457?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6796566865864598457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6796566865864598457&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6796566865864598457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6796566865864598457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/erros-de-casting.html' title='Erros de casting'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8687866101571884085</id><published>2011-10-27T23:37:00.002+01:00</published><updated>2011-10-28T00:04:37.431+01:00</updated><title type='text'>O Bem e o Mal</title><content type='html'>Diz-se que aquilo que se faz por amor está para além do bem e do mal. Eu acho que esta afirmação não corresponde completamente à verdade porque não consigo deixar de sentir que há algo de perverso e errado no meu amor por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te e sei que não deveria amar-te, desejo-te e tenho consciência de que não o posso fazer, faria qualquer coisa para remover os obstáculos que nos separam e, contudo, dizem-me todas as minhas convicções que não seria correcto fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, Amor, gostaria tanto, mas tanto, de ser diferente. De ser uma das meninas tolas e levianas que frequentam a tua cama e das quais te esqueces mal passas o limiar da porta. Talvez elas sejam como tu e te consigam apagar também, de imediato, das suas memórias, mesmo das mais próximas e imediatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sabes? Não consigo ser assim. Não faz parte da minha natureza e cada qual é como é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tanta inveja delas! Penso, por vezes, como seria bom consumir-te num momento para logo a seguir te olvidar, ter-te dentro de mim e, no minuto subsequente, não me importar nada que vás para longe, que te afastes, que os teus passos não percorram os mesmos caminhos que os meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegues perceber, não é verdade? Sei bem que compreendes. Que me entendeste desde o primeiro instante, que me sorveste a alma desde o primeiro olhar, que me conheces com a clareza de quem me acompanha desde a infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera, meu querido, ser assim: livre destes grilhões afectivos e morais que me mantém, pesadamente, longe de ti. E fico a cismar, alheada do que me rodeia...Ah, se eu fosse como elas! Poder ter-te nos braços sem enlouquecer a seguir com a perspectiva de te ver partir para outro regaço, sem morrer de dor a imaginar-te em outros braços, sem me desfazer em prantos por passar dias sem ouvir a tua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, contudo, que direito tenho eu de reclamar a tua presença junto de mim? Nenhum. Mas tinha (tenho ainda!) tanta fé em que, um dia, seja o amor e não qualquer tipo de obrigação a trazer-te para junto de mim! Mas tu mantens-te distante e silencioso. Talvez te escondas do Cupido que enviei para te ferir de morte. Talvez saibas que a proximidade traria consigo o desastre e talvez já não fosses capaz de suportar mais uma dor que fosse na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entrego a Deus e ao destino a nossa sorte futura, sabendo que nos havemos de reencontrar mas desconhecendo o que poderemos sentir ou fazer. E guardo na alma apenas a certeza de que tudo faria para atravessar o rio que me separa de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo: construir um barco, içar-lhe as velas e deixá-lo navegar ao sabor do vento...até ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sabendo que é errado, que não o deveria desejar e muito menos fazer. Mas com a consciência de que aquilo que sinto, se não está para além do bem e do mal está certamente para além das minhas forças e da minha capacidade de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De te resistir a ti e ao que em mim conseguiste despertar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8687866101571884085?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8687866101571884085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8687866101571884085&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8687866101571884085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8687866101571884085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/o-bem-e-o-mal.html' title='O Bem e o Mal'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7392318948833711</id><published>2011-10-26T17:05:00.007+01:00</published><updated>2011-10-26T22:43:18.799+01:00</updated><title type='text'>Inspira-me!</title><content type='html'>Que relação tem um escritor com quem o inspira?&lt;br /&gt;Uma relação de proximidade, de afecto, de interesse e, sobretudo, de gratidão.&lt;br /&gt;Um escritor sem inspiração não existe, não é nada, e coisa nenhuma o distingue ou particulariza de qualquer outra pessoa.&lt;br /&gt;Um escritor escreve acerca do que experimentou ou acerca de factos ou sentimentos vividos por pessoas que lhe são próximas ou que, não o sendo, lhe deixaram uma impressão demasiado forte para poder deixar de ser transmitida. Há até quem leve a necessidade de inspiração a extremos de auto-destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqui escrevi que George Sand manteve, durante alguns anos, uma relação amorosa com o também escritor Alfred de Musset. A relação terminaria devido à vida de excessos de Musset, que entendia que só lhe era possível escrever bem se se entregasse a toda a espécie de vícios e desregramentos em que ressaltavam o álcool e as mulheres. George Sand que era escritora e tinha uma natureza sensível não o conseguiu suportar e o rompimento foi inevitável, apesar de terem mantido a amizade e a correspondência durante toda a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo isto para salientar a extrema importância que as pessoas e factos inspiradores têm na vida de quem escreve. Quem constrói personagens baseia-se sempre em alguém. Não quer dizer isto que a uma personagem corresponda sempre uma pessoa. Por vezes, uma personagem reune características de duas ou mais pessoas. Mas quem escreve, escreve geralmente sobre aquilo que conhece e lhe desperta sentimentos: ou positivos ou negativos. Ninguém escreve sobre o que lhe é indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que um escritor deve ser grato a quem o inspira. Sem musas não há personagens. Sem personagens não há escrita. E sem escrita não há livros.&lt;br /&gt;Vale a pena, pois, louvar as musas. Sem elas, nenhuma inspiração seria possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um escritor sem inspiração é como um moínho sem farinha: podem as pás girar durante todo o dia. Nenhum pão será possível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7392318948833711?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7392318948833711/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7392318948833711&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7392318948833711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7392318948833711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/inspira-me.html' title='Inspira-me!'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1982237159216853525</id><published>2011-10-26T12:14:00.002+01:00</published><updated>2011-10-26T13:06:41.368+01:00</updated><title type='text'>Santas e Mártires</title><content type='html'>Fico, por vezes, a pensar como será viver contigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordar e deitar contigo, acompanhar-te nas refeições, dar-te a mão no cinema,comentar contigo a imprensa diária, ouvir a música que gostas de escutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico, por vezes, a pensar como será viver contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver o teu sorriso a cada instante, sentir-te o perfume doce em cada recanto da casa, escutar-te o passo inseguro ao dobrar a esquina da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico, por vezes, a pensar como será viver contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir-te chegar e saber que vieste de outros braços, beijar-te fingindo indiferença e sentir o odor de outro perfume que não o meu nem o teu, escutar-te a descrição mentirosa de um dia que não viveste ou a que alteraste ou retiraste momentos ou horas na tentativa de me ocultares a verdade sobre ti. Como se eu não soubesse. Ou melhor, como se ela não soubesse. Ou calculasse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico por vezes a pensar como será viver contigo e quase santifico em pensamento quem se dispõe a tal. Que espírito de sacrifício, que amor, que dedicação a move? A de uma Santa, decerto. Que não a de uma mulher vulgar. Como eu. Que sou o mais vulgar e normal possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Santa que só tem de o ser porque há outras mulheres que se contentam com as tuas migalhas e restos e desconsideram, por falta de princípios ou carácter ou afectos, o facto de teres uma família a cuidar e uma mulher a quem deves respeito e dedicação. Deves, mas não cumpres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sou uma Santa e nem sequer me contento com restos nem migalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que, quando me pergunto como seria viver contigo diariamente, só me ocorre uma resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um martírio. Um longo, insuportável e terrível martírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora se eu não sou Santa, muito menos tenho vocação para mártir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1982237159216853525?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1982237159216853525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1982237159216853525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1982237159216853525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1982237159216853525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/santas-e-martires.html' title='Santas e Mártires'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-9071291224985900172</id><published>2011-10-26T10:57:00.002+01:00</published><updated>2011-10-26T12:07:47.777+01:00</updated><title type='text'>Democracia e tolerância</title><content type='html'>A democracia implica tolerância. Se não existir respeito pela opinião alheia, por muito que ela nos seja desfavorável ou contrária, não estaremos a sujeitar-nos ao menos imperfeito dos sistemas de Governo mas a pretender submeter-nos a uma outra realidade qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este respeito que está, aliás, consagrado constitucionalmente, obriga-nos a todos. E não pode nem deve ser impeditivo da manutenção de relações de cordialidade e, por vezes, até estima e amizade. Quando isso não acontecer, muito mal estaremos nós. Independentemente das nossas convicções é imperioso persistirmos numa atitude de distanciamento saudável que nos permita não só avaliar de forma consistente a bondade da actuação alheia como também pautar a nossa própria conduta por estritos princípios de correcção e eticidade. E admitir que, por vezes, também erramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica em democracia abrange as mais diversas formas. A liberdade de expressão assim o determina. E a evolução tecnológica acrescentou cor e dinamismo e rapidez ao modo como comunicamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, criticar uma política, uma medida ou uma atitude não é nem deve ser recriminar uma pessoa. Pode-se ter estima e apreço pessoal por alguém e, ainda assim, não se concordar com a forma de actuação dessa pessoa em certo momento ou com as medidas que esta adopta ou preconiza. Pode até acontecer-nos isto em outra dimensão, com amigos ou familiares nossos. A tolerância deve e tem de estar presente. Sempre. Sempre presente em tudo o que fazemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obrigação é tanto maior quanto mais elevada é a posição que se ocupa na hierarquia da sociedade. Quanto maior o poder é, maior deve ser a responsabilidade. Pela nossa actuação. E a dos demais. E maior deve ser a tolerância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a democracia não sobrevive sem ela. Sem a tolerância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-9071291224985900172?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/9071291224985900172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=9071291224985900172&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/9071291224985900172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/9071291224985900172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/democracia-e-tolerancia.html' title='Democracia e tolerância'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5537324496375237677</id><published>2011-10-25T15:16:00.004+01:00</published><updated>2011-10-25T22:32:15.840+01:00</updated><title type='text'>Cleópatra, Marco António e Ptolomeu</title><content type='html'>Hoje eu sou a Princesa da Tristeza, a Castelã da Infelicidade, a Guardiã do Desalento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou a própria noite, e toda a tristeza e dor do Mundo confluem para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a culpa é tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É forçoso que este abatimento dê lugar à raiva, que este sofrimento seja suplantado pelo ódio, que esta indignação se traduza em vingança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escusas de dizer que sou louca, de inventar desculpas, de esgrimir argumentos. De dizer que mal te conheço, que nada sei a teu respeito, que é impossível amar-te. A dor, asseguro-te, existe e é palpável e real. A dor é minha. A culpa é tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mando então chamar o meu séquito real para que iniciemos a campanha de investida contra o teu reino de trevas e mal, de crueza e indignidade. Do alto do meu trono incentivo-os para a luta e para a sangrenta e feroz batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A vossa Cleópatra foi seduzida e depois traída e enganada por esse Marco António malfazejo que a fez amá-lo sem lhe dar qualquer hipótese de fuga para depois, mais tarde, se retirar deixando este Egipto que habitamos deserto da sua presença e árido do seu amor. Com uma camponesa! Várias camponesas. Reles e indignas camponesas. Sem dignidade nem brio nem inteligência nem mérito. Nem sequer a beleza de Cleópatra.» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, descendo as escadas, indignada e furiosa, chamo Ptolomeu, meu filho e entrego-lhe o comando do exército e coloco a vida do Egipto e a minha felicidade em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Vai!» - digo-lhe - «e não os poupes. Não poupes esses malditos romanos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ptolomeu segura novamente com a sua mãozinha pequena e macia na espada de madeira e, entrando-me pelo quarto adentro, acaricia-me a vasta cabeleira em alvoroço e murmura com a sua vozinha de criança:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ele fez-te chorar. Queres que lhe bata, mamã?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sorrio, aperto-o contra o meu peito e, enchendo-o de beijos, respondo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Daqui a uns anos voltamos a ter, filho, esta conversa.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5537324496375237677?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5537324496375237677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5537324496375237677&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5537324496375237677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5537324496375237677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/cleopatra-marco-antonio-e-ptolomeu.html' title='Cleópatra, Marco António e Ptolomeu'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6494246474264818660</id><published>2011-10-25T12:59:00.003+01:00</published><updated>2011-10-25T13:16:19.315+01:00</updated><title type='text'>Luto</title><content type='html'>«Tenho vinte e três anos!&lt;br /&gt;Sou velhinha!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florbela Espanca "Velhinha"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou eu a velhinha de que fala o poema lido e relido nas tardes da adolescência. Hoje, e só hoje, finalmente, o compreendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou velhinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carrego no peito o peso de anos de amargura e no corpo o estigma da roupa preta que visto por luto dos que perdi. E não há luto pior do que aquele que se faz por quem se perdeu sem, sequer, se ter conseguido encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrasto os pés pesadamente pela rua e tenho a visão turva, mais das lágrimas que da idade, mais do desgosto que da chuva matinal. O cabelo cai-me sem brilho sobre os ombros porque a felicidade que o enchia de luz desapareceu. E prendo um lenço negro sob a nuca a tapar-me toda a testa para que as mulheres da aldeia não digam que o meu desgosto é leve e tornarei em breve a arranjar novo amor. Não sabem o que dizem, as velhas da aldeia: o meu coração é empedernido e só, seco como uma planta mal regada e rijo como um pão de quatro dias. Quem conseguirá lá entrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De terço pendente na mão avanço sobre a tua sepultura e só então choro, sozinha, sujando as unhas na terra escura que te cobre o corpo amado. Gemo e soluço alto porque talvez assim esta dor saia e se solte. Talvez se a expressar desapareça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E passo todo o dia assim: à espera da hora em que ficarei comigo e em que a solidão poderá ser testemunha de toda a minha aflição e de toda a minha mágoa. Hei-de parar, depois, transida de cansaço, com grandes sulcos vermelhos a inchar-me a face disforme e os olhos a lançarem faíscas de pesar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas noto então, Amor, que, no preciso local onde te sepultei e onde vou ainda chorar a cada minuto, fez Deus nascer uma papoila rubra e incendiária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sorrio e penso para comigo: que ela cresça vívida e bela e que, à medida que cresce e floresce, possa morrer no meu peito quem eu já eliminei na minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6494246474264818660?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6494246474264818660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6494246474264818660&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6494246474264818660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6494246474264818660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/luto.html' title='Luto'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1763929732089555405</id><published>2011-10-24T23:18:00.003+01:00</published><updated>2011-10-24T23:57:50.890+01:00</updated><title type='text'>Morreste-me</title><content type='html'>Hoje morreste-me de uma morte igual à física: irreversível, inadiável, inconsolável. A morte de quem eu amava, do meu outro eu, da minha própria vida. Tu não percebes porque para ti tudo é fácil e simples e finito. Tu não percebes porque para ti tudo foi completamente indiferente. Tu não percebes porque aquilo que para mim foi singular e único para ti não passou da centésima ocasião de divertimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, contudo, hoje morreste-me. E não consigo evitar ser viúva  sendo certo que o não sou. E toda vestida de preto e coberta com véus de desgosto, caminho a pé, como nas aldeias, atrás do teu caixão que não quero deixar ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pergunto-te vezes sem conta agarrada, como uma velhinha, ao teu féretro que, para mim, é sagrado: «Porque me fizeste isto? Porquê? Porquê? Porque me fizeste amar-te se sabias que seria assim? Porque me morreste, sabendo que eu não poderei viver sem ti? Porque me abandonas nesta noite escura?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje morreste-me, meu amor, e de uma morte agonizante e horrenda que me faz verter lágrimas de dor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pergunto-te ajoelhada aos pés da cova que te abri com as minhas próprias mãos, enquanto bato com os punhos no peito, mesmo sabendo que não me responderás: «Porquê? Porque é que o fazes? Tu, que és tão belo e tão gentil e tão perfeito...porque teimas em juntar-te aos vermes que percorrem a terra fúnebre, porque insistes em mediocrizar-te ao permitires que te devorem e que clamem aos céus que o teu corpo é deles? Porquê? Porque?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eles não páram, amor, de deitar terra, apesar de eu gritar desesperada, como uma louca, que não o façam: que me deixem ainda mais um pouco junto de ti. Mas eles não páram, não páram de te matar e ao que sinto por ti. Não páram. E em breve a tua cova está tapada e tu já não estás mais diante de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E jogo-me, também eu desesperadamente morta, sobre a tua sepultura e juro-te que hei-de ser-te sempre fiel, até depois da tua morte, até depois do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hei-de parar todos os relógios meu amor. Todos. E para ti hei-de deixar de viver também. Desde o dia em que fui tua. Desde o último dia em que vivi. Desde o momento em que me deixaste só. Só, sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê? Porque me deixaste só nesta noite escura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me morreste? Porque me obrigas a sepultar-te com as minhas próprias mãos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Então, adeus, meu amor e até sempre» - despeço-me eu, quase sem me ter em pé, amparada pelas carpideiras que me tentam consolar com o seu choro fingido e o seu desgosto inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E que deus retire do teu caminho e daqueles a quem amas esta dor trucidante com que me crucificaste o peito.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1763929732089555405?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1763929732089555405/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1763929732089555405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1763929732089555405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1763929732089555405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/morreste-me.html' title='Morreste-me'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1554626569028860258</id><published>2011-10-23T21:02:00.003+01:00</published><updated>2011-10-23T21:17:00.356+01:00</updated><title type='text'>Se me queres</title><content type='html'>Se me quiseres, hás-de fazer o mesmo que o mar faz ao tentar alcançar a lua, tornando-se maior na sua beleza violenta e reflectindo com doçura o seu reflexo adorado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me quiseres, hás-de senti-lo com a força da queda de água cujo curso ninguém consegue conter e o destino não pode moldar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me quiseres, saberás que não me interessam contratos nem formalidades mas tão só a tua paixão cega e febril e a tua entrega ilimitada ao meu desejo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me quiseres, não me entretenhas com fábulas nem quimeras a teu respeito nem me digas ou jures o que farás a seguir...limita-te a deixar-te levar como as folhas de Outono se entregam à dança do vento na certeza de que ele lhes há-de indicar o percurso a seguir;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me quiseres diz-mo, abertamente e sem receios, de forma a que eu o compreenda, porque bem sabes que seria incapaz de te magoar. Pode a leve pluma feita de ar fazer mossa ao tocar no corpo fugidio do falcão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua recompensa há-de ser a que já conheces...&lt;br /&gt;O fanatismo da minha adoração, o absolutismo da minha dedicação e o meu corpo nu entre os teus braços.&lt;br /&gt;Basta apenas que mo digas...e que sejas capaz de um gesto de infinitude e de plenitude que me faça esquecer os desencontros que, tristemente, nos afastaram um do outro sem que tenhamos conseguido cumprir-nos enquanto amantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1554626569028860258?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1554626569028860258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1554626569028860258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1554626569028860258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1554626569028860258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/se-me-queres.html' title='Se me queres'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2711695566668857580</id><published>2011-10-22T16:46:00.003+01:00</published><updated>2011-10-22T17:18:11.331+01:00</updated><title type='text'>A Cigarra, a Toupeira e a Formiga</title><content type='html'>Certo dia de Primavera, a Formiga que, como sabemos, é previdente, resolveu começar a preparar um abrigo que lhe permitisse enfrentar o Inverno uma vez que sabia que não demoraria menos que uns longos meses a fazê-lo. Laboriosa e penosamente, recolheu cada grão de terra a fim de ir escavando um túnel suficientemente profundo para a proteger do frio, do vento e da neve, onde foi depositando mantimentos para não ter de sair nos tempestuosos dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, do nascer ao pôr do Sol,a formiga se entregava à sua difícil e sacrificada tarefa tendo sempre em mente o seu objectivo último e auto-motivando-se com a perspectiva de vir a usufruir do aconchego e protecção do abrigo que construía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, portanto, com espanto que observava a descontracção e os dias alegres e de constante lazer da sua vizinha cigarra que, não parecendo nada preocupada com a chegada dos meses frios que, segundo ela, ainda vinham longe, ia-se entretendo a nadar no lago, a apanhar Sol por entre as ervas altas da campina ou a cantar, sempre que a noite começava a cair e o luar cobria com a sua luz azulácea toda a floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, cansada de tanto trabalhar, a formiga acercou-se dela e resolveu questioná-la directamente:&lt;br /&gt;«Cigarra: não temes o Inverno? Olha que qualquer dia hás-de ser surpreendida por ele sem que tenhas ainda um abrigo para te proteger.»&lt;br /&gt;«Preocupar-me para quê? Não sou uma solitária como tu, Formiga. Tenho muitos amigos poderosos. Quando os meses frios se aproximarem, sei que um deles me há-de ajudar a, rapidamente e sem esforço, construir um abrigo. Para além disso, sou talentosa e inteligente. Aposto em como consigo escavar um túnel para mim muito mais depressa do que tu.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste e desanimada a formiga afastou-se suspeitando que a cigarra tinha razão e lá continuou a sua difícil e árdua tarefa com sacrifício e empenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi: um dia o Outono chegou trazendo consigo os primeiros ventos e as primeiras chuvas.&lt;br /&gt;E logo a cigarra chamou a sua amiga toupeira que, sem esforço e em poucas horas construiu para ela um túnel semelhante ao que a formiga demorara meses a fazer. Semelhante, mas ainda mais perfeito, mais largo e mais seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triunfante, a cigarra exclamou para a formiga: &lt;br /&gt;«Como podes ver, terei um Inverno ainda mais confortável do que o teu. E tudo devido ao meu talento, à minha esperteza e à minha evidente superioridade.»&lt;br /&gt;Tristemente, retorquiu-lhe a formiga:&lt;br /&gt;«Mas, cara amiga: se são assim tão evidentes todas essas tuas qualidades, porque não cosntruíste tu o teu túnel sozinha? Para que precisaste de chamar a toupeira para fazer por ti o que era suposto edificares com as tuas mãos?»&lt;br /&gt;Ufana, a cigarra virou-lhe as costas, convicta da sua razão e retirou-se para o seu abrigo sempre a cantar e a vangloriar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Inverno adensou-se pela Floresta com todo o seu rigor e a chuva caía em grossas bátegas de água sobre a terra enlameada. Os pobres animais indefesos tiveram de se retirar para outras paragens ou para os locais que haviam preparado para hibernar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, uma tempestade mais forte fez ruir o Túnel da Cigarra que, desprotegida e indefesa, clamou, em vão, pela amiga toupeira que se havia retirado para passar a estação em mais agradáveis paragens. Aflita, ainda tentou reconstruir o Túnel, mas não sabia como o fazer: pois se nem aquele tinha sido ela a edificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu então à porta da formiga que, entediada e sem lhe abrir a porta, lhe responde de dentro do conforto do seu lar:&lt;br /&gt;«Amiga: não é verdade que és tão esperta, sagaz e diligente que construíste em uma hora aquilo que eu, pobre pateta, demorei quase um ano a lograr obter? Pois fá-lo novamente que eu, com a minha falta de jeito e de audácia, certamente, só serviria para te atrapalhar...»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2711695566668857580?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2711695566668857580/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2711695566668857580&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2711695566668857580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2711695566668857580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/cigarra-toupeira-e-formiga.html' title='A Cigarra, a Toupeira e a Formiga'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2322843788396888052</id><published>2011-10-21T11:55:00.003+01:00</published><updated>2011-10-21T12:14:37.585+01:00</updated><title type='text'>Apanha da azeitona</title><content type='html'>Os teus olhos são duas azeitonas maduras e negras que eu enxoto com a minha vara de camponesa na tentação de as fazer cair no meu colo nu agora que Novembro se aproxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acerco-me de ti com os meus passos leves e matreiros de rapariga, levantando a saia para que não ouças o seu roçagar na folhagem. Quedo-me, por vezes, longo tempo sentada entre os arbustos a observar-te e ao teu perfil de oliveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És tão bonito.&lt;br /&gt;O tempo criou-te nódulos suaves nas mãos feitas de madeira e a tua cabeleira de folhagem reflecte já na cor o passar do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que esperas a minha vinda porque também tu não podes ignorar a chegada de Novembro. Novembro, o senhor do Outono que há-de invadir-nos os campos com o seu manto de vendaval e o seu ceptro de chuva. E a acompanhá-lo virei eu, armada de vara e cesta, para colher o teu olhar sobre o meu seio ainda miraculosamente firme. Tem de ser,amor, é forçoso que o faça.&lt;br /&gt;Senão, como teremos azeite para as lamparinas de Inverno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu vês-me aproximar e assim te manténs, altivo e distante, mirando o semblante carregado do céu que subitamente se tornou assim, cinzento e frio.&lt;br /&gt;E eu prendo a saia com uma fita negra e grosseira e aventuro-me no teu corpo áspero e rijo de árvore, enquanto tu me repreendes «Não devias fazer isso. Uma senhora não sobe às árvores. Devias ter trazido um camponês para te ajudar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sorrio, com o meu sorriso de camponesa, alegre e solto e despreocupado e bom e pergunto-te com olhar ladino «Mesmo que a árvore sejas tu?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu sorris bondoso e compreensivo perante a minha desajeitada investida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fico assim a pensar que bom seria, meu querido, se fôssemos ambos figuras da aldeia portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que Deus nos tivesse poupado a este destino de seres pensantes e sofredores em que nos quis, à força, entronar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2322843788396888052?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2322843788396888052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2322843788396888052&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2322843788396888052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2322843788396888052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/apanha-da-azeitona.html' title='Apanha da azeitona'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1968414611280488390</id><published>2011-10-19T10:09:00.003+01:00</published><updated>2011-10-19T10:23:27.822+01:00</updated><title type='text'>Subvenções e privilégios</title><content type='html'>Ontem, na sua participação habitual no Programa Prova dos Nove, na TVI, Pedro Santana Lopes expressou a sua opinião acerca da questão das subvenções dos ex-titulares de cargos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria de esperar, defendeu que as reduções têm de ser maiores do que a maior que é aplicada a funcionários públicos. E, para cidadãos em idade activa e com rendimentos elevados, admitiu mesmo a suspensão global. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realço que as declarações do ex-Primeiro Ministro não me surpreenderam. É um dos políticos nacionais mais justo e igualitário que conheço e, ainda recentemente, prescindiu do vencimento a que teria direito, na qualidade de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos agora aguardar pela pronúncia oficial do Governo.&lt;br /&gt;Pedro Passos Coelho tem uma oportunidade para demonstrar que tudo fará para equilibrar a situação orçamental do País. Que é grave, muito grave, como sabemos. Já aqui escrevi que não me importo nada de fazer sacrifícios em nome do bem comum e desde que isso contribua para que possamos entregar uma Nação mais forte e competitiva às gerações futuras, mesmo que isso implique prescindir de um pouco de qualidade de vida. Creio que todos os cidadãos conscientes pensarão assim. E entenderão que o actual Primeiro Ministro não teve qualquer responsabilidade nesta crise e está, tão somente, a tentar resolvê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se cada um de nós começar a sentir que os sacrifícios não atingem todos, mas apenas alguns e precisamente os que menos têm, já a situação ganhará contornos completamente distintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacrifícios por Portugal, sim , com certeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacrifícios para que alguns possam manter os seus privilégios e o seu nível de vida intocado, ai isso é que não!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1968414611280488390?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1968414611280488390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1968414611280488390&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1968414611280488390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1968414611280488390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/subvencoes-e-privilegios.html' title='Subvenções e privilégios'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6293808619280037411</id><published>2011-10-18T10:09:00.003+01:00</published><updated>2011-10-18T10:25:42.491+01:00</updated><title type='text'>Por morrer uma andorinha...</title><content type='html'>Pensaste que eu te iria amar para sempre, que nunca te conseguiria esquecer, que eras insubstituível na minha vida e a minha sobrevivência diária dependia de ti.&lt;br /&gt;Enganaste-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensaste que ao partir me dilacerarias o coração, me esfolarias a alma e me impedirias de continuar, impassível e igual a mim próprio, trilhando o caminho que escolhi ser meu.&lt;br /&gt;Que grande equívoco o teu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiveste a veleidade de pensar que, por ti, tudo abandonaria e que serias a tenaz que apertaria até a esmagar a minha vida presente e que aceitaria ser teu incondicionalmente, partindo sem olhar para trás.&lt;br /&gt;Como vês, isso não sucedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de te ires, procurei afogar a mágoa da tua partida em todos os corpos que encontrei pelo caminho. E em cada um deles deixei uma parte da dor que me causaste até a extinguir, até a fazer obnubilar-se em cada gesto de luxúria e de prazer. E, talvez se tivesse concluído ser impossível fazer-te desaparecer no meio do turbilhão em que tornaste a minha existência, tivesses conseguido ganhar esta guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas perdeste-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que, inicialmente, nenhum pecado se sobrepôs ao nosso, nenhum corpo me fez recordar o teu, nenhum beijo se igualou ao que trocámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois ela apareceu. E não consegui sequer comparar-vos porque a tua imagem se evaporou diante de mim como a água que ferve no bule em que preparo o chá do meio da tarde. (e que saudades das tardes de Inverno em que a delícia de o beber aumenta a gula com que o sorvo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O odor dela fez-me esquecer o teu e o seu sabor, que já não sei se era acre ou doce entonteceu-me os sentidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi então. Que és perfeitamente dispensável e  supérflua na minha vida. E que foste apenas um divertimento do qual usufruí durante algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continuo sem ter a minha vida resolvida. E, apesar de me sentir confortável, sinto falta (tanta, tanta) da emoção e do perigo, da paixão e da tormenta. E sei que só quando me conciliar comigo e reconhecer o que me faz falta para conseguir ser totalmente pleno e feliz poderei, desassombradamente, seguir o meu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nunca mais te recordar. Nem àquela ninfa com boca de ameixa que te eliminou, subitamente, do mar revolto do meu pensamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6293808619280037411?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6293808619280037411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6293808619280037411&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6293808619280037411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6293808619280037411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/por-morrer-uma-andorinha.html' title='Por morrer uma andorinha...'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4749185508501425697</id><published>2011-10-17T12:34:00.003+01:00</published><updated>2011-10-17T14:09:31.323+01:00</updated><title type='text'>Partir para longe</title><content type='html'>Muitos amigos meus, da minha idade, da minha geração, mostram-se desgostosos com o Estado do País a ponto de colocarem a hipótese de se irem embora, de mudarem definitivamente de rumo e de vida. E quando falo do Estado do País não me refiro apenas à grave crise económica que vivemos e às medidas gravosas adoptadas no Orçamento de Estado. Refiro-me à opinião que a generalidade das pessoas bem informadas vai tendo acerca da nossa classe política em geral e da necessidade de uma alteração radical de mentalidades e posturas perante o interesse público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte desses meus amigos tem, tal como eu, os filhos colocados em instituições de ensino privado que têm como referência o facto de adoptarem no seu ensino uma segunda língua básica paralelamente à língua portuguesa. Estas escolas têm, habitualmente, protocolos de colaboração com instituições de ensino estrangeiras e proporcionam facilidade de acesso aos mercados de trabalho respectivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntam-me: gostarias que o teu filho, uma vez terminada a licenciatura, optasse por trabalhar fora de Portugal? Não, não gostaria. Gostaria que aqui permanecesse e que contribuísse para fazer do nosso País uma Nação de que todos nos orgulhássemos e onde não se falasse constantemente em corrupção e compadrio. Um País que proporcionasse a todos os seus cidadãos o mínimo de conforto compatível com a dignidade humana. E onde a ética e a correcção fossem palavras constantes do léxico da classe política e da classe empresarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu País não é apenas o pedaço de território onde por acaso nasci. É a minha Pátria, a minha referência cultural, a minha identidade, a minha religião, a minha família e o destino último do meu trabalho diário. Aqui quero, teimosamente, permanecer. E quero que o meu filho permaneça apesar de, em última instância,ser a vontade dele que será determinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que faço o esforço de o manter numa escola privada de referência com acesso a mercados de trabalho estrangeiros. Não para que vá. Mas para que fique.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4749185508501425697?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4749185508501425697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4749185508501425697&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4749185508501425697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4749185508501425697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/partir-para-longe.html' title='Partir para longe'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5790224382745275773</id><published>2011-10-16T20:23:00.004+01:00</published><updated>2011-10-16T20:39:05.036+01:00</updated><title type='text'>Tinhas razão.</title><content type='html'>"Todo o homem tem três carácteres: o que ele exibe, o que ele tem e o que pensa que tem."&lt;br /&gt;Karr , Alphonse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto ter de dar-te razão. Mas não tenho alternativa senão colocar, desta vez (e apenas por uma vez) a minha mão a jeito para que a açoites. Não te conhecia e, ao avançar um pouco (um milímetro, apenas) naquilo que de ti sei logo a tua imagem idealizada, vivente dentro de mim como um sonho irrealista, se desmorona, frágil perante a tua realidade, tão idêntica à de muitas outras pessoas que conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julguei-te um colosso de idealismo e probidade, uma figura de isenção semelhante à das figuras mais emblemáticas de Eça, um exemplo de virtude e de saber. Tu próprio me indicaste o caminho, lembras-te? Levaste-me a uma encruzilhada e disseste-me: aquele é o caminho certo e é lá que me encontrarás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, contudo, eu sou uma pessoa de pormenores. Sou assim, não sei se sabes: perfeccionista até à mesquinhez, rigorosa e rígida até à náusea, crítica como uma censuradora oficial. Porque só sei ser assim. Porque a estrita observância dos princípios que me transmitiram desde a infância assim mo impõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que, hoje, a tua frágil estátua de areia se desfez ao sopro de um vento leve e tombou, informe, aos meus pés. E eu chorei. Porque posso ainda guardar a areia de que foste feito no meu pequeno cofre de recordações, mas deixei de ter ídolo a quem adorar. E o ser humano é fraco, bem sabes. Precisa de motivações, de quem o leve a continuar com um animo superior ao que lhe proporcionam as agruras de todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tão fácil, actualmente, encontrar informação destruidora de ídolos. Basta ter inteligência e um computador com acesso à Internet. E descobrir. Que não és diferente deles. És igual. Á tua medida e dimensão, mas igual. O que nem sequer é surpreendente. Porque o defeito não é, certamente, teu. Mas meu. Total e absolutamente meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5790224382745275773?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5790224382745275773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5790224382745275773&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5790224382745275773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5790224382745275773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/tinhas-razao.html' title='Tinhas razão.'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1244002107866279163</id><published>2011-10-16T11:09:00.005+01:00</published><updated>2011-10-16T11:29:36.210+01:00</updated><title type='text'>Príncipe</title><content type='html'>Tu és o Príncipe das histórias que costumava ouvir em menina, aquelas que as minhas avós me contavam e que começavam todas por "era uma vez" e terminavam com "para sempre" e o facto de existires comprova que os heróis existem e vivem entre nós, sim senhor, quem é que se atreve a dizer que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és o guerreiro invencível que trava lutas contra castelos imaginários e os moinhos de vento de que falava Cervantes quando escreveu o D. Quixote que hoje todos se enganam ao pensar que era uma obra de ficção, quando correspondia tudo a uma verdade absoluta e palpável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a princesa indefesa e frágil a quem tens de proteger, etérea e sonhadora e distante, impossível de alcançar no seu castelo de sonhos e fraquezas cujas ameias defendes, dia a dia, com bravura real de perigos imaginários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos a casa, brandes a espada de madeira e envergas a fatiota de rei medieval que te comprei na Feira de Silves e percorres cada uma das amplas divisões que temos a sorte de ter por nossas enquanto o teu cavalo imaginário, feito de sonho e bravura, galopa e gritas, peremptório, que, se o mal vier, não sobreviverá ao teu reinado de encanto e bondade que dizes chamar-se coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pertenci a uma geração a quem chamaram "rasca" só porque teve o atrevimento de nascer já em democracia e de não ter de lutar por grandes ideais como a dos seus pais e teus avós. Tu pertences a uma geração que será martirizada pelo défice económico e pela falta de espírito democrático de todas quantas a antecederam e em ti e nos teus pequenos amigos deposito a minha esperança e o meu orgulho e espero a capacidade que não tivemos de inverter mentalidades e paradigmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu tens a bondade e a beleza exterior do Príncipe que salvou a Cinderela da indigência e do que acordou a Branca de Neve do seu sonho de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sei que regressei à adolescência ainda muito antes de tu a atingires quando me perguntas, com ar sério e compenetrado, com quem vou jantar e aonde e se me vou demorar muito e insistes em querer acompanhar-me para que nada de mal me aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E rendo-me, com o único amor infinito e imperecível que sei que terei na vida ao teu reinado feito de luz e fazendo-te uma vénia cruzo os meus delicados pés de princesa, levanto ligeiramente o vestido imaginário e curvo a cabeça enquanto te digo: "A minha lealdade, o meu amor e a minha fé são para sempre tuas, grande senhor dos reinos da esperança, da alegria e da bondade.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1244002107866279163?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1244002107866279163/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1244002107866279163&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1244002107866279163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1244002107866279163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/principe.html' title='Príncipe'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-9001379165898609214</id><published>2011-10-14T15:48:00.002+01:00</published><updated>2011-10-14T16:08:51.929+01:00</updated><title type='text'>A pomba e o tigre</title><content type='html'>«Deixa-me ser a tua Amiga, Amor,&lt;br /&gt;a tua amiga, só!»&lt;br /&gt;Florbela Espanca "Amiga"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu dizes que não podes, de maneira alguma, ser meu amigo porque me amaste, porque o teu corpo se misturou com o meu numa sensação dolorosa e indizível, porque ambos atingimos o Nirvana e não quisemos de lá voltar, mas fomos obrigados a tal pela pressão cruel do nosso dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes que, se nos voltarmos a olhar, poderá a Terra assistir à erupção de vulcões, à ocorrência de terramotos e a um maremoto sem fim. E acrescentas que és o Oceano imenso, o mar infindo e que temes que a tua crueldade me destrua a mim, pobre arriba em decadência e que o nosso reencontro desencadeie um desastre natural...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu querido...eu não tenho medo. Mas talvez esteja a ser inconsequente ou temerária. E tu ralhas-me como a uma criança e avisas-me de que não deverei aproximar-me porque sou a borboleta errante e tu a chama maléfica que me atrairá e me consumirá até à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ti, não há meio termo que chegue em relação à minha pessoa: ou me queres ter avidamente sem consideração alguma pelo que sentirei a seguir ou, caso eu recuse render-me, lograrei o teu afastamento total e o teu silêncio absoluto porque não sabes nem queres confrontar-te de outra forma comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sei, de um saber sabido, desses que nunca quiseste entender, que atacarás sem piedade quem quer que seja que se atreva a tentar magoar-me. Que rugirás como um leão e exibirás os teus dentes de sabre como um tigre. E tento entrever nessa lealdade para comigo, que não me queres demonstrar mas exibes perante os demais, uma prova irrefutável de um certo amor por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, porque não somos, ao menos, amigos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Porque a pomba não é amiga do tigre.» - respondes tu com as tuas verdades absolutas. «Jogar-me-ía sobre ti e consumir-te-ía para minha satisfação.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu, com as minhas asas brancas e macias pouso-te sobre o dorso e murmuro-te ao ouvido: «Estás a ser injusto. Sei bem que tens perseguido outras pombas. Quiçá talvez lhes aceites, a seguir, amizade.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então tu ruges devagarinho, delicadamente, para não me assustar e sussuras: «Não são pombas, minha querida. São corvos.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-9001379165898609214?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/9001379165898609214/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=9001379165898609214&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/9001379165898609214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/9001379165898609214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/pomba-e-o-tigre.html' title='A pomba e o tigre'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4065369856983370858</id><published>2011-10-14T11:13:00.002+01:00</published><updated>2011-10-14T11:26:34.900+01:00</updated><title type='text'>DENUNCIA</title><content type='html'>Tenho visto hoje, já durante a manhã, mensagens espalhadas pelo Facebook a incentivar as pessoas a bracejar, estrebuchar e revoltarem-se contra todos os políticos que Portugal teve depois do 25 de Abril porque, alegadamente, todos teriam culpa, em partes iguais, da situação em que o País se encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, nada melhor que a serenidade e a clareza de espírito para se poder avaliar cabalmente as situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos: os políticos NÂO são todos iguais e NEM TODOS foram igualmente responsáveis pelo deplorável estado das finanças do País. Há políticos que o foram certamente. E não políticos que também. Há que manter a calma e raciocinar com frieza de espírito para se saber onde devemos actuar e para onde devemos canalizar as nossas energias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, enquanto povo, de passar a ser, no nosso dia a dia, mais actuantes e diligentes. E também mais críticos, reclamativos e denunciadores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há quem fuja aos impostos? Há instrumentos de denúncia disponíveis.&lt;br /&gt;- Há quem nos preste serviços? Deve ser sempre exigido o respectivo recibo.&lt;br /&gt;- Há concursos falsificados ou actos de corrupção no serviço em que trabalhamos? A PGR disponibiliza hoje meios eficazes e anónimos de participação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo, temos de abandonar os brandos costumes e a tolerância até um pouco bacoca que nos vai caracterizando enquanto povo. Sob pena de estarmos constantemente a pagar o enriquecimento alheio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que em nada nos beneficia. E que nos vai amesquinhando enquanto Nação...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4065369856983370858?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4065369856983370858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4065369856983370858&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4065369856983370858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4065369856983370858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/denuncia.html' title='DENUNCIA'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1563371360360398419</id><published>2011-10-13T21:49:00.005+01:00</published><updated>2011-10-13T22:34:23.850+01:00</updated><title type='text'>Não matem o mensageiro</title><content type='html'>Pedro Passos Coelho falou ao País. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As medidas, muito gravosas, anunciadas pelo Primeiro Ministro já eram de uma certa forma, expectáveis por quem tem acompanhado a situação do défice orçamental português na comunicação social. São medidas que exigirão grandes sacrifícios às famílias portuguesas, é certo. Mas, se só elas nos permitirão ultrapassar o condicionalismo em que hoje vivemos, cumpramo-las, com espírito de dever patriótico, sim, mas sempre tendo em vista o que nos levou até este estado de coisas. Não esquecendo o passado, de forma a compreender o presente e a poder actuar diversamente no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente ao que tenho visto escrito, com alguma leveza, por aí, Portugal não tem vivido em situação de défice permanente. É falsa esta premissa de que alguns partem. Portugal tem, sim, vivido, desde há dez anos para cá, períodos de grande oscilação entre o cumprimento ou o incumprimento do limite de 3% do PIB imposto por Bruxelas aos Estados Membros. Oscilação que tem dependido, também em grande parte da aceitação, por parte da Comissão Europeia, dos critérios a que os diferentes Ministros das Finanças recorrem para calcular essa margem de défice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, a queda em direcção ao abismo verifica-se em 2007. Nesse ano, em Novembro, o Comissário Almunia (recorde-se, Partido Socialista Espanhol )levanta as restrições&lt;br /&gt;orçamentais a Portugal durante o ano de 2008 permitindo a previsão, no Orçamento de Estado para 2009, ano de eleições, de uma descida do IVA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, perceberam bem: no final do ano de 2007, o Comissário Europeu responsável pelos Assuntos Monetários e que é, em simultâneo, membro do PSOE levanta as restrições orçamentais que pendiam sobre Portugal permitindo a José Sócrates anunciar para 2009 (ano em que haveria de ser reeleito como 1º Ministro de Portugal) uma descida do IVA. Anuncio eleitoralista. Anuncio fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descida do IVA fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em Abril de 2008, a Comissão Europeia adverte Portugal de que o défice poderá voltar a aumentar em 2009 devido à descida da taxa do IVA. Portugal termina efectivamente o ano de 2009 com um défice de 5,9% submetendo-se a procedimento por défice excessivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As previsões de Bruxelas para 2010 e 2011 seriam de 8,5 e 7,9% do PIB. O valor de 2010 aumenta entretanto para 8,6% devido à incorporação nas contas nacionais das imparidades com o BPN. ( e aqui, cabe também perguntar: já se apuraram responsabilidades?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dados numéricos. Matemática pura. Que temos de conhecer. Que não devemos ignorar. Para que se saiba quem é responsável. E para que não se mate, agora, o mensageiro. As medidas que Pedro Passos Coelho está a impor ao País são gravosas. São. E impopulares. São. Mas ele está apenas a tentar proceder à liquidação da pesada herança que nos deixaram, a todos nós, e que o encarregaram de gerir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não matem, portanto, o mensageiro. Que a culpa, aqui, tem nomes bastante perceptíveis e identificáveis. Basta perceber o mínimo de matemática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1563371360360398419?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1563371360360398419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1563371360360398419&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1563371360360398419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1563371360360398419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/nao-matem-o-mensageiro.html' title='Não matem o mensageiro'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2029497625355677679</id><published>2011-10-13T17:53:00.002+01:00</published><updated>2011-10-13T18:04:03.801+01:00</updated><title type='text'>Pedro Santana Lopes avalia a Troika</title><content type='html'>Pedro Santana Lopes foi hoje orador numa conferência realizada na Universidade de Lisboa e subordinada ao tema "Vamos avaliar a Troika".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou algumas perguntas que é imperioso que sejam feitas, nomeadamente, quem é que, em Portugal, assessorou a Troika, sublinhando que é uma informação a que, necessariamente, mais tarde ou mais cedo, teremos acesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E considerou esta intervenção do exterior como "a situação mais vexatória para a soberania nacional" desde o ultimato inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma frase sua, lapidar, que considero verdadeiramente pertinente e que resume, em meu entender, tudo quanto nos conduziu à situação em que estamos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«A culpa é de poderes instalados há tempo demais que, quando se mexe com eles, normalmente juntam-se e fazem o País seguir por maus caminhos.»&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém reflectir sobre esta afirmação e, acima de tudo, convém ter em devida atenção o saber e a experiência de quem, como Pedro Santana Lopes, integra a vida política portuguesa há tanto tempo e com tanta dedicação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2029497625355677679?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2029497625355677679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2029497625355677679&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2029497625355677679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2029497625355677679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/pedro-santana-lopes-avalia-troika.html' title='Pedro Santana Lopes avalia a Troika'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1428037406518227573</id><published>2011-10-13T12:42:00.002+01:00</published><updated>2011-10-13T12:57:46.741+01:00</updated><title type='text'>Eu reclamo!</title><content type='html'>É preciso uma cultura de exigência em Portugal. Frase feita? Talvez, mas verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante anos falou-se com ar de menosprezo e crítica do atendimento público, acusando os funcionários (esses autores de todo o mal) de serem laxistas, negligentes, mal educados, ineficientes. Criou-se um estigma que, aos poucos, e a muito custo, se vai diluindo com a entrada em funções de uma nova geração mais qualificada e mais interessada, que muito tem a fazer em termos de gestão da sua imagem perante os restantes concidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-vos, agora, eu: e os privados, senhores? Parece estar a assistir-se ao movimento inverso. Uma empresa privada tem a obrigação de ter no seu atendimento pessoas qualificadas para lidar com o público, mas também com aptidões pessoais (para além das profissionais) que os tornem especialmente aptos a uma tarefa que não se mostra nem fácil, nem simples, nem despicienda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece porém, que, actualmente, mesmo em tempo de crise e com a feroz concorrência instalada em determinados sectores de actividade, continua a ser dificílimo encontrar alguém que pratique de forma adequada e eficaz a função de atendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabem porquê? Pois eu digo-vos: porque os portugueses não reclamam, a maior parte das vezes, contra a falta de eficiência, simpatia e diligência com que são tratados pelas empresas das quais são clientes. É mais uma falha cultural que nos está na génese e que urge ir combatendo, sob pena de nos cristalizarmos como cidadãos e de a nossa economia, também por mais este factor e esta razão, não progredir para um paradigma melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos, portanto, exigentes. Atrevamo-nos a ser antipáticos e a dizer frontalmente o que nos desagradou ao invés de murmurar entre dentes impropérios como é nosso costume. Algo começará a mudar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu reclamo! E você?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1428037406518227573?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1428037406518227573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1428037406518227573&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1428037406518227573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1428037406518227573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/eu-reclamo.html' title='Eu reclamo!'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8965331441182030376</id><published>2011-10-12T16:19:00.003+01:00</published><updated>2011-10-12T16:31:56.089+01:00</updated><title type='text'>Ulisses</title><content type='html'>Hoje sou eu a Penélope. A que tece a manta interminável enquanto aguarda a tua vinda. A que recusa os pretendentes sem sequer os olhar porque nenhum é igual a ti. Alguns são até melhores, mais perfeitos, mais ideais. Mas não são tu. E tu és Ulisses, o feroz heroi da Guerra de Tróia, que empreende a viagem de retorno. De regresso aos meus braços e à minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem é perigosa e plena de distracções e eu tenho de a velar, mesmo que o não saibas. Passo o dia no tear e vou carpindo, baixinho, as minhas orações que tu não ouves porque estás embrenhado numa peleja que nem sabes bem para que serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou eu Penélope. A que desmancha durante toda a noite a manta para a reiniciar na manhã seguinte e para que ela nunca finde, nunca se acabe. E os pretendentes que não se atrevam a acercar-se porque ainda não a terminei: «Não vêm que tenho de acabar?» digo-lhes com ar insolente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles falam-me das tuas traições na viagem de retorno, do quanto sou néscia em desprezá-los, enquanto tu te divertes com as troianas e te demoras nesse mar sem fim, mas eu não os ouço porque estou demasiado ocupada a tentar que a manta nunca chegue ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, tu és ULisses. E sei que virás um dia quando eu menos o esperar, disfarçado de camponês, cansado e sujo, mas finalmente seguro do teu amor por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8965331441182030376?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8965331441182030376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8965331441182030376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8965331441182030376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8965331441182030376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/ulisses.html' title='Ulisses'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3565399755611272199</id><published>2011-10-11T19:52:00.002+01:00</published><updated>2011-10-11T20:06:04.361+01:00</updated><title type='text'>Uma questão de nome</title><content type='html'>Hoje, ao despedir-me de ti quando saí de casa apercebi-me do erro evidente. Nunca devia ter feito de ti minha mulher. Teria sido a única forma de evitar a rotina, o cansaço e este sentimento de estar a chegar novamente ao limite que se vai repetindo de cada vez que te olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha bem para ti: estás permanentemente exausta e aos gritos, rodeada de instrumentos de cozinha e de lenços de papel com que vais assoando ou limpando as lágrimas dos miúdos. Quão longe estás da rapariga cheia de energia e charme pela qual me apaixonei. Casei com uma pessoa que já nem reconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um erro e já nem sei como remediá-lo. Por  ti abandonei tudo, não suspeitando, sequer, que o mais provável seria a vida repetir-se. Despachei a Marília de armas e bagagens para um apartamento na periferia com uma pensão de alimentos que lá conseguiu extorquir-me. Teve tanta sorte, a fulana, que até apanhou em vigor a lei que ainda lhe permitiu enriquecer à minha custa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para quê? Para chegar agora a casa e dar contigo a cheirar a fritos e sempre de mau humor. Eras bastante mais interessante quando me visitavas, logo pela manhã, na minha sala e, ajoelhando-te debaixo da minha secretária, me proporcionavas um final feliz. Devia ter tudo permanecido assim. Mas não. Querias o que todas as mulheres querem. Pois bem. Tens precisamente aquilo que pediste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro agora na minha sala e sinto-me novamente jovem. E tu vens, como sempre, trazer-me o café e a imprensa do dia. Chegas perfumada, provocante e linda e suspiras-me ao ouvido o quanto me queres. E depois ajoelhas-te e sinto-me como se o paraíso viesse até mim. Sou feliz como fui então. A única diferença reside no nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que agora já não te chamas Rita. Chamas-te Maria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3565399755611272199?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3565399755611272199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3565399755611272199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3565399755611272199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3565399755611272199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/uma-questao-de-nome.html' title='Uma questão de nome'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-279673376522636700</id><published>2011-10-11T10:09:00.003+01:00</published><updated>2011-10-11T10:23:24.444+01:00</updated><title type='text'>As idades de Elizabeth Taylor</title><content type='html'>Dizia Elizabeth Taylor, quando questionada acerca da forma como encarava o avançar da idade, que, enquanto o jovem ascensorista do elevador do seu prédio corasse ao vê-la passar, não sentiria motivos de preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação não poderia ser mais verdadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E permito-me acrescentar ainda um outro fenómeno, mais interessante, talvez, e digno de realce: é que a idade traz-nos uma segurança e uma auto-confiança que a juventude raramente nos oferece e isso reflecte-se na nossa maneira de actuar, nos nossos mais ínfimos gestos diários, na nossa forma de vestir, de andar e de falar e afecta, inevitavelmente, a percepção que os outros têm de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso bastante possível que uma mulher que seja já bonita aos 20 anos (caso, obviamente, de Elizabeth Taylor) se torne ainda mais atraente com o passar do tempo e passe a aperceber-se, por vezes com algum espanto, do efeito que provoca em homens bastante mais jovens. Um efeito que não ocorria quando ela própria tinha 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é caso para admiração: para além de a juventude se prolongar hoje por bastante mais tempo, a idade confere-nos um enriquecimento em termos de sabedoria, inteligência e saber estar que não é, de todo, de menosprezar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-279673376522636700?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/279673376522636700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=279673376522636700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/279673376522636700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/279673376522636700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/as-idades-de-elizabeth-taylor.html' title='As idades de Elizabeth Taylor'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-11051484701468685</id><published>2011-10-10T16:40:00.003+01:00</published><updated>2011-10-10T16:54:26.293+01:00</updated><title type='text'>Cusquices e descobertas</title><content type='html'>A escrita pode ser ou vir a revelar-se um exercício perigoso.&lt;br /&gt;Muitas vezes ao falar daquilo que conhecemos atingimos o que não suspeitávamos que existisse. E só muito tempo depois compreendemos o verdadeiro significado que aquilo que vertemos em papel teve para quem o leu. E percebemos a celeuma que, a dada altura, não conseguimos compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não se fazem perguntas nem se levantam questões é um risco que se corre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é, de resto, quase sempre, uma repetição. E existem pessoas com perfis tão idênticos que, ao abordarmos uma delas, a outra pode sentir-se atingida pela semelhança das situações vividas. Será até extremamente fácil que isso aconteça. E que, de repente, o passado se nos veja esclarecido a uma determinada luz de que não nos podíamos aperceber porque o desconhecíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, conhecer o passado de uma pessoa é imprescindível para se compreender o seu presente e para se adivinhar o seu futuro. É que há perfis de actuação que se vão repetindo ao longo do tempo com as consequências inerentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada pessoa é um mundo que só conseguimos compreender totalmente quando ele nos é revelado.&lt;br /&gt;Não faço juízos de valor sobre ninguém. Cada um tem direito de ser feliz à sua maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os meus princípios, esses, mantém-se:&lt;br /&gt;- Não há amor sem liberdade, não há amor na subordinação;&lt;br /&gt;- Quem consente no início terá necessariamente de continuar a consentir no fim, pelo que, no início do amor é que o pepino se torce. Á semelhança, aliás, do que se passa com as crianças, as noções de respeito pelo outro e por nós próprios que se estabelecem desde o início serão aquelas que permanecerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com esta me fico que as descobertas do dia de hoje já foram demasiadas para um espírito tão perplexo como o meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-11051484701468685?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/11051484701468685/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=11051484701468685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/11051484701468685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/11051484701468685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/cusquices-e-descobertas.html' title='Cusquices e descobertas'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-2360017322370092083</id><published>2011-10-10T09:52:00.002+01:00</published><updated>2011-10-10T10:03:22.128+01:00</updated><title type='text'>Definições</title><content type='html'>Dizem-me para dar uma definição a este blog. Para o enquadrar numa tipologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio fico perplexa, boquiaberta. Nunca me tinha ocorrido tal coisa. Tipificar o meu blog, inseri-lo numa categoria, catalogá-lo, etiquetá-lo e quiçá, depois, guardá-lo numa gaveta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta conversa (esclareça-se já, bem intencionada) fez-me lembrar um pouco aquelas namoradas e mulheres (porque é uma atitude típica do sexo feminino) que, a cada momento, pretendem discutir e esmiuçar o estado da relação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se contentando em simplesmente vivê-la (e a vida, meus caros, por muito que cada vez mais nos esqueçamos desse pequeno pormenor, foi feita para ser vivida e não para ser definida, catalogada e esquadrinhada) querem antes abarcá-la em palavras e adjectivos que lhes confiram maior segurança acerca do estado da mesma. Não se iludam: a vida e os relacionamentos humanos não cabem na linguística da mesma forma que o Sol não se pode guardar no interior de uma caixa fechada. E mudam a cada momento porque também nós não permanecemos idênticos. Melhor que tentar catalogar as coisas e as relações em sérias e permanentes ou fluídas e esparsas é consumi-las no preciso momento em que se desenrolam. Porque só isto é a vida: o prazer que se retira de cada instante que passa por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se querem mesmo uma definição para este blog, eu entendo-o como um blog literário. É isso que tento aqui fazer: escrever. Apesar de, por vezes, me ir fugindo um pouco o dedinho para a política. Mas pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a vida deve ser um poema e não uma luta constante pelo poder. Pelo menos a vida tal como eu a entendo e quero viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-2360017322370092083?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/2360017322370092083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=2360017322370092083&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2360017322370092083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/2360017322370092083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/definicoes.html' title='Definições'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-4020760012743348239</id><published>2011-10-09T20:17:00.002+01:00</published><updated>2011-10-09T20:28:17.428+01:00</updated><title type='text'>Decepção</title><content type='html'>Não há nada mais entristecedor, mas, em simultâneo, mais propiciador de um reencontro com a realidade do que a decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criamos expectativas demasiado elevadas, quase irrealistas, a respeito de uma pessoa ou de um acontecimento ou, até mesmo, de um objecto, dificilmente o confronto com a realidade daquilo que endeusámos não nos causará transtorno ou desilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observamos, consternados, que a perfeição, é de facto, inexistente no mundo em que vivemos,sendo própria de uma realidade paralela de cuja existência nem sequer estamos seguros: o mundo dos deuses. E, mesmo este, foi descrito por certas mitologias, como pleno de seres hediondos, susceptíveis à inveja, à raiva, à vingança e a muitos outros sentimentos menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, uma vez confrontados com a crua realidade, uma de duas opções nos resta: ou aceitamos as pessoas e as coisas tal como são, com o seu rol infindo de imperfeições, ou concluímos que os erros de que padecem são demasiado gravosos e não os conseguimos aceitar. Há, então, que seguir em frente, sempre em busca de novas ilusões que, por sua vez, poderão acarretar outras decepções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe-nos a nós julgar que caminho seguir estando, porém, sempre conscientes de que a perfeição, ou mesmo a sua busca, corresponde quase sempre a uma busca infrutífera e árida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas lá que há defeitos e defeitos...isso também não deixa de ser uma grande verdade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-4020760012743348239?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/4020760012743348239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=4020760012743348239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4020760012743348239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/4020760012743348239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/decepcao.html' title='Decepção'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-6133705947609103107</id><published>2011-10-09T12:20:00.002+01:00</published><updated>2011-10-09T12:32:40.981+01:00</updated><title type='text'>Desencontro</title><content type='html'>Lembro-me ainda, às vezes, de ti e do sentimento louco, quase alucinante, que tive por ti. E custa-me a crer que possa ter sido eu a viver esses dias e a manter essas ilusões acerca de quem eras e do que verdadeiramente poderia esperar de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amei-te. Disse-to tantas vezes. Com fúria, com loucura e sem qualquer razoabilidade. E tu retribuiste-me, ainda que apenas no fim, com uma paixão desmesurada e entontecedora, que não costuma ser típica de ti e que, talvez por isso, te encheu de medo e comoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras, e deves ser ainda, uma criança. Uma criança titubeante e inexperiente sem qualquer noção daquilo que pretende ou deseja uma mulher. Um pequeno bébé de colo sob a aparência de homem feito. Não te ofendas. Foi assim, com todas as tuas falhas e fraquezas que, um dia, te quis e é ainda assim que te recordo. Para além de todas as desavenças que, mais tarde, nos separaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas pessoas tão diversas não foram feitas para permanecerem muito tempo juntas. E eu sou ainda hoje a amplitude, a abertura e a luz. Tu és todo o conservadorismo, ambiente fechado e hirto que tanto me atraiu pelo mistério. Tu és, ainda hoje, na minha memória, a noite. Uma noite plena de estrelas e brilhos, mas a noite - escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos mundos opostos e destinados a viver separados. Mas quem pode controlar as emoções mais básicas? E nós, mesmo sabendo que não era possível, que um dia teria de terminar tudo em desencontro, atirámo-nos um ao outro com a violência do sentimento que nos impulsionava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me a sorrir que não podíamos ficar sós sem que não caíssemos um em cima do outro com o furor da paixão - no carro, no elevador, em casa ou no escritório. Bastava que alguém se atrevesse a deixar-nos apenas na companhia um do outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde andas tu agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-6133705947609103107?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/6133705947609103107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=6133705947609103107&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6133705947609103107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/6133705947609103107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/desencontro.html' title='Desencontro'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3477851855992622103</id><published>2011-10-08T19:30:00.003+01:00</published><updated>2011-10-08T21:30:36.969+01:00</updated><title type='text'>A pá e o coveiro</title><content type='html'>Passando os olhos pela imprensa deste fim de semana, fico com a atenção retida na coluna de opinião de Fernando Madrinha no "Expresso" deste Sábado. Porque ele refere algo que quase toda a gente parece estar a esquecer-se de dizer a respeito desta crise que nos sufoca (como sempre e como é inevitável, mais a uns do que  a outros): meus senhores, a culpa por esta crise não pode ser igualmente imputada a toda a gente. Há responsáveis efectivos por ela, responsáveis maiores, e esses, não estão neste momento a lutar para arranjar emprego ou para sobreviver, mas para não perderem parte dos lucros fabulosos que auferiram através de mecanismos que nos conduziram a este estado de coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do que nessa coluna se escreve e que me parece de toda a pertinência e que é resumido nesta frase lapidar: «Como se, depois dos crimes praticados por alguns nas últimas décadas e dos quais o comum dos cidadãos só se apercebeu verdadeiramente depois de os ver consumados, um juiz viesse dizer que devemos aceitar o castigo com bonomia porque somos todos culpados», acrescento eu o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma verdadeira economia paralela instalada no País. Economia que vive da promiscuidade entre sector público e privado e que parece estar para ficar porque não a vejo recuar ou diminuir. Esse paralelismo actua muitas vezes de forma a que as opções tomadas no sector público (com o dinheiro que, cada vez com mais sacrifício, vamos pagando em taxas e impostos) sejam convenientes a determinados agentes privados. Mais uma vez, beneficiam alguns em deterimento de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, meus caros: enquanto assim for, muito dificilmente sairemos do buraco que alguns cavaram mas em que todos caímos. Cabe, portanto, perguntar: quem põe fim a este estado de coisas? Quem tem coragem de, de uma vez por todas, retirar a pá das mãos do coveiro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3477851855992622103?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3477851855992622103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3477851855992622103&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3477851855992622103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3477851855992622103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/pa-e-o-coveiro.html' title='A pá e o coveiro'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3366183262093827164</id><published>2011-10-07T21:32:00.003+01:00</published><updated>2011-10-07T21:43:50.107+01:00</updated><title type='text'>Atracção animal</title><content type='html'>Numa relação entre um homem e uma mulher o aspecto da atracção física, da ligação animal, assume sempre a máxima relevância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda antes de se saber se verdadeiramente se ama determinada pessoa é essencial sentir-se se esta nos atrai sexualmente. Sem essa pulsão inicial, não haverá base da qual partir, nem caminho por onde se possa seguir para uma relação amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que, também aqui, como em todos os aspectos da vida, pode haver quem tenha outras percepções acerca da matéria. Há mulheres que acham o dinheiro ou o poder afrodisíacos e há mesmo outras que não se importam mesmo nada de fazer fretes, desde que os seus objectivos finais (sejam eles quais forem) sejam alcançados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, por mim, sou muito tradicional. E também muito selectiva. Ou, talvez tenha apenas os instintos básicos muito apurados. A verdade é que nada me fascina mais que uns olhos expressivos, uma boca bem delineada, umas mãos bem tratadas ou uns gluteos bem torneados. É óbvio que, para que a conversa possa depois prosseguir por mais de meia hora (ou mesmo a falta de conversa, porque há situações da vida em que o diálogo é perfeitamente dispensável) torna-se necessário que a estas características físicas se juntem uma inteligência acutilante e um sentido de humor apurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o inverso é que é mais complicado. Pode um homem ser muito interessante, inteligente e culto mas, se não me começar por despertar o sistema hormonal...nada feito! Digo e repito: a atracção animal, aquela que surge logo no início é fundamental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos para a minha pessoa. Desculpem lá qualquer coisinha, sim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3366183262093827164?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3366183262093827164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3366183262093827164&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3366183262093827164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3366183262093827164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/atraccao-animal.html' title='Atracção animal'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3090442127504876989</id><published>2011-10-07T16:37:00.007+01:00</published><updated>2011-10-07T16:57:21.733+01:00</updated><title type='text'>Faculdade de Direito de Lisboa. Novembro de 1993</title><content type='html'>Novembro de 1993. Cavaco Silva é Primeiro-Ministro. Faculdade de Direito de Lisboa. Tenho 20 anos e não percebo nada de política. Está-se em pleno período de manifestação anti-propinas. Não tenho, sequer, opinião formada. Saio do Metro a pensar, ingenuamente, que vou ter aulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaco logo à saída do Túnel. O que é que se passa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A GNR a cavalo parece ter iniciado um desfile em plena Alameda da Universidade e começam a surgir uns senhores fardados que não me recordava de ter alguma vez visto antes. Têm capacetes transparentes enormes a cobrir-lhes o rosto e parte do corpo e seguram pela trela cães de aspecto furibundo, desesperados por correrem. No céu, há helicópteros a voar baixo e conseguimos ouvir o som das hélices que se aproximam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corro para a Faculdade no meio de uma turba de outros estudantes a tentar compreender. Chego ao meio do campo relvado e junto-me aos colegas de turma. A Lúcia tem a triste ideia de tirar o telemóvel da mala e tentar fotografar. Cai no chão redonda à minha frente sob o peso, doloroso, de um cacetete. Arrasto-a comigo para dentro da FDL. Ha polícias a correrem atrás de nós pelas escadas. Não sou uma criminosa. Não percebo o que se passa. Não quero acreditar no que está a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos na Faculdade ofengantes e nervosas, a correr com uma velocidade que não suspeitávamos que conseguíssemos alcançar. A polícia de choque atrás de nós. O Prof. Jorge Miranda veda-lhes a passagem. Atravessa-se na porta, qual Homem de Vitrúvio, braços e pernas estendidos, a gritar que ninguém entra na sua Faculdade sem a sua autorização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós temos medo. Que eles entrem. Que derrubem a figura franzina que nos tenta proteger e que penetrem no interior do edifício. E subimos a correr as escadas que levam à Biblioteca e barricamo-nos lá dentro cheios de medo. Quantos éramos? Imensos. Enchíamos a Biblioteca com o nosso terror e transpiração. A Lúcia a ter um ataque asmático e a tirar a bomba para fora da mala. Lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faculdade de Direito de Lisboa. Outubro de 2011. Há uma miuda a pentear o cabelo ao meu lado no espelho da casa de banho. Uma miúda que me sorri. Uma miuda. Tem 20 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também já tive 20 anos? Já. E há dias que nunca poderei esquecer. Eu, que não percebia nada de política nem tinha opinião formada. Passei a ter, naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho-me ao espelho. As pedras desta casa não mudam nem se movem. As paredes continuam iguais. Eu não. Já não tenho 20 anos. E, por isso, olho com bonomia e saudade a miúda ao meu lado no espelho que se despede dizendo-me "Boa tarde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao entrar no edifício lembro-me. Nunca me irei esquecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3090442127504876989?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3090442127504876989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3090442127504876989&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3090442127504876989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3090442127504876989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/faculdade-de-direito-de-lisboa-novembro.html' title='Faculdade de Direito de Lisboa. Novembro de 1993'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-7249961225076080796</id><published>2011-10-07T11:12:00.004+01:00</published><updated>2011-10-07T11:24:13.908+01:00</updated><title type='text'>Mãe Coragem</title><content type='html'>Tawakul Karman. Fixe este nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma mulher. Tem 32 anos. É jornalista. É mãe de três filhos. E é dona de uma imensa e incomensurável coragem. Que levou a que fosse uma das galardoadas deste ano com o Prémio Nobel da Paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há pessoas a quem a palavra coragem se aplica como um epíteto, a ponto de praticamente a definirem, é esta. Sendo uma voz activa e explícita contra o poder instituído no Iémen, tem enfrentado a perseguição, a prisão, ameaças de morte e até a tentativa de assassinato. Nunca baixou os braços. Nunca abandonou a luta em prol dos direitos das mulheres e do povo do Iémen em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Outubro de 2010 enfrentou sérios problemas depois de criticar publicamente membros ultra-conservadores do Islah que se opunham a um projecto de lei visando proibir o casamento de meninas menores de 17 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das suas últimas entrevistas ao "The Guardian" falava numa revolução social. Mais que numa revolução política. E é isto que a faz sorrir e continuar a lutar. Enfrentando o perigo. Confrontando a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que conferem um verdadeiro significado à palavra coragem. Tawakul Karman é uma delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-7249961225076080796?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/7249961225076080796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=7249961225076080796&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7249961225076080796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/7249961225076080796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/mae-coragem.html' title='Mãe Coragem'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-3949050330258095135</id><published>2011-10-06T22:11:00.002+01:00</published><updated>2011-10-06T22:24:12.832+01:00</updated><title type='text'>Matar a dor</title><content type='html'>Que seja feita a tua vontade, meu amor.&lt;br /&gt;Se é isto que pretendes, que posso eu fazer para obstar a que sejas feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te pedi muito. Pedi-te o mínimo que achei aceitável. E tu não mo conseguiste dar.&lt;br /&gt;Pergunto-te eu, bem sabendo que não conseguirás responder: se nem o mínimo te mostras capaz de me oferecer, que motivos tenho eu para arriscar seja que tipo de aventura for contigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi-te apenas o mínimo de atenção, o mínimo de tempo e o mínimo de dedicação (uma vez que não me poderias dar tudo o que tens para oferecer). Mas nem o mínimo pudeste ou soubeste preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, contudo, estarias seguro e feliz. Porque apenas te faria bem e nunca constituiria para ti motivo de tristeza ou ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que tiveste medo? Porque não quiseste arriscar o mínimo? Porque preferes esse caminho errante de saltar de braços em braços e de bocas em bocas, bem sabendo que ele não te causa mais do que um prazer momentâneo. Logo seguido, por vezes, de uma intransponível sensação de incómodo e de desconforto, de um querer partir de imediato para que nenhum envolvimento surja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-as passar, como tordos atingidos pela bala de uma espingarda e não consigo deixar de sentir mágoa e pena. Mágoa por mim e pelo que não vivemos e pena por ti, que bem sei perdido num vazio e numa dor imensas da qual não te consegues libertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi-se e não voltará. Teve razão. Eu teria feito o mesmo no lugar dela. Qualquer pessoa que te amasse teria feito o mesmo. Ficou-te o odor do seu perfume. Que nunca mais encontraste. E a dor que tentas matar em corpos que nada significam para ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dela, apenas o meu perfume permaneceu em ti. Apenas o meu cheiro te inspirou um poema ou uma canção. E por isso fugiste. Com medo, talvez, que a história se repetisse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aonde, meu querido, te conduzirá este caminho errante? E esta falta endémica de amor de que hoje padeces, mesmo que o negues?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-3949050330258095135?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/3949050330258095135/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=3949050330258095135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3949050330258095135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/3949050330258095135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/matar-dor.html' title='Matar a dor'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1262567926167856786</id><published>2011-10-06T10:23:00.003+01:00</published><updated>2011-10-06T10:40:16.099+01:00</updated><title type='text'>Esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar</title><content type='html'>Lembras-me a canção do Jorge Palma quando te vejo passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens mesmo o passo inseguro e o paraíso no olhar. Trazes no peito a afabilidade e a graça que conquistam quem te conhece e até quem te observa de longe. Mas a tua bondade natural não te dá tréguas sempre que te debruças a avaliar-te de perto. Achas-te falho em qualidades e pleno de defeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás enganado. Somos quase todos assim. Inseguros e frágeis, aterrorizados perante a enormidade da vida. Quem não é, quem se acha plenamente certo de si e dos outros talvez não tenha ainda vivido o suficiente para se aperceber da precariedade da vida, do mundo e dos nossos sentimentos. Somos frágeis e falíveis. Todos nós. E tu mais que todos. Por teres a consciência exacta daquilo que de errado existe em ti. E por te esforçares, sinceramente, a cada dia, por seres melhor. Ou talvez por não fazeres esforço absolutamente nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha: sei que o nosso reencontro está para breve. Sei porque conheço desde sempre a tua voz. E se não a conheço do passado, só pode ser do futuro que a recordo. E tu sorris e pões-me a mão na testa e dizes sarcástico: «Estás outra vez com alucinações. Coitadinha...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu zango-me e fico amuada. Não percebes que sou poeta? Tu voltas a sorrir. Não me poupas. Mas beijas-me com a meiguice que é tua e voltamos à infância que não foi nossa para que possas novamente esmurrar com fúria o rapazola atrevido que ousou comentar a nossa estranha amizade colorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos estranhos, sim. E imperfeitos e falíveis e maus. E depois? A quem é que isso diz respeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dás-me licença? Podemos agora seguir para o tal futuro em que nos reencontramos? Ele segue dentro de momentos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1262567926167856786?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1262567926167856786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1262567926167856786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1262567926167856786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1262567926167856786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/esse-teu-passo-inseguro-e-o-paraiso-no.html' title='Esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-343592812156829318</id><published>2011-10-05T19:12:00.003+01:00</published><updated>2011-10-05T19:26:29.053+01:00</updated><title type='text'>Homens que bebem</title><content type='html'>Um dia, tu, que nunca tocavas em vinho (um trauma qualquer de infância que nunca consegui compreender bem) chegaste a casa bêbedo. E é do conhecimento comum que os homens bem bebidos dizem quase sempre a verdade. Esta verdade deve tornar-se ainda mais pertinente com aqueles que não são consumidores habituais de vinho, como era o teu caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia tu, que nunca bebias, chegaste a casa bêbado. Talvez tenhas pensado que, assim, terias coragem de enfrentar o monstro que sou e sempre fui. O monstro da perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ao chegares a casa bêbado, tão bêbado que vomitaste, atiraste-me sem me olhar, com a falta de coragem e frontalidade que sempre te caracterizou: «Estou cansado da tua perfeição. Estou farto de que sejas tão bonita e tão esperta e tão inteligente e tão culta e tão literata».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, tu, que nunca bebias, chegaste a casa bêbado. Disseste-me um sem fim de disparates para justificar o injustificável. E eu ri-me. Porque não me ocorreu fazer outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acrescentaste ainda: «Quero alguém que seja mais feio que tu e mais burro que tu e mais incompetente que tu. Porque te detesto tanto que só quero alguém que não sejas tu, alguém que seja precisamente o oposto de ti.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu ri-me, desta feita, à gargalhada porque sabia. Sabia que alguém que apregoa todas as virtudes e se julga dono de todos os méritos, um dia tem de derrapar. Eu que não fumo, nem bebo, nem nunca te fui infiel, quero alguém que não me confronte, que não me enfrente, que não seja capaz de discutir intelectualmente comigo, que leia a "Caras" e a "Maria", que se penteie mal e para quem ninguém olhe na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu tive pena de ti e voltei a sorrir. Continuo a ter pena. Talvez por isso te dedique estas linhas neste dia. Precisamente neste dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desde então, (ironia das ironias) eu, que sempre apreciei a perfeição e a procurei cultivar, passei a gostar de homens cheios de defeitos e lacunas e temores. Homens que bebem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que sempre tive horror à bebida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-343592812156829318?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/343592812156829318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=343592812156829318&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/343592812156829318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/343592812156829318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/homens-que-bebem.html' title='Homens que bebem'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8031690871542814764</id><published>2011-10-04T22:58:00.004+01:00</published><updated>2011-10-04T23:30:38.247+01:00</updated><title type='text'>Medo</title><content type='html'>Liguei-te hoje. Deveria, talvez, ter voltado a ligar-te mais cedo. Penalizo-me tanto por isso. Tanto! Mas tu bem sabes como é a correria frenética de cada dia nosso, com mil compromissos assumidos e outros tantos que ficam por cumprir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso agora que deveria ter-te ligado mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oiço ainda a tua voz a ecoar-me dentro da caixa de afectos a que pertences e a confidenciar-me que tens medo. Um medo que uma pessoa da tua idade não deveria ainda sentir. O medo do nada, o medo do escuro, o medo da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És ainda mais jovem do que eu própria sou e me sinto. Mal acabaste de cumprir os 30. E, de repente, um dia, no duche, ao passares a mão pelo seio ele lá estava. O prenúncio do mal, de um crepúsculo antecipado, de um dia que não se cumpre até ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falam-te agora os médicos, depois de retirarem a dor de dentro de ti, em inflingirem-te novo sofrimento, que te obrigará a adiar o esquecimento. Falam-te em mais meses inacabados e desesperantes. Falam-te em quimioterapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tuas palavras soam-me ao ouvido embargadas e trémulas, não sei se de comoção, se de medo. O medo só adquire verdadeiro significado quando, numa idade em que ainda somos infalíveis e imortais e belos e infinitos, a morte se atreve, com a sua mão pesada de trevas, a bater-nos à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois queixas-te. Não já do terror que te atormenta as noites insones e te torna já demasiado pequenos os dias que sofregamente queres tomar para ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queixas-te do abandono e do afastamento. De quem julgavas querer-te. Dos amigos com quem compartilhavas os dias de saúde, beleza e alegria. Que lhes aconteceu, agora que a noite se pôs? E calas-te, desiludida e triste, a tentar compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também eu não percebo. Mas sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que te devia ter ligado mais cedo. Porque o medo só se torna verdadeiramente pequeno e ridículo quando alguém que amamos nos segura a mão e nos garante que estará sempre por ali. Haja o que houver. E sem qualquer receio que a senhora do fim apareça, com o seu traje negro de gala, para nos presentear com a sua indesejada visita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8031690871542814764?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8031690871542814764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8031690871542814764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8031690871542814764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8031690871542814764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/medo.html' title='Medo'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5301609570951069197</id><published>2011-10-04T10:40:00.003+01:00</published><updated>2011-10-04T10:56:57.291+01:00</updated><title type='text'>Movimento perpétuo</title><content type='html'>Chegas enraivecido e voraz com a fúria do tufão, levantando pobres folhas caídas pelo caminho. Rodeias-me, árvore milenar que sou, e, com toda a tua força sopras-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu respondo-te: «Podes magoar-me, aviltar-me e agredir-me. Mas não me farás cair»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus braços transparentes, feitos de ar, seguram-me a cintura de madeira com força e tentam dobrá-la para ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu respondo-te: «Fala-me do que quiseres. Grita-me se tiveres força. Mas não cederei.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, seguras indignado o teu manto de folhagem e viras-me costas, com ar de grande ofensa, como se eu tivesse realmente a obrigação de dobrar o torso rígido à tua passagem, e retiras-te, altivo, seguido pelo teu enorme séquito de arbustos. Mas eu não te acompanho. Permaneço no meu recanto solitário e só, à espera que passes novamente, violento e feroz, à minha porta de floresta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hás-de passar. Porque o vento nunca permanece muito tempo no mesmo sítio e há séculos que se sabe que a Terra é redonda e roda num movimento perpétuo e constante sobre si mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5301609570951069197?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5301609570951069197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5301609570951069197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5301609570951069197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5301609570951069197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/movimento-perpetuo.html' title='Movimento perpétuo'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-5099580462834837328</id><published>2011-10-03T19:38:00.003+01:00</published><updated>2011-10-03T19:48:36.511+01:00</updated><title type='text'>Mal me quer. Bem me quer.</title><content type='html'>Adoro-te, endeuso-te, venero-te, coloco-te num pedestal.&lt;br /&gt;Acarinho-te, envolvo-te, escrevo-te, desculpo-me, humilho-me, dou-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto-te, discuto-te, agrido-te, contrario-te, irrito-te, afasto-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou calorosa, amável e amante, amiga e companheira, irmã e mãe, filha e mulher e tudo o que houver para ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nada, sou fria e distante e ríspida e desatenta e má e odiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estenderei o meu corpo para que o pises e o uses como te aprouver e hei-de cobrir-te nos dias frios para que não sofras, despindo, se necessário for, cada peça de roupa minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois enfureço-me e corto o teu nome em pedaços para que mais ninguém o possa dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus, Meu Sol e Minha vida - digo eu de rastos cobrindo o cabelo de pó como os profetas antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então adoro-te, venero-te, endeuso-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois ficas distante de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E detesto-te, odeio-to, desprezo-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te. Amo-te. Amo-te.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-5099580462834837328?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/5099580462834837328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=5099580462834837328&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5099580462834837328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/5099580462834837328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/mal-me-quer-bem-me-quer.html' title='Mal me quer. Bem me quer.'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-8583502828195319981</id><published>2011-10-03T10:40:00.002+01:00</published><updated>2011-10-03T10:57:56.208+01:00</updated><title type='text'>O mal menor</title><content type='html'>Na sua coluna no Jornal "Expresso" deste último Sábado e sob o título "Isaltinos e Jardins" Henrique Monteiro tem uma frase lapidar que é preciso reter e sobre a qual vale a pena reflectir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«...ao clima constante de guerrilha à volta de tudo o que diz respeito à Justiça (e das suas decisões tantas vezes incompreensíveis) acresce o medo terrível dos políticos em perder votos e popularidade. Só isso explica as prudentes palavras que a maioria dos responsáveis (até o Presidente, Meu Deus!) utiliza sobre estes senhores -mesmo quando o Estado é insultado por Jardim ou as sentenças dos Tribunais são sistematicamente fintadas.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo desde já uma declaração a meu respeito e acerca da minha forma de pensar: para mim, quando estão em causa questões de justiça (e mais ainda quando se trata de justiça criminal) sou absolutamente apartidária e não faço qualquer distinção entre os "meus" ou os "outros". Entendo que quem pratica actos que lesam o interesse público (constituam ou não crime) não merece, ser, sequer, submetido a sufrágio, quanto mais ganhar eleições!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo, portanto, com a opção do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho em não participar na campanha eleitoral madeirense. Se esta peca por alguma coisa, é pela moderação a que o nosso Chefe de governo nos vem habituando em quase todas as decisões que tem tomado. Tem uma personalidade calma que se vai reflectindo nas opções que adopta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discordo, porém, de Henrique Monteiro quando refere que não é aos cidadãos que cumpre penalizar os políticos pelos seus feitos que se vão tornando de conhecimento público. É certo que os Tribunais devem cumprir (e de forma competente e evitando os erros grosseiros dos últimos dias) o seu fim último de administração cega e rápida da Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é menos verdade que cabe a cada um de nós uma tarefa nobilíssima, conquistada a muito custo, de eleger como nossos representantes, não só quem se mostra competente na administração dos bens públicos que lhes são entregues, mas também quem mostra honestidade e isenção nessa mesma administração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, sendo possível ter ambas as coisas, não se mostra aceitável optar por apenas uma delas e ir escolhendo, de forma laxista e desinteressada, «o mal menor».&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-8583502828195319981?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/8583502828195319981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=8583502828195319981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8583502828195319981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/8583502828195319981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/o-mal-menor.html' title='O mal menor'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4811712665358891752.post-1632716520706542015</id><published>2011-10-01T23:20:00.002+01:00</published><updated>2011-10-01T23:35:45.117+01:00</updated><title type='text'>Mar de Outono</title><content type='html'>O mar algarvio, este mar de Outubro, de um Outono pretensioso que finge que é Verão, és tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sereno e cálido pela hora de almoço, mas rebelde e intempestivo de manhã e ao final da tarde, quando os ventos o agitam e o tornam feroz e rebelde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mar de Outono és tu. Quente, a escaldar, quando o Sol o queima e o abraça, mas frio, quase gélido, quando a enorme estrela o abandona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensaste, meu querido, que eu era uma concha perdida e vagueante daquelas que costumas arrastar para o infinito das tuas profundezas. Enganaste-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a arriba imponente e medonha que se ergue à tua frente, assustadora, e que enfrenta, corajosa, as ferozes investidas dos teus momentos de galope feroz e incansável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embates, em ondas gigantescas e altivas contra mim, mas eu resisto, imutável e solitária. Não penses que me convences com o som suave da tua voz nos momentos de calmaria ou com a carícia ondulante do teu toque suave ao Sol do meio dia. Ali me mantenho, sempre igual, sempre perene, sempre serena.&lt;br /&gt;Porque sei. Sei que te agigantarás no momento seguinte, quando a fúria se apossar de ti e que me fustigarás sem dó nem piedade quando o vento te picar o dorso em chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda assim, não consigo evitar amar-te. E, de quando em vez, quando o teu braço de espuma se estende para mim, ofereço-te, generosa e meiga, um pedaço de mim para que o possas levar contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E encho de terror as pobres gentes que vão murmurando ao passar: «Qualquer dia o mar ainda faz cair a arriba.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4811712665358891752-1632716520706542015?l=sandranmartins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sandranmartins.blogspot.com/feeds/1632716520706542015/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4811712665358891752&amp;postID=1632716520706542015&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1632716520706542015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4811712665358891752/posts/default/1632716520706542015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sandranmartins.blogspot.com/2011/10/mar-de-outono.html' title='Mar de Outono'/><author><name>Sandra N. Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09513172125781538022</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FCPvBhVUOHw/Sgsk9tNkhZI/AAAAAAAAACg/-40wOIyTvH0/S220/Sandra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
