Nos dias e horas da tua ausência o meu tempo pára e torna-se inútil e permaneço suspensa sobre a vida aguardando o momento em que regresses.
Nos momentos dolorosos da tua ausência, que clama em mim, barulhenta, como um temível troar de canhão, a minha alma aguarda, à janela do meu ser, a tua vinda, ansiosamente perscrutando a paisagem árida na esperança de um vislumbre da tua imagem.
Pois tu és luz radiante e sublime, e bem sei que tudo iluminarás à tua passagem, desde o mar ao céu, passando pelo meu pobre e inanimado ser. Perco horas debruçada sobre essa varanda imaginária aguardando um sinal da tua existência, Princípe do Sol, e cogitando, umas vezes sombria e outras tantas esperançada, sobre o que sentirás por mim e se da minha pessoa te recordarás com frequência. Ou se nem sequer te lembras que te aguardo, perdida de ti e só da tua presença, espreitando para a montanha de onde sei que surgirás.
Adivinho a tua dor e respeito-a e bem sei ser ela a causa do teu silêncio que me dói ainda mais a mim do que a ti. Quis ser bálsamo ungidor da tua fronte e sei que o fui mas hoje, aqui, olhando de forma vaga e cega o mar, invade-me o medo de que o fantasma do sofrimento te tenha apanhado novamente na sua rede temível e traiçoeira.
E, com as contas do terço apertadas, até doer, contra os dedos, vou rezando e murmurando para que atravesses, seguro, o País das Trevas e possas, Princípe da Luz, chegar incólume e invencível até ao Porto onde o meu amor espera por ti.
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
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