Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Filhos da Serra

Tu és a perfeição e o mistério, a beleza e a candura, a bondade e a verticalidade. E eu fico admirada por poderes, sequer, atentar em mim, que estou envolta em mágoa e em desgosto, embrulhada num xaile português, tecido com as cores do fado e da saudade e da desesperança.

Mas tu vens e carregas-me ao colo com os teus braços de ternura, afagas-me com as tuas mãos de amor, distancias-te com o teu corpo feito preocupação e entrega e veneração por mim, que sou pecadora e não o mereço.

Contigo, todos os medos e fantasmas se afastam porque tu és a luz, uma luz que só quem é verdadeiramente recto e bom e traz a verdade consigo pode emanar. E eu sinto que o amor me chama e fico espantada por perceber (cega que sou!) que talvez seja a primeira vez que ele verdadeiramente ocorre na minha vida.

E beijo-te as mãos com ternura pois sei que só me trarão bem e alegria e sorvo-te cada palavra como uma benção que tenha recaído sobre mim.

E, a teu lado, olhando o Mar que é nosso, aperto-me contra ti e sinto, como se o visse, agora, com clareza, que tanta bem-aventurança só me poderia advir de quem é, como eu, filho da Serra e do Rio e das Gaivotas.

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